CFOs reforçam investimentos em tecnologia diante das pressões do mercado

CFO SURVEY | Q2 2026

Overview

Apesar da forte queda na confiança econômica, os CFOs estão acelerando os investimentos em tecnologia, especialmente em inteligência artificial, para enfrentar desafios como inflação, instabilidade geopolítica e volatilidade das cadeias de suprimentos. 

A pesquisa CFO Q2 2026 da Grant Thornton revela um aumento da diferença entre a ambição de investir e a confiança na capacidade de execução, reforçando a necessidade de uma governança mais robusta, disciplina na gestão de custos e maior preparação organizacional. 

Os líderes financeiros estão priorizando iniciativas de eficiência impulsionadas por IA, operações de M&A seletivas e estratégias sustentáveis de otimização de custos, reconhecendo que a criação de valor no longo prazo dependerá de uma execução disciplinada em um ambiente cada vez mais complexo.

Destaques

Introdução

Mesmo com a forte deterioração da confiança econômica, os líderes financeiros continuam altamente focados em ampliar os investimentos em tecnologia. 

A urgência em investir, combinada com a redução da confiança na capacidade de execução, é evidenciada pelos dados da pesquisa CFO Q2 2026 da Grant Thornton e reflete o delicado equilíbrio que os CFOs precisam manter em um cenário econômico desafiador. 

A confiança econômica caiu de forma significativa na pesquisa realizada com 232 líderes financeiros entre 28 de abril e 11 de maio. O pessimismo aumentou à medida que a elevação dos preços do petróleo, impulsionada pelo início do conflito no Irã e pelo fechamento do Estreito de Ormuz, se somou a um ambiente já marcado por incertezas. 

Apenas 37% dos 232 líderes financeiros entrevistados relataram uma perspectiva otimista para a economia dos Estados Unidos, o menor nível registrado nos últimos 20 trimestres. Os pessimistas (40%) passaram a superar os otimistas, e outros indicadores importantes também apontam para um cenário de pressão contínua:

  • A confiança na capacidade de atender às necessidades da cadeia de suprimentos caiu significativamente, de 58% para 43%, enquanto os desafios relacionados à cadeia de suprimentos ganharam relevância, sendo apontados como prioridade por 36% dos líderes financeiros, ante 24% no trimestre anterior. 
  • A otimização de custos avançou como prioridade, com 87% das organizações planejando iniciativas de redução de custos, acima dos 72% registrados no Q1. 
  • A confiança na capacidade de atingir metas de controle de custos permanece baixa: apenas 42% dos líderes afirmam estar confiantes, abaixo dos 51% observados no trimestre anterior. 

 “A incerteza em relação às tarifas está criando desafios para as cadeias de suprimentos, e as questões relacionadas ao abastecimento de petróleo e aos conflitos contribuíram significativamente para a incerteza econômica e o pessimismo que temos observado”, afirmou Dana Lance, líder de Qualidade e Risco da área de Tax Solutions da Grant Thornton. 

Otimismo econômico atinge o menor nível em 5 anos

O gráfico a seguir mostra a série histórica do percentual de executivos que avaliam de forma otimista ou muito otimista as perspectivas para a economia dos Estados Unidos nos próximos seis meses, evidenciando o menor nível de confiança registrado nos últimos cinco anos. 

Fonte: Pesquisa CFO Q2 2026 da Grant Thornton (n=232).

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Investimentos aceleram, mas a execução preocupa 

Apesar da queda na confiança econômica, os CFOs continuam acelerando os investimentos em tecnologia e aceitando maiores riscos de execução nesse processo. 67% esperam aumentar os gastos com TI e transformação digital, percentual muito próximo do recorde de 68% registrado no trimestre anterior. Ao mesmo tempo, a modernização tecnológica como prioridade estratégica avançou 13 pontos percentuais, alcançando 48%. 

Essa dinâmica está ampliando a distância entre ambição e execução. Os CFOs continuam investindo para impulsionar o crescimento, mesmo diante da redução da confiança em sua capacidade de entregar os resultados esperados. “Esses investimentos exigem supervisão disciplinada”, afirma Mike Hennessey, sócio nacional de Finance Modernization da Grant Thornton. “Os CFOs precisam de processos claros para comprovar o retorno sobre o investimento e garantir a responsabilização.” 

