A maioria das organizações está ampliando o uso de IA que não consegue explicar, medir nem defender. Nossa pesquisa com 950 executivos do alto escalão (C-level) e líderes empresariais seniores revela o porquê e o que as organizações que estão à frente estão fazendo de diferente. 

  • 78% não demonstram alta confiança de que passariam por uma auditoria independente de governança de IA em até 90 dias 
  • 4x organizações com IA totalmente integrada têm quase quatro vezes mais probabilidade de reportar crescimento de receita impulsionado por IA do que aquelas que ainda estão em fase piloto (58% contra 15%) 
  • 46% apontam falhas em governança e compliance como uma das principais causas do baixo desempenho da IA 
Introdução

Executivos estão ampliando uso da IA. 
Mas não estão governando.

78% dos executivos que participaram da “Pesquisa de Impacto da IA 2026” da Grant Thornton não demonstram alta confiança de que conseguiriam passar por uma auditoria independente de governança de IA em até 90 dias. Organizações que estão implementando IA não conseguem demonstrar como as decisões são tomadas nem quem é responsável pelos resultados. Essa é a lacuna de comprovação da IA. 

A desconexão tem um custo. Organizações com IA totalmente integrada têm quase quatro vezes mais probabilidade de reportar crescimento de receita do que aquelas que ainda estão em fase piloto, 58% contra 15%. A diferença não está apenas na tecnologia. Está na responsabilização. As organizações líderes conseguem demonstrar como sua IA deles toma decisões, quem é responsável pelos resultados, e o que acontece quando algo dá errado.  

Para a maioria, a falta de alinhamento no C-level está desacelerando o progresso e ampliando os riscos. Dentro de muitas organizações, COOs responsáveis por operações impactadas pela IA estão identificando lacunas de governança que não recebem financiamento dos CFOs e não são devidamente reportadas por CIOs e CTOs. O resultado é a escalada da IA sem que haja clareza sobre quem responde pelo que ela produz. 

Este relatório analisa quatro dimensões da lacuna de comprovação, governança, estratégia, prontidão da força de trabalho e riscos associados à IA agentic (IA baseada em agentes), além da lacuna de desempenho mensurável entre organizações que estão conseguindo reduzi-la e aquelas que estão ficando ainda mais para trás.  

Em conjunto, esses insights mostram onde o valor real está sendo criado e como os líderes podem capturá-lo. As organizações que estão à frente desenvolveram estruturas de governança que dão aos seus líderes a confiança necessária para escalar a IA de forma decisiva. As demais estão herdando riscos que não conseguem enxergar e resultados que não conseguem comprovar. Onde a lacuna está se ampliando, como ela está impactando o desempenho e o que é necessário para fechá-la são os pontos abordados a seguir. 

A implementação de IA avançou mais rápido do que a infraestrutura necessária para a sustentar. Líderes que investiram em governança não estão mais lentos – estão mais rápidos, porque tem confiança para escalar. Aqueles que ainda não construíram essa base estão a um incidente de enfrentar uma conversa muito mais difícil.
Tom Puthiyamadam Sócio líder de Advisory Services Grant Thornton Advisors LLC
Governança

A gestão está avançando rapidamente. 
A supervisão não acompanha. 

1
1
%
dos executivos
identificam a governança como a função que mais exige atenção para alcançar suas ambições em IA – embora 46% apontem falhas de governança como uma das principais causas do baixo desempenho.
7
5
%
dos conselhos
aprovaram grandes investimentos em IA, ainda assim, 48% não definiram expectativas de governança de IA e 46% não integraram o risco de IA ao processo contínuo de supervisão.

Conselhos estão dando sinal verde para a IA, mas muitos não estão questionando o que acontece se algo der errado. Três em cada quatro conselhos aprovaram grandes investimentos em IA, mas menos da metade definiu expectativas de governança, e menos da metade incluiu o risco de IA como um item permanente na agenda de supervisão do conselho ou de seus comitês. 

A maioria dos modelos de governança não foi projetada para lidar com o volume de casos de uso de IA que as organizações estão implementando atualmente. Estruturas centralizadas de revisão ficam sobrecarregadas à medida que os casos de uso multiplicam, criando gargalos que desaceleram o negócio sem, de fato, reduzir os riscos.  

Organizações que desenvolvem uma governança mais robusta adotam IA mais rapidamente. Entre as organizações em fase piloto, apenas 7% estão muito confiantes de que conseguiriam passar uma auditoria independente de governança de IA em até 90 dias, em contraste com aquelas com IA totalmente integrada, nas quais 74% demonstram alta confiança. 

