Seus dados de sustentabilidade não estão prontos para avaliações rigorosas

Insight

O Financial Reporting Council (FRC), órgão regulador de relatórios financeiros do Reino Unido, já está apontando falhas nas divulgações relacionadas ao clima. Os auditores estão fazendo perguntas que as equipes de sustentabilidade não conseguem responder sozinhas. E muitas áreas financeiras ainda não têm controle direto sobre os dados pelos quais estão sendo responsabilizadas. A equipe de ESG e Asseguração de Sustentabilidade da Grant Thornton explica o que mudou, o que está por vir e como as organizações podem se preparar.
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Os relatórios de sustentabilidade deixaram de ser uma prática complementar para se tornarem parte central das divulgações corporativas. O que antes era um exercício predominantemente voluntário e narrativo, conduzido pelas equipes de sustentabilidade, está se transformando em uma disciplina orientada por dados, integrada aos ciclos de relatórios anuais e sujeita a um nível de análise cada vez mais próximo ao aplicado às demonstrações financeiras. 

Para muitos CFOs e diretores financeiros, essa mudança está elevando significativamente as expectativas e responsabilidades. Esses profissionais são cada vez mais cobrados para garantir que os dados de sustentabilidade, muitas vezes ainda fora de seu controle direto, sejam consistentes, confiáveis e adequados para apoiar a tomada de decisões. No entanto, os sistemas, processos e estruturas de governança que sustentam os relatórios financeiros ainda não foram plenamente replicados para os dados de sustentabilidade, tornando essa lacuna cada vez mais evidente. 

As revisões temáticas do FRC já identificam falhas nas divulgações relacionadas ao clima, incluindo inconsistências entre as narrativas corporativas e as informações apresentadas nas demonstrações financeiras. Os auditores das demonstrações financeiras seguem o mesmo caminho, ampliando o nível de questionamento e validação. Ao mesmo tempo, o volume de informações que precisa ser divulgado e sustentado por evidências continua crescendo. 

Esses movimentos estão revelando fragilidades em processos de gestão de dados que originalmente não foram desenvolvidos para suportar esse nível de exigência, rastreabilidade e verificação. Seus dados de sustentabilidade serão analisados por auditores, reguladores e investidores. A questão é: sua organização está preparada?

As expectativas mudaram. Seus processos ainda não. 

A estrutura regulatória do Reino Unido para relatórios de sustentabilidade evoluiu significativamente, e novas exigências continuam surgindo. Desde as recomendações da Task Force on Climate-related Financial Disclosures (TCFD) e os requisitos do Streamlined Energy and Carbon Reporting (SECR) até os futuros UK Sustainability Reporting Standards (UK SRS), o escopo das informações que as organizações devem divulgar e sustentar com evidências continua se expandindo. 

Para organizações com operações internacionais, a Corporate Sustainability Reporting Directive (CSRD) da União Europeia adiciona uma camada adicional de complexidade. Muitas empresas do Reino Unido com atividades relevantes na União Europeia passarão a se enquadrar nessas exigências nos próximos anos. 

O FRC tem sido claro em suas expectativas. Suas revisões temáticas vêm identificando de forma recorrente falhas nas divulgações relacionadas ao clima, incluindo inconsistências entre os relatórios narrativos e as demonstrações financeiras. Esse nível crescente de supervisão regulatória e de auditoria está ampliando a visibilidade de fragilidades já existentes nos processos de gestão de dados de sustentabilidade. 

À medida que os requisitos aumentam, também cresce a necessidade de controles, rastreabilidade e evidências capazes de sustentar as informações divulgadas. O que antes era visto como uma atividade de reporte passa a exigir o mesmo rigor aplicado aos dados financeiros. 

Equipes financeiras são responsabilizadas por dados de toda a empresa 

Riscos relacionados ao clima, emissões de carbono e outros temas e indicadores de sustentabilidade estão influenciando cada vez mais as demonstrações financeiras, incluindo avaliações de ativos, provisões e divulgações obrigatórias. A sustentabilidade deixou de ser um tema periférico para se tornar uma questão diretamente ligada ao desempenho financeiro e aos relatórios corporativos. 

