Gestão de Ativos: Eficiência não significa melhores resultados
Insights da indústria Gestão de ativos: AI Impact Survey 2026
14 jul. 202615 min leitura
Índice
Gestoras adotam IA em escala, mas sem gerar valor
As gestoras de ativos estão acostumadas a medir desempenho de forma rigorosa. No entanto, quando o assunto é inteligência artificial, muitas organizações que exigem resultados de todos os seus investimentos ainda enfrentam dificuldades para demonstrar o retorno gerado por suas próprias iniciativas.
De acordo com a pesquisa AI Impact 2026 da Grant Thornton, realizada com 950 executivos, líderes do setor de gestão de ativos estão adotando a IA em larga escala, mas os resultados não acompanham o mesmo ritmo. 61% afirmam estar ampliando o uso da tecnologia em múltiplas áreas da organização ou já tê-la integrado totalmente às operações. Entre os benefícios reportados estão ganhos de eficiência (73%), redução de custos (50%) e melhoria na tomada de decisão (48%). Apesar disso, apenas 41% relatam crescimento de receita.
Grande parte das gestoras está concentrando seus casos de uso de IA em atividades de back office e middle office, deixando em segundo plano as aplicações de front office diretamente relacionadas à geração de receita. Esse é um dos principais desafios para a captura de valor da tecnologia.
A maior barreira para ampliar os retornos financeiros está na falta de uma governança adequadamente testada. O problema não se limita à ausência de políticas formais. Ele também está relacionado à fragmentação de evidências, à baixa rastreabilidade e à limitação dos processos contínuos de teste dos controles.
A IA está sendo implementada, mas ainda não está gerando melhorias significativas no retorno sobre o investimento (ROI). Uma governança sólida e validada permite que os líderes de gestão de ativos tomem decisões com maior confiança, ampliem a aplicação da IA em processos de alto valor agregado e gerem resultados mensuráveis para o negócio.
Gestoras de ativos não conseguem comprovar a eficácia da IA
72%
dizem que
os controles existem, mas as evidências estão fragmentadas entre equipes e ferramentas.
53%
apontam
barreiras de governança e conformidade como fatores que contribuem para o baixo desempenho da IA.
22%
afirmam
estar muito confiantes de que conseguiriam passar por uma auditoria independente de governança de IA.
As organizações que conseguirão expandir o uso da IA para além dos ganhos de eficiência e alcançar a geração de valor em escala estão começando por uma governança testada, capaz de promover alinhamento entre áreas e conectar investimentos em IA aos objetivos do negócio. No entanto, apenas 22% dos líderes do setor de gestão de ativos afirmam estar muito confiantes de que conseguiriam passar por uma auditoria independente de governança e controles de IA nos próximos 90 dias, enquanto 53% apontam barreiras de governança e conformidade como fatores que afetam diretamente o desempenho da tecnologia.
As empresas que não conseguem centralizar, comprovar e defender as evidências de seus controles de IA acabam limitadas na expansão e inovação dos casos de uso da tecnologia, especialmente em processos de investimento, funções de gestão de riscos no middle office e operações de front office voltadas ao relacionamento com clientes, onde os impactos sobre reputação e crescimento dos ativos sob gestão (AUM) são significativos.
Para garantir uma verdadeira prontidão em governança, os líderes do setor devem testar seus controles antes, durante e após a implementação da IA, além de rastrear e organizar claramente os processos dos sistemas de IA por meio de evidências devidamente documentadas.
Essa abordagem permite ampliar e inovar o uso da IA de forma segura antes que fiscalizações da SEC, processos de diligência por parte de investidores ou questionamentos do conselho de administração exijam essa comprovação sob pressão.
Baixa qualidade dos dados limita a escalabilidade da IA
53%
afirmam que
a IA está sendo ampliada para múltiplas áreas da organização.
31%
apontam
a baixa qualidade dos dado e problemas de integração como uma das principais barreiras para escalar a IA.
Os dados são essenciais para as gestoras de ativos que, em um cenário de pressão sobre taxas, buscam utilizar a IA para impulsionar receitas. Esse crescimento dos ativos sob gestão (AUM) exige que os dados forneçam insights para a tomada de decisão em produtos, tecnologia e canais de distribuição, com informações fluindo facilmente por toda a organização e entre terceiros.
Embora 53% dos líderes do setor de gestão de ativos afirmem que a IA está sendo ampliada para múltiplas áreas da organização, apenas 8% dizem que ela está totalmente integrada às operações. 31% apontam a qualidade dos dados e a integração como uma barreira primária para escalar a IA. Os executivos de gestão de ativos reconhecem que questões relacionadas aos dados dificultam uma adoção mais ampla da IA, mas a fragmentação das informações e os processos legados tornam a transformação mais lenta.