As organizações estão avançando da fase de descoberta para a implementação sem conseguir demonstrar que a Inteligência Artificial está operando de forma segura, defensável e na escala que o negócio exige. Cada iniciativa sem governança não cria apenas uma lacuna. Ele cria uma lacuna que torna a próxima iniciativa mais difícil de governar, medir e defender. A lacuna de comprovação não cresce de forma linear. Ela se amplifica. 

“A lacuna de comprovação é real e mensurável. A questão é o que separa as organizações que conseguem provar que sua IA funciona daquelas que não conseguem. A resposta, evidenciada de forma consistente pelos dados da pesquisa, é a governança. Não a governança como a maioria das organizações a prática. Mas a governança construída como um sistema de desempenho”, comenta Puthiyamadam. 

“A pesquisa evidencia um padrão recorrente: as organizações estão expandindo o uso de IA em um ritmo superior à sua capacidade de demonstrar, medir e defender os resultados gerados. Essa desconexão não apenas limita o ROI, mas aumenta a exposição a riscos operacionais e regulatórios.” Maikon Silva, Sócio de IT Risk da Grant Thornton Brasil 

Métricas de governança e crescimento aumentam conforme o nível de integração 

Muito confiantes: conseguiriam passar por uma auditoria independente

Crescimento de receita impulsionado por IA 

Fonte: “Pesquisa do Impacto da IA 2026”, Grant Thornton, n = 950 
Nota: nenhum dos 28 respondentes no estágio de “exploração inicial de IA” estava “muito confiante” de que conseguiria passar uma auditoria independente de governança de IA. A comprovação nos estágios iniciais não é baixa. É inexistente. As organizações não desenvolvem confiança em governança por acaso. Elas a constroem de forma deliberada. A lacuna entre a fase piloto e a integração total é dez vezes maior. 

Sem governança sólida, testar e escalar gera volume de iniciativas, mas não resultados. Cada falha potencializa a seguinte.   

Estratégia

A estratégia impulsiona o valor gerado pela IA. 
Três em cada quatro organizações ainda não possuem uma. 

5
1
%
apontam
a estratégia como o principal motor do retorno sobre investimento (ROI).
7
9
%
dos líderes
de operações não possuem uma estratégia de IA totalmente desenvolvida e implementada.

As organizações estão tendo sucesso em termos de abrangência, com mais pilotos, mais casos de uso e mais áreas impactadas pela IA, mas estão falhando em profundidade. Em nossa pesquisa, líderes empresariais identificaram as ações dos concorrentes como o principal fator externo que impulsiona a adoção. Muitos são motivados mais pelo medo de ficar para trás do que por uma visão clara e prática de onde a IA gera valor para o seu modelo de negócios específico.

Fechar a lacuna requer disciplina, não apenas visão. 

A definição de métricas de desempenho e o desenvolvimento de uma infraestrutura de governança permite que as equipes avancem com mais rapidez e confiança. Isso inclui a mensuração consistente do ROI entre iniciativas, ciclos de feedback que orientam onde o próximo investimento deve ser direcionado e a capacidade de encerrar experimentos que não estão gerando resultados. Também significa começar onde as evidências são mais fáceis de estabelecer. 

1 a cada 2 

Líderes de operações afirma precisar de uma estratégia ou governança de IA formalizada para melhorar nos próximos seis meses. As organizações que estão agindo agora já estão de distanciando das demais. Planejar a construção de uma estratégia não é o mesmo que, de fato, construí-la. 

 Se a autonomia avançar mais rápido do que o escrutínio, os agentes de IA podem transformar essa lacuna em um abismo. 

Força de Trabalho

A IA está avançando em ritmo acelerado.  
A força de trabalho não está preparada. 

3
9
%
dos CIOs/CTOs afirmam
que a força de trabalho está totalmente preparada para a adoção de IA
7
%
dos COOs afirmam
que a força de trabalho está totalmente preparada para a adoção de IA

O desempenho da IA não está correspondendo às expectativas, pois a prontidão da força de trabalho está aquém do esperado. O treinamento está desconectado dos fluxos de trabalho e das tarefas, deixando os colaboradores sem a orientação específica necessária para suas funções. O desalinhamento da liderança é um dos fatores responsáveis por esse cenário. CIOs e CTOs têm cinco vezes mais probabilidade do que COOs de afirmar que a força de trabalho está pronta para a adoção de IA.  

Essa lacuna reflete duas visões distintas de uma mesma organização, e a distância entre essas perspectivas resulta em uma desconexão que dificulta o avanço da força de trabalho em direção aos objetivos organizacionais e a otimização do desempenho da IA. 

O problema começa no topo. 

A IA gera resultados quando os líderes redesenham a forma como o trabalho realmente acontece, modelos operacionais, fluxos de trabalho e gestão de desempenho. O treinamento de conscientização leva as pessoas até a linha de partida; no entanto, a maioria das organizações para nesse ponto.  