Os resultados da pesquisa apontam para um ambiente de alto risco para o desempenho organizacional, impulsionado pela queda na confiança da execução e pela crescente pressão sobre o controle de custos: 

  • As economias de custos podem ser incertas ou difíceis de sustentar; 
  • A resiliência operacional pode ser comprometida; 
  • Os ambientes de controle podem não acompanhar a velocidade das mudanças, especialmente à medida que a IA escala em meio a lacunas de governança.

Isso ocorre mesmo em um contexto em que a IA possibilita entregar produtos, serviços e atividades em poucas horas, quando antes eram necessários meses. “Essa velocidade está criando pressão sobre controles, cibersegurança e funções de conformidade. Muitas organizações ainda não estão preparadas para operar nesse ritmo”, complementa Dana Lance.  

Esse é o principal desafio enfrentado pelos CFOs atualmente: manter o ritmo dos investimentos sem perder o controle. Os CFOs podem enfrentar esses desafios por meio de investimentos disciplinados em tecnologia e iniciativas estruturadas de otimização de custos, mas o sucesso dependerá da capacidade de executar com consistência em um ambiente de pressão crescente. Isso exigirá liderança eficaz na adoção da IA, gestão cuidadosa de custos e, para muitas organizações, uma condução estratégica das operações de M&A.

IA pode fortalecer resiliência diante do aumento das pressões econômicas

Os líderes financeiros estão atuando em um ambiente volátil, marcado por mudanças nas políticas comerciais, inflação e instabilidade geopolítica.

A confiança e o otimismo caíram significativamente no Q1 e no Q2 de 2025, à medida que novas tarifas foram implementadas. Em seguida, houve uma recuperação mais expressiva entre o Q3 de 2025 e o Q1 de 2026, impulsionada pela redução das turbulências relacionadas às tarifas e pela aprovação da legislação tributária “One Big Beautiful Bill”, considerada favorável aos negócios.

Agora, o pessimismo voltou a crescer, acompanhado pelo aumento das taxas de inflação, gerando preocupação entre os líderes financeiros:

CFOs se preparam para o aumento da inflação

Pergunta: Nos próximos 12 meses, o que você espera que aconteça com a inflação? 

Fonte: Pesquisa CFO Q2 2026 da Grant Thornton (n=232). 

Apesar dessas pressões, os CFOs mantêm uma postura orientada ao crescimento. 68% dos líderes financeiros esperam crescimento dos lucros nos próximos 12 meses, uma leve redução em relação aos 72% registrados no trimestre anterior.

Essa resiliência é possível porque muitos CFOs têm adotado medidas proativas para enfrentar a volatilidade econômica. Nos últimos 12 meses, 67% reestruturaram iniciativas de eficiência e gestão de custos em resposta à persistência da inflação. 

Agora, os recursos de IA estão deslocando o foco do simples controle de custos para uma gestão mais inteligente dos gastos. A tecnologia contribui para a otimização de custos ao automatizar atividades de alto volume, identificar ineficiências e aumentar a velocidade e a precisão na tomada de decisões. Os líderes financeiros também estão buscando eficiência por meio da terceirização. 30% dos respondentes afirmaram utilizar terceirização na América Latina (nearshoring), um aumento de 11 pontos percentuais em relação ao trimestre anterior. 

No entanto, a maioria das organizações ainda aplica a IA de forma desigual entre suas áreas. Os ganhos nas funções de back-office são evidentes, mas a transformação das áreas voltadas ao cliente ainda apresenta incertezas. Os líderes financeiros enxergam potencial para novas fontes de receita, mas ainda não identificaram caminhos claros para capturar esse valor. 

As dificuldades em transformar esse potencial em resultados concretos aumentam a pressão competitiva, à medida que as organizações buscam casos de uso escaláveis capazes de impulsionar o crescimento. 

Os investimentos em IA avançam mais rápido que a governança 

Os 67% dos líderes financeiros que estão ampliando os investimentos em tecnologia da informação estão financiando iniciativas destinadas a gerar vantagem competitiva, mesmo que esses investimentos aumentem uma estrutura de custos já elevada. 

