O desempenho da IA não está correspondendo às expectativas, pois a prontidão da força de trabalho está aquém do esperado. O treinamento está desconectado dos fluxos de trabalho e das tarefas, deixando os colaboradores sem a orientação específica necessária para suas funções. O desalinhamento da liderança é um dos fatores responsáveis por esse cenário. CIOs e CTOs têm cinco vezes mais probabilidade do que COOs de afirmar que a força de trabalho está pronta para a adoção de IA.
Essa lacuna reflete duas visões distintas de uma mesma organização, e a distância entre essas perspectivas resulta em uma desconexão que dificulta o avanço da força de trabalho em direção aos objetivos organizacionais e a otimização do desempenho da IA.
O problema começa no topo.
A IA gera resultados quando os líderes redesenham a forma como o trabalho realmente acontece, modelos operacionais, fluxos de trabalho e gestão de desempenho. O treinamento de conscientização leva as pessoas até a linha de partida; no entanto, a maioria das organizações para nesse ponto.
O treinamento é a área de investimento em IA mais subfinanciada na pesquisa, com 34% dos líderes financeiros afirmando que não recebe recursos suficientes. As organizações que estão se destacando estão capacitando sua força de trabalho para utilizar ativamente ferramentas de IA em fluxos de trabalho específicos e bem definidos, com regras claras de uso e responsabilização.
As organizações estão investindo fortemente em IA enquanto subfinanciam o lado humano: gestão de mudanças, treinamento e redesenho de processos. A IA está sendo tratada como um projeto de TI. O resultado é uma força de trabalho que observa a chegada da IA sem saber como utilizá-la. Apenas 6% dos executivos afirmam que liderança em transformação e capacitação da força de trabalho estão entre as principais competências necessárias para prosperar em um ambiente orientado à IA. Esse número é, por si só, o problema.
Lacuna entre liderança, execução e prontidão para IA.
A pesquisa evidencia o quão distantes a maioria das organizações ainda está de fornecer aos colaboradores a orientação necessária para o uso da IA de forma alinhada às suas funções e aos processos específicos. Funcionários da linha de frente (37%) e gerentes intermediários (30%), os profissionais mais próximos da IA nas operações do dia a dia, foram identificados como os que mais necessitam de suporte para implementar o uso da IA.
Dados e sistemas também contribuem significativamente para a perda de valor em IA. A insuficiente preparação dos dados é a terceira principal causa da baixa desempenho da IA, e 55% dos CIOs/CTOs relatam que menos da metade de suas aplicações principais está preparada para IA. Ao mesmo tempo, apenas 40% das organizações estão bem-preparadas para lidar com os desafios de privacidade e segurança gerados pela IA. Essas limitações de infraestrutura se agravam quando os investimentos em tecnologia estão desconectados das necessidades da força de trabalho e não estão vinculados a desafios específicos dos fluxos de trabalho.
Os líderes precisam identificar os problemas certos, defini-los com precisão e aplicar a IA com disciplina em cada domínio específico, da mesma forma que fariam em qualquer adoção anterior de tecnologia corporativa, começando pela preparação dos dados e pelo desenho cuidadoso dos sistemas, apoiados por uma gestão de mudanças abrangente e por uma clara definição de responsabilidades.
“O treinamento em IA deve reforçar o trabalho redesenhado, não apenas o uso de ferramentas. Ele exige mudança nos hábitos, na tomada de decisão e nos fluxos de trabalho no nível das funções, para que a IA se torne parte integrante da forma como o trabalho é realizado, e não apenas um complemento às práticas anteriores”, diz Tom Puthiyamadam.