Em vez disso, as gestoras precisam de uma base integrada de dados que padronize e concilie informações provenientes de plataformas internas com dados de custodiante e administradores de fundos, por meio de um modelo canônico configurável. Os gestores devem concentrar seus esforços inicialmente na conciliação de domínios de dados de alto valor, como dados de portfólio, dados de gestão do relacionamento com clientes (CRM) e dados transacionais e contábeis. Essa abordagem permite às organizações administrar definições inconsistentes e reconciliações manuais nos pontos de maior impacto para o crescimento, além de fornecer uma fonte única e confiável para relatórios e insights.
As empresas devem estabelecer padrões de governança para a qualidade dos dados e incorporar processos sistemáticos de remediação ao seu modelo operacional. A IA pode ser utilizada para acelerar esse trabalho. Líderes de gestão de ativos que implementam uma governança centralizada de IA desde o início e redesenham seus fluxos de trabalho para uma execução nativa em IA conseguem avançar mais rapidamente para casos de uso voltados ao relacionamento com clientes e aos investimentos, enfrentando significativamente menos barreiras regulatórias.
Governança e preparação de dados limitam a escalabilidade da IA na gestão de ativos
Pergunta: Quais são as três principais barreiras que impedem a IA de ser ampliada de forma eficaz em sua organização?
Fonte: Pesquisa AI Impact 2026 da Grant Thornton (n=950, todos os setores; n=100, Gestão de Ativos).
Gestoras de ativos ganham eficiência com IA, mas não vantagem
73%
relatam
aumento de eficiência como um dos principais benefícios da IA.
34%
apontam
os movimentos da concorrência como o principal fator externo que impulsiona os investimentos em IA.
25%
relatam
melhorias na qualidade dos resultados gerados pela IA, contra 43% na média de todos os setores.
Quando proprietários de ativos, gestoras e prestadores de serviços do setor implementam IA, o foco geralmente está em operações de back office e middle office, como monitoramento de riscos, serviços de custódia, administração de fundos, conciliações e outras atividades voltadas à eficiência operacional. As organizações que estão se destacando, por outro lado, estão direcionando a IA para atividades de front office, como otimização de portfólios, estratégias de distribuição, questionários de diligência (due diligence) e relatórios para investidores.
Empresas que utilizam a IA apenas para ganhos de eficiência enfrentam consequências competitivas. Elas tendem a sofrer maior pressão para reduzir taxas à medida que grandes organizações com elevados investimentos em tecnologia e concorrentes digitalmente nativos utilizam a IA para oferecer novos produtos, serviços e experiências aos clientes, ampliando sua participação de mercado.
Ao mesmo tempo, 34% dos líderes de gestão de ativos afirmam que os movimentos da concorrência são o principal fator externo por trás de seus investimentos em IA, incluindo iniciativas relacionadas a análise preditiva, previsões e cibersegurança. Mesmo assim, apenas 14% relatam aceleração da inovação e somente 25% apontam ganhos na qualidade dos resultados, índices significativamente inferiores aos observados na pesquisa em todos os setores.
As gestoras de ativos estão seguindo os passos da concorrência quando deveriam estar olhando à frente para identificar as necessidades de seus investidores e compreender onde a IA pode efetivamente gerar valor. As organizações que estão criando impacto financeiro concreto estão levando a IA para os fluxos de trabalho de front office, ou seja, para os processos que influenciam diretamente a experiência dos clientes e impulsionam o crescimento dos ativos sob gestão (AUM).
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Explore os resultados da pesquisa AI Impact 2026 e descubra os fatores que estão impulsionando ou limitando a IA em diferentes indústrias.
Produtos, distribuição, negociação, portfólios e experiência do investidor
Onboarding: automação do onboarding de clientes institucionais e de varejo, processos de diligência e processamento de documentos de subscrição e adesão a fundos.
Estratégia de investimento: modelagem preditiva para avaliar o ambiente competitivo, identificação de oportunidades de mercado por meio de fontes alternativas de dados e classificação de cenários macroeconômicos.
Originação de negócios: revisão automatizada de documentos, ingestão de dados, detecção de sinais de alerta (red flags) e análise de sentimento em reuniões e apresentações da administração.
Due diligence institucional e relacionamento com consultores: respostas assistidas por IA para questionários de diligência conduzidos por investidores institucionais e consultorias.
Transparência e relatórios para investidores: geração de comunicações mais claras, rápidas e personalizadas por meio de IA, incluindo explicações sobre portfólios, análises de risco, fatores de desempenho e divulgações regulatórias.
Risco, conformidade e supervisão
Monitoramento de portfólio: painéis inteligentes de desempenho para acompanhamento de resultados, modelos de avaliação em tempo real baseados em IA para ativos ilíquidos e monitoramento automatizado de exposições em relação aos mandatos de investimento.
Conformidade de investimentos: aceleração da implementação de novas diretrizes, verificações automatizadas de conformidade pré-negociação (pre-trade compliance) e mapeamento de mudanças regulatórias para políticas internas.
Gestão de riscos: modelagem avançada de cenários de risco e testes de estresse, detecção de anomalias para identificar padrões incomuns de desempenho e simulação de condições adversas de mercado.