O treinamento é a área de investimento em IA mais subfinanciada na pesquisa, com 34% dos líderes financeiros afirmando que não recebe recursos suficientes. As organizações que estão se destacando estão capacitando sua força de trabalho para utilizar ativamente ferramentas de IA em fluxos de trabalho específicos e bem definidos, com regras claras de uso e responsabilização. 

As organizações estão investindo fortemente em IA enquanto subfinanciam o lado humano: gestão de mudanças, treinamento e redesenho de processos. A IA está sendo tratada como um projeto de TI. O resultado é uma força de trabalho que observa a chegada da IA sem saber como utilizá-la. Apenas 6% dos executivos afirmam que liderança em transformação e capacitação da força de trabalho estão entre as principais competências necessárias para prosperar em um ambiente orientado à IA. Esse número é, por si só, o problema.  

Lacuna entre liderança, execução e prontidão para IA. 

A pesquisa evidencia o quão distantes a maioria das organizações ainda está de fornecer aos colaboradores a orientação necessária para o uso da IA de forma alinhada às suas funções e aos processos específicos. Funcionários da linha de frente (37%) e gerentes intermediários (30%), os profissionais mais próximos da IA nas operações do dia a dia, foram identificados como os que mais necessitam de suporte para implementar o uso da IA. 

Dados e sistemas também contribuem significativamente para a perda de valor em IA. A insuficiente preparação dos dados é a terceira principal causa da baixa desempenho da IA, e 55% dos CIOs/CTOs relatam que menos da metade de suas aplicações principais está preparada para IA. Ao mesmo tempo, apenas 40% das organizações estão bem-preparadas para lidar com os desafios de privacidade e segurança gerados pela IA. Essas limitações de infraestrutura se agravam quando os investimentos em tecnologia estão desconectados das necessidades da força de trabalho e não estão vinculados a desafios específicos dos fluxos de trabalho. 

Os líderes precisam identificar os problemas certos, defini-los com precisão e aplicar a IA com disciplina em cada domínio específico, da mesma forma que fariam em qualquer adoção anterior de tecnologia corporativa, começando pela preparação dos dados e pelo desenho cuidadoso dos sistemas, apoiados por uma gestão de mudanças abrangente e por uma clara definição de responsabilidades. 

“O treinamento em IA deve reforçar o trabalho redesenhado, não apenas o uso de ferramentas. Ele exige mudança nos hábitos, na tomada de decisão e nos fluxos de trabalho no nível das funções, para que a IA se torne parte integrante da forma como o trabalho é realizado, e não apenas um complemento às práticas anteriores”, diz Tom Puthiyamadam. 

A IA não é apenas um projeto de TI, mas sim uma iniciativa de gestão de mudanças. A lacuna tende a aumentar se a força de trabalho não for preparada para essa transformação. 

Riscos

Agentic IA está acelerando. 
A maioria não está preparada para suas falhas. 

7
4
%
dos líderes empresariais
estão concedendo à agentic IA acesso a seus dados e processos.
1
em cada 5
organizações possui um plano estruturado de resposta a falhas de IA

Quase três em cada quatro organizações estão concedendo à agentic IA acesso a seus dados e processos – seja em fase de pilotagem, escalonamento ou em operação. Apenas 20% possuem um plano de resposta a incidentes de IA testado para quando ocorrem falhas. As poucas organizações que incorporam a governança ao funcionamento da IA conseguem escalar com confiança. As demais permanecem limitadas no alcance de sua aplicação. 

A maioria das organizações ainda não permite a tomada de decisões totalmente autônoma: apenas 5% autorizam agentes a executar decisões de alto impacto sem revisão humana, enquanto 60% restringem os agentes à automação de tarefas de risco moderado. Ainda assim, mesmo nesses níveis, a infraestrutura de governança não tem acompanhado esse avanço, e o desalinhamento na alta liderança é um fator que contribui para esse cenário. 

Mais da metade (54%) dos COOs está preocupada com as incertezas regulatórias e de compliance relacionadas à agentic IA, em comparação com apenas 20% dos CIOs/CTOs. Essa lacuna de preocupação, por si só, representa um risco. Quando aqueles que implementam a tecnologia não compartilham das mesmas preocupações daqueles responsáveis pelas operações, o controle se fragiliza. 

Protocolos de resposta a incidentes de IA devidamente testados são uma ferramenta crítica de governança. 

A mudança mais desafiadora é estrutural. A governança precisa evoluir de um modelo baseado em políticas estáticas para um modelo de supervisão contínua, que envolva o monitoramento do comportamento dos agentes, a detecção de desvios e o ajuste de controles à medida que os sistemas evoluem. Organizações que desenvolvem essa capacidade desde cedo estarão melhor posicionadas para escalar a agentic IA sem aumentar sua exposição a riscos. 

