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Como utilizar capital cultural para obter vantagem competitiva nos negócios?

Ronaldo Loyola Ronaldo Loyola

A partir do final do século XIX, a maneira como as empresas passaram a aproveitar sua vantagem competitiva mudou significativamente. Passando da mão de obra concentrada na era agrícola para o período industrial, onde a qualidade e a produtividade eram a tônica para as empresas melhorarem suas margens e marcar território no mercado, chegamos à era da informação e mudamos para uma economia do conhecimento. Agora, o foco principal passou a ser o capital cultural, através da performance e resultados.

Considerado um novo estágio em nossa evolução organizacional, o capital cultural é altamente poderoso por abranger uma perspectiva mais ampla e holística do talento nas organizações, através do alto nível de engajamento coletivo e de consciência evolutiva em que se encontram as pessoas.

Mas afinal, como podemos definir capital cultural? Richard Barrett, um dos mais influentes pensadores nos temas relacionados à cultura organizacional o define como sendo o valor agregado a programação mental coletiva (valores e crenças) de uma organização, manifestado pelos comportamentos no dia a dia.

Qual o valor do capital cultural?

Embora o valor do capital cultural não possa ser capturado no balanço de uma empresa, ele contribui significativamente para o valor de mercado de uma organização – sendo possível mensurar e trazer retorno financeiro para uma empresa.

Não é fácil criar capital cultural, mas é muito fácil perdê-lo. Quando considerado como vantagem competitiva deve-se criar uma cultura organizacional que esteja alinhada aos valores e às necessidades das pessoas. Entender o que as pessoas valorizam é a chave para criar uma empresa com alta performance. Neste sentido, é importante entender quais valores uma organização possui e como eles foram criados.

Quantas vezes ao visitar uma empresa é observado um quadro na parede da recepção estampando a missão, visão e valores daquela organização? Quando indagamos aos funcionários a respeito do “por que” da escolha daqueles “valores”, normalmente as respostas são as mais variadas: ‘não sabemos, os mesmos foram escolhidos pelos líderes da empresa’; ‘eles estão aí há muito tempo e não fazemos ideia como foram criados’; ‘estes são os “Valores” globais da companhia e foram definidos pela matriz’; ‘os valores representam a história de nosso fundador’. Enfim, inúmeras outras respostas também são citadas.

A importância do engajamento coletivo

Infelizmente, as empresas acabam acreditando que são os líderes ou os principais executivos que devem escolher os valores de uma organização. Na verdade, todos os funcionários devem estar envolvidos na escolha dos valores declarados por ela. Os líderes podem fazer a escolha final, porém mediante uma lista de valores que são desejados pela maioria dos funcionários da empresa. Quando existe a participação e interação dos funcionários, os valores são incorporados, vividos e compartilhados, fazendo uma enorme diferença no valor do capital cultural. Evidentemente que o oposto também é verdadeiro.

Neste cenário, o alinhamento dos valores é uma vantagem competitiva. Os valores impulsionam a cultura, a cultura impulsiona o engajamento dos funcionários, o engajamento dos funcionários impulsiona a excelência em serviços, a excelência em serviços impulsiona a satisfação do cliente e a satisfação do cliente impulsiona o valor de todas as partes interessadas.

É importante ressaltar que, atualmente, o novo modelo de cultura organizacional deve ser fundamentado em relacionamentos mutuamente benéficos e sustentáveis entre todos os stakeholders. Na essência deste ecossistema, deve-se prevalecer valores comuns refletidos em comportamentos altamente alinhados e praticados no dia a dia.

Como manter uma cultura de alto desempenho em cenários tão incertos?

Uma coisa é certa: não podemos mais prever com precisão o caminho a seguir principalmente num cenário de médio e longo prazo. Porém, sabemos que as organizações ágeis, resilientes, adaptáveis e dirigidas por valores, possuem maior capacidade de sobrevivência no mercado.

Cada vez mais pesquisas mostram que as organizações com melhor desempenho global prestam muita atenção à sua cultura organizacional. Estas empresas consideram sua cultura corporativa como seu maior ativo e a principal fonte de vantagem competitiva. Isto sem dúvida, passa pelo intenso processo de transformação pessoal de suas lideranças.

 

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