“Embora as empresas estejam começando a perceber o potencial da IA, também estão começando a entender os custos necessários para viabilizá-la”, diz Dana Lance.

Expectativa de aumento dos investimentos em TI e transformação digital nos próximos 12 meses

Fonte: Pesquisa CFO Q2 2026 da Grant Thornton (n=232). 

Esses investimentos nem sempre estão gerando os resultados esperados porque muitas organizações possuem mecanismos de governança voltados para risco e conformidade, mas não contam com uma governança estruturada para a geração de valor. Sem um processo baseado em métricas para avaliar iniciativas de IA, as organizações correm o risco de continuar investindo em casos de uso com desempenho abaixo do esperado. 

“Quando o desempenho não atende aos critérios definidos em cada etapa de avaliação, os líderes precisam tomar decisões com base em métricas, e não em emoções”, comenta Mike Desmond. Os CFOs que adotam uma abordagem disciplinada de priorização conseguem diferenciar investimento de geração efetiva de valor. 

Uma das áreas que já apresenta retornos expressivos com IA é Planejamento e Análise Financeira (FP&A). As ferramentas de IA estão aprimorando as previsões ao incorporar variáveis externas aos modelos de cenários. Tendências relacionadas a preços de commodities, inflação, Produto Interno Bruto (PIB) e diversos outros fatores estão sendo integradas aos processos de planejamento empresarial. 

“Essas ferramentas permitem que as empresas realizem previsões com mais rapidez e precisão”, afirma Mike Hennessey. Ao mesmo tempo, a demanda impulsionada pela IA está transformando setores e influenciando a alocação de capital. Empresas dos segmentos de construção, manufatura e energia estão registrando crescimento associado à expansão dos data centers. Já as empresas de serviços profissionais vêm apoiando seus clientes na adoção da IA em diferentes setores. A pesquisa Impacto da IA Grant Thornton mostra que 97% das organizações já estão testando, ampliando ou integrando totalmente a IA em suas operações. 

Essa transformação também está influenciando a forma como o capital é direcionado, inclusive nas estratégias de fusões e aquisições (M&A). “O acesso a capital impulsionado por projetos de IA está promovendo a consolidação de empresas emergentes e de organizações do middle market, onde esses investimentos podem ser monetizados”, diz Desmond.

Atividade de M&A cresce, mas de forma seletiva

Quase metade (42%) dos líderes financeiros espera que a atividade de fusões e aquisições (M&A) de suas organizações aumente nos próximos 12 meses, enquanto apenas 6% acreditam que essa atividade diminuirá.

No entanto, apenas 11% preveem um aumento significativo na atividade de M&A. Após alguns anos de baixo volume de transações, o mercado está favorecendo negócios mais direcionados, com objetivos claros de criação de valor, em vez de movimentos amplos de expansão.

Fonte: Pesquisa CFO Q2 2026 da Grant Thornton (n=232)

 “Há uma grande quantidade de recursos disponíveis para transações, e muitas empresas de private equity ativas no mercado, mas os compradores estão sendo seletivos. Ativos sustentados por geração de valor potencializada pela IA estão encontrando forte demanda em mercados com perspectivas favoráveis.”, afirma Paul Edwards, líder global da prática de Stax da Grant Thornton.

Os participantes do mercado de M&A estão respondendo a esse cenário com cautela. Em vez de focar em grandes expansões de múltiplos, os investidores de private equity estão fundamentando suas teses de investimento na geração de valor por meio do crescimento orgânico. Os compradores também estão evitando empresas que possam ser impactadas negativamente pela disrupção promovida pela IA. 

As transações no setor de tecnologia perderam ritmo, enquanto os compradores buscam empresas cujo valor esteja associado ao trabalho de profissionais cujas contribuições possam ser potencializadas pela IA. Como resultado, as operações envolvendo empresas de serviços profissionais vêm aumentando de forma significativa. Segundo Edwards, um grande investidor que historicamente concentrava seus investimentos em software corporativo recentemente o procurou para assessorar uma transação no setor de serviços. 