Os auditores das demonstrações financeiras estão analisando temas, riscos e informações de sustentabilidade com maior rigor, avaliando seus impactos sobre as demonstrações financeiras e verificando se existe alinhamento adequado entre as divulgações de sustentabilidade apresentadas nos relatórios corporativos e as informações contidas nas demonstrações financeiras. Inconsistências entre essas duas fontes têm sido cada vez mais alvo de questionamentos por parte de auditores e reguladores. 

Essa transformação também está alterando o papel das áreas financeiras. As equipes de Finanças estão assumindo uma participação mais ativa na supervisão dos relatórios de sustentabilidade, trabalhando em conjunto com as equipes de ESG para garantir que os dados sejam completos, consistentes e estejam sujeitos a controles adequados. 

Para CFOs e diretores financeiros, trata-se de um novo tipo de exposição. Esses profissionais estão sendo responsabilizados por dados que suas equipes não coletaram e que, muitas vezes, são produzidos por sistemas que não foram desenvolvidos sob sua gestão. 

Já não basta divulgar indicadores de sustentabilidade. As organizações precisam ser capazes de demonstrar como os dados são coletados, calculados e controlados, além de comprovar porque essas informações serem confiáveis. Isso exige estruturas robustas de governança de dados e, cada vez mais, processos independentes de asseguração. 

Dados de sustentabilidade não suportam o rigor das informações financeiras 

Diferentemente dos dados financeiros, que contam com estruturas consolidadas, processos maduros e anos de aperfeiçoamento, os dados de sustentabilidade ainda estão em processo de evolução em muitas organizações.  

Na prática, é comum encontrar desafios como definições inconsistentes, fontes de dados fragmentadas, processos manuais e documentação limitada das metodologias utilizadas. Essas lacunas aumentam o risco de erros, inconsistências e informações que não podem ser comparadas de forma confiável ao longo do tempo. 

  • Falhas de governança nessa área podem gerar consequências significativas, incluindo:
  • Questionamentos regulatórios ou ações de fiscalização.
  • Riscos reputacionais decorrentes de divulgações incorretas ou potencialmente enganosas.
  • Complicações em auditorias e maior nível de análise por parte dos auditores das demonstrações financeiras.
  • Preocupações de investidores, especialmente aqueles que utilizam critérios de sustentabilidade em suas decisões. 

Mitigar esses riscos exige uma definição clara de responsabilidades sobre os dados de sustentabilidade, apoiada por papéis e atribuições bem estabelecidos entre as áreas de Finanças, Sustentabilidade e Operações. Um dos desafios mais frequentes observados nas organizações é o desalinhamento entre as equipes de sustentabilidade e finanças.  

Os dados de sustentabilidade geralmente são produzidos fora da área financeira, utilizando sistemas, processos e controles diferentes. Superar essa barreira requer integrar as informações de sustentabilidade aos ciclos de reporte financeiro, aplicar controles e mecanismos de governança equivalentes aos utilizados em relatórios financeiros e garantir consistência entre todas as divulgações realizadas. 

Os controles internos relacionados aos dados de sustentabilidade devem, cada vez mais, refletir as práticas adotadas para informações financeiras, incluindo processos documentados, trilhas de auditoria e revisões periódicas. Incorporar esses mecanismos fortalece a consistência das informações, reduz riscos e aumenta a integridade dos dados utilizados pelas organizações. 

A asseguração revela falhas antes que elas gerem riscos 

A asseguração de sustentabilidade desempenha um papel cada vez mais importante no fortalecimento da confiança sobre as informações divulgadas pelas organizações. Conduzida de acordo com normas reconhecidas internacionalmente, como ISAE 3000, ISAE 3410 e a recém-publicada ISSA 5000, ela oferece maior segurança aos stakeholders de que os dados reportados são relevantes, completos e confiáveis. 