Operações e infraestrutura
Trilha de auditoria administrativa: auditabilidade completa, com documentação orientada por IA de todos os processos automatizados e das decisões tomadas.
Operações financeiras: automação do processamento de faturas, análises preditivas para previsão e otimização de fluxo de caixa, auditoria de relatórios de despesas, detecção de fraudes e automação de relatórios financeiros e regulatórios.
TI e desenvolvimento de sistemas: manutenção preditiva para falhas de sistemas, análise automatizada de registros de incidentes e respostas a ocorrências, além de algoritmos para detecção de ameaças cibernéticas.
Recursos humanos: ferramentas de recrutamento baseadas em IA para triagem de candidatos, análise de dados e insights sobre desempenho dos colaboradores e trilhas personalizadas de aprendizagem e desenvolvimento.
As organizações que atuarem de forma antecipada e estratégica nessas áreas conseguirão avançar dos ganhos de eficiência em operações de back office para casos de uso capazes de impulsionar o desempenho do negócio, melhorar a experiência dos investidores e aumentar os ativos sob gestão (AUM), extraindo um nível mais avançado de valor a partir da adoção da IA.
Três ações para transformar a escala da IA em sucesso
1. Teste os controles antes, durante e após a implementação
As gestoras de ativos não podem tratar a governança de IA apenas como um exercício de definição de políticas. Ela deve ser incorporada diretamente aos fluxos de trabalho de investimento, operações e relatórios, com registros centralizados, trilhas de decisão auditáveis e respostas comprovadas para situações em que os controles falhem.
As organizações que contam com controles de IA capazes de atender às expectativas regulatórias e ao escrutínio dos investidores estão mais bem posicionadas para implementar a tecnologia com confiança e ampliar seu uso em processos de front office de maior impacto.
2. Construa a base de dados conforme os casos de uso exigirem e utilize a IA para operacionalizar dados em escala
A fragmentação dos dados no setor de gestão de ativos — marcada por definições inconsistentes entre custodiante, administradores e plataformas internas — limita a capacidade da IA de gerar resultados confiáveis antes que esses fundamentos sejam estabelecidos.
Proprietários de ativos, gestoras e prestadores de serviços devem definir padrões de governança para a qualidade dos dados, priorizar os principais domínios de dados relacionados aos casos de uso de maior valor e incorporar processos sistemáticos de remediação ao modelo operacional, utilizando a IA para acelerar esse trabalho.
3. Implemente casos de uso de front office antes dos concorrentes
Gestoras de ativos que geram ganhos de eficiência, mas não promovem inovação no front office, estão apenas atingindo o padrão mínimo do mercado, e não construindo vantagem competitiva.
Antes de expandir a IA horizontalmente pela organização, as gestoras devem priorizar os casos de uso de maior valor. Organizações que já possuem governança testada, dados integrados, fluxos de trabalho de IA documentados e fornecedores com maior maturidade em IA estarão mais preparadas para impulsionar a adoção em toda a empresa, especialmente nas funções voltadas ao relacionamento com clientes e aos investimentos, que sustentam a diferenciação dos produtos, a retenção de receitas e, em última instância, o crescimento dos ativos sob gestão (AUM).
Essas recomendações estão fundamentadas nas capacidades que os profissionais da Grant Thornton ajudam as organizações a desenvolver.
A lacuna de comprovação da IA (AI proof gap) identificada nesta pesquisa é exatamente o desafio que motivou este estudo e que a Grant Thornton ajuda o ecossistema de gestão de ativos, incluindo gestores de investimentos alternativos, gestores de investimentos públicos, gestores de patrimônio e provedores de serviços de custódia, a superar.
Isso inclui o desenvolvimento de estruturas comprováveis de governança de IA para processos de front office, middle office e back office, a implementação de práticas de conformidade alinhadas aos requisitos da SEC e aos processos de diligência, a padronização de dados e a definição de estratégias e modelos operacionais de IA responsável que permitam às gestoras utilizar a tecnologia para ganhar escala e impulsionar o crescimento dos ativos sob gestão.
No atual ecossistema de gestão de ativos, a lacuna de comprovação da IA é real. Ela é mensurável. E não será superada sem que os líderes adotem medidas para estabelecer uma governança comprovável, uma base de dados confiável e a confiança necessária para inovar em funções voltadas ao relacionamento com clientes.
Pesquisa IA Impact
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Explore os resultados da pesquisa AI Impact 2026 e descubra os fatores que estão impulsionando ou limitando a IA em diferentes indústrias.
Metodologia
Entre 23 de fevereiro e 18 de março de 2026, a Grant Thornton entrevistou 950 líderes empresariais, incluindo CFOs, CIOs/CITOs, COOs, vice-presidentes, líderes de área e diretores com reporte direto à alta administração.
Desse total, 100 respondentes pertenciam aos setores de Construção e Mercado Imobiliário, formando a amostra específica utilizada para as análises apresentadas neste relatório.
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