Quando as transações são concluídas, os novos proprietários estão direcionando esforços para utilizar a IA como alavanca de geração de valor. 60% dos líderes financeiros classificaram tecnologia e transformação impulsionada por IA entre suas duas principais prioridades de criação de valor. O crescimento de receita por meio de estratégias de precificação e excelência comercial apareceu em segundo lugar, com 41%, seguido pela otimização de custos, com 39%. 

Segundo Edwards, à medida que os CFOs avaliam estratégias de criação de valor, eles estão adotando uma abordagem mais focada para iniciativas de IA. “Uma empresa que está conduzindo 25 projetos-piloto de IA não tem uma estratégia”, complementa. A execução disciplinada está substituindo a experimentação em larga escala como o principal caminho para a geração de valor, tanto em operações de M&A quanto na adoção da inteligência artificial.

O que isso significa para os CFOs atualmente 

Os CFOs que obtêm melhores resultados sabem como superar adversidades. As estratégias a seguir podem ajudá-los a fortalecer a resiliência organizacional e navegar em um ambiente econômico desafiador: 

  • Fortalecer a disciplina de precificação, tratando-a como parte de uma estratégia mais ampla.
    Como os aumentos de preços raramente compensam a inflação de forma integral, é fundamental combinar precificação seletiva, controle de custos e ganhos de eficiência impulsionados por tecnologia. 

  • Mitigar riscos de execução por meio da preparação organizacional.
    A tecnologia acelera a inovação, mas controles, governança e processos muitas vezes não acompanham esse ritmo. Investir em controles internos, gestão de riscos e capacidades de reporte é essencial para sustentar as iniciativas digitais. 

  • Garantir que as ações de contenção de custos sejam sustentáveis.
    Com o aumento das iniciativas de redução de despesas, os CFOs precisam distinguir economias de curto prazo de ganhos estruturais de eficiência, evitando medidas que comprometam a resiliência operacional ou aumentem a volatilidade futura das margens. 

  • Tratar cibersegurança e privacidade de dados como habilitadores do negócio.
    À medida que a IA e as plataformas digitais se expandem, aumenta também a exposição a ameaças cibernéticas e exigências regulatórias. Integrar segurança e privacidade ao desenvolvimento de produtos, à estratégia de dados e à gestão de fornecedores ajuda a reduzir riscos e impulsionar a inovação. 

  • Incorporar a gestão da mudança em todos os investimentos em tecnologia.
    O sucesso não depende apenas da implementação. É necessário definir responsáveis, metas de adoção e planos de comunicação, além de alinhar incentivos e treinamentos para garantir o uso efetivo das novas ferramentas. 

  • Expandir estratégias de proteção além dos instrumentos financeiros tradicionais.
    Combinar mecanismos de proteção contra oscilações de commodities com abordagens operacionais e estruturais, como diversificação geográfica, flexibilidade da cadeia de suprimentos e compensações naturais dentro do negócio, pode reduzir a exposição à volatilidade. 

  • Escalar a força de trabalho com flexibilidade.
    Em cenários de incerteza, modelos de terceirização, trabalho temporário e estruturas híbridas ajudam a ajustar a capacidade operacional conforme a demanda, preservando a agilidade e reduzindo a necessidade de cortes mais drásticos no futuro. 

  • Utilizar o M&A de forma estratégica para impulsionar rentabilidade e eficiência.
    Muitas organizações estão priorizando aquisições menores e mais direcionadas, focadas em ganhos de eficiência, melhoria de margens e fortalecimento de capacidades operacionais, em vez de grandes transações transformacionais. 

  • Ampliar o acesso a talentos e capacidades especializadas.
    À medida que as organizações buscam avançar simultaneamente em IA, otimização de custos e crescimento, torna-se cada vez mais importante contar com profissionais especializados. Modelos de serviços compartilhados e terceirização vêm ganhando espaço como alternativas para equilibrar custos, acesso a talentos, agilidade e redução de riscos de execução. 

Para saber mais sobre como líderes empresariais estão utilizando inovação tecnológica para enfrentar os desafios atuais dos negócios, explore os conteúdos e recursos sobre Inteligência Artificial da Grant Thornton.

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