No entanto, o principal valor da asseguração não está no relatório emitido ao final do processo. O que realmente importa é a capacidade da asseguração de identificar lacunas e oportunidades de melhoria em governança, processos e controles antes que esses pontos se transformem em problemas relevantes para a organização. 

Para empresas sujeitas ou que estejam se preparando para atender a requisitos obrigatórios de divulgação, a asseguração fornece uma base sólida e confiável para sustentar informações públicas, metas e compromissos de sustentabilidade. 

Além disso, o envolvimento de um provedor independente de asseguração ajuda as organizações a incorporar boas práticas, reduzir a exposição a questionamentos de reguladores, investidores e auditores e evitar custos mais elevados de correção ou riscos reputacionais no futuro. 

À medida que as exigências regulatórias, os processos de auditoria e o nível geral de avaliação sobre informações ESG continuam aumentando, a asseguração vem se consolidando como um importante mecanismo para fortalecer a qualidade dos dados e a credibilidade das divulgações corporativas.

Cinco ações para implementar agora 

As organizações mais preparadas para atender às crescentes exigências relacionadas aos relatórios de sustentabilidade são aquelas que já estão investindo na infraestrutura necessária para garantir qualidade, confiabilidade e governança dos dados. 

  1. Entenda suas obrigações de reporte. Mapeie quais normas, estruturas e requisitos regulatórios já se aplicam à sua organização e quais passarão a se aplicar nos próximos anos. Não espere a chegada dos prazos regulatórios para iniciar sua preparação.
  2. Conheça seus dados. Identifique a origem dos dados de sustentabilidade, quem é responsável por eles e como são controlados e revisados. Procure inconsistências, lacunas e processos manuais que possam comprometer a qualidade das informações.
  3. Fortaleça a governança dos dados de sustentabilidade. Defina responsabilidades claras, documente metodologias e implemente controles internos compatíveis com o nível de rigor aplicado aos relatórios financeiros.
  4. Busque asseguração de sustentabilidade. Seja para atender exigências obrigatórias futuras ou fortalecer divulgações voluntárias, o envolvimento antecipado de um provedor independente de asseguração ajuda a identificar e corrigir problemas antes que eles gerem riscos ou questionamentos.
  5. Alinhe as áreas de Sustentabilidade e Finanças. Quanto mais próximas estiverem as equipes responsáveis por sustentabilidade, finanças, dados e governança, mais robustas, consistentes e confiáveis serão as divulgações da organização.

Mude agora ou tenha de reagir sob pressão depois 

As consequências da baixa qualidade dos dados de sustentabilidade deixaram de ser um risco distante. Questionamentos regulatórios, desafios em auditorias e danos reputacionais são riscos reais e cada vez mais frequentes. Os CFOs mais preparados para lidar com esse cenário já tratam a governança de dados de sustentabilidade como uma prioridade da área financeira. 

As organizações que atuarem agora não apenas estarão mais bem posicionadas para atender às exigências de reporte. Elas também serão capazes de proteger sua reputação, tomar decisões mais embasadas e fortalecer a confiança de investidores, reguladores e demais stakeholders. 

A Grant Thornton apoia organizações em todas as etapas de sua jornada de reporte de sustentabilidade, desde empresas que estão realizando suas primeiras divulgações e processos de asseguração até aquelas que já reportam há mais de uma década. Conhecemos os desafios mais comuns porque os observamos repetidamente em diferentes organizações e setores. 

Nosso trabalho vai além da emissão de um relatório de asseguração. Durante todo o processo, fornecemos recomendações práticas e orientações acionáveis para apoiar a melhoria contínua dos processos, controles e divulgações da organização. 

Se você deseja entender o nível de maturidade da governança dos seus dados de sustentabilidade ou busca um provedor de asseguração que combine rigor técnico e experiência prática sobre o que caracteriza uma divulgação de alta qualidade, teremos prazer em conversar.