 Se a autonomia avançar mais rápido do que o escrutínio, os agentes de IA podem transformar essa lacuna em um abismo. 

Desempenho

A governança gera desempenho. 
Líderes colhem os benefícios. 

Os dados são claros. Organizações que priorizaram a governança desde o início, prepararam sua força de trabalho antes de exigir ROI, e tiveram a disciplina de interromper iniciativas que não estavam funcionando estão superando seus pares em todos os indicadores. 

Benefícios Mensuráveis por Estágio de Integração 

Fonte: “Pesquisa do Impacto da IA 2026”, Grant Thornton, n = 950 

Nota: não se trata de diferentes tipos de organizações. São as mesmas organizações em diferentes estágios da mesma jornada, e a diferença nos resultados representa o custo da lacuna de comprovação. Os líderes não chegaram a esse ponto por acaso. Eles construíram a infraestrutura primeiro.

A governança estabelecida desde o início permite escalar com confiança. A cada semana em que é adiada, a lacuna se amplia. 

Fechamento da Lacuna

IA confiável gera resultados. 
Mas exige disciplina para ser construída. 

A lacuna de comprovação é um problema de responsabilização. Conselhos aprovaram investimentos sem estabelecer expectativas de governança. A liderança implementou a IA sem definir quem é responsável pelos resultados. As organizações escalaram sem construir a infraestrutura para comprovar que tudo isso funciona. 

As organizações que estão fechando a lacuna de comprovação não estão esperando por melhores tecnologias, exigências regulatórias ou por um incidente que force a ação. Eles estão construindo governança agora, e a lacuna entre elas e as demais já é mensurável em receita, eficiência e inovação. Ela não se fechará por si só. 

Organizações com IA plenamente integrada têm 10 vezes mais probabilidade de serem aprovadas em uma auditoria independente de governança, e quase quatro vezes mais probabilidade de reportar crescimento de receita, de acordo com nossa pesquisa. A cada semana em que a governança é adiada, a lacuna se amplia. 

CIOs, COOs e CFOs percebem a organização de formas diferentes. Enquanto a liderança não compartilhar uma definição comum de prontidão em IA, responsabilização e gestão de riscos, os investimentos na força de trabalho terão desempenho inferior e as implementações de agentic IA escalarão sem os controles necessários para mitigá-las. 

Apenas 22% dos líderes de operações estão trabalhando com uma estratégia de IA totalmente desenvolvida e implementada. As organizações que estão se destacando não estão expandindo mais pilotos, elas estão escalando menos iniciativas, com melhores métricas e critérios de saída mais claros. A profundidade gera os resultados que justificam o próximo investimento. 

Sua organização está no gap de comprovação da IA?

5 perguntas que todo executivo deve responder

  1. Seus líderes compartilham uma definição comum de sucesso em IA, risco e responsabilização?

  2. Você consegue medir de forma consistente o ROI de suas iniciativas de IA e identificar quais devem escalar ou ser descontinuadas?

  3. Você definiu onde a IA pode atuar de forma autônoma, onde é necessária supervisão humana e quem é responsável pelos resultados?

  4. Você conseguiria apresentar evidências auditáveis de como seus sistemas de IA tomam decisões hoje?

  5. Se um sistema de IA falhasse amanhã, você teria um plano de resposta testado e a capacidade de rastrear o que deu errado? 

Se você respondeu “não” a qualquer uma dessas perguntas, está na lacuna de comprovação em IA. Nosso relatório mostra o que as organizações que estão fechando essa lacuna estão fazendo de diferente. 

Relatório 2026 - Pesquisa Impacto da IA

Relatório 2026 - Pesquisa Impacto da IA

Obtenha uma análise mais aprofundada do gap de comprovação da IA e de como organizações líderes estão superando esse desafio. 

Metodologia

Entre 23 de fevereiro e 18 de março de 2026, a Grant Thornton conduziu uma pesquisa com 950 líderes empresariais em 10 setores. Os respondentes foram selecionados entre a alta liderança, incluindo executivos do C-level (CEOs, CFOs, COOs, CIOs/CTOs) e líderes que se reportam diretamente ao C-level. 

Os participantes estavam distribuídos nos seguintes setores: gestão de ativos (N=100), banco (N=50), construção/imobiliário (N=100), energia (N=100), seguros (N=100), manufatura (N=100), mídia e entretenimento (N=100), liderança de fundos de private equity (N=100), serviços (N=100) e tecnologia e telecomunicações (N=100). 

A distribuição funcional incluiu operações (390), finanças (313), TI (234) e CEO/sócio-gerente (13).