Energia: Onde a IA está escalando, mas os controles não

INSIGHTS DA INDÚSTRIA DE ENERGIA: AI IMPACT SURVEY 2026

Índice

Empresas de energia precisam fortalecer os controles de IA 

As organizações da indústria de energia não estão ficando para trás na adoção da inteligência artificial. 61% afirmam já ter alcançado ganhos mensuráveis de eficiência com a IA, enquanto 50% relatam melhorias na qualidade dos insights para tomada de decisão. 

A pesquisa AI Impact 2026 da Grant Thornton, realizada com 950 líderes empresariais, identificou que as empresas de energia estão implementando IA em um ritmo mais rápido do que desenvolvem evidências de valor e mecanismos operacionais de controle capazes de atender às exigências de conselhos de administração, auditores e órgãos reguladores. Essa é a chamada lacuna de comprovação da IA (AI proof gap) no indústria de energia, e ela é mais acentuada do que em praticamente qualquer outro da indústria analisado pela pesquisa. 

As consequências são concretas. Barreiras relacionadas à governança e à conformidade regulatória são o principal fator de baixo desempenho dos projetos de IA no indústria de energia, sendo apontadas por 57% dos entrevistados, índice 11 pontos percentuais acima da média de todos as indústrias pesquisados. 

Os conselhos de administração das empresas de energia estão mais envolvidos na supervisão da IA do que em grande parte dos demais indústria. Ainda assim, menos de uma em cada cinco organizações consegue demonstrar que seus controles de IA são centralizados e estão preparados para fornecer evidências consistentes de conformidade e desempenho. 

A resiliência figura entre os principais motivadores dos investimentos em IA na indústria de energia. Nesse contexto, controles eficazes não apenas fortalecem a resiliência da organização como um todo, mas também aumentam a confiabilidade, a sustentabilidade e o sucesso dos próprios projetos de IA. 

Projetos de IA na indústria de energia falham por governança

57%
afirmam que
barreiras relacionadas à governança ou à conformidade regulatória são uma das causas do baixo desempenho das iniciativas de IA, índice 11 pontos percentuais acima da média de todos as indústrias.
74%
afirmam que
existem controles para IA, mas as evidências estão fragmentadas entre equipes, sistemas e fornecedores.

As barreiras de governança superam todos os outros fatores como causa de baixo desempenho dos projetos de IA, especialmente na indústria  de energia. A governança tornou-se o principal gargalo para a escalabilidade dos programas de IA, e as organizações que ainda não resolveram essa questão estão acumulando riscos a cada nova implementação realizada sem uma estrutura adequada de controle. 

Os líderes da indústria já começaram a estabelecer mecanismos de governança, mas os resultados mostram que ainda há um longo caminho a percorrer. 74% dos entrevistados afirmam que as evidências relacionadas aos controles de IA permanecem dispersas entre diferentes áreas da organização. Além disso, 9% declaram ter pouca ou nenhuma confiança na eficácia de seus controles. 

Ao mesmo tempo, apenas 17% das organizações da indústria de energia afirmam estar preparadas para passar por uma auditoria de seus controles e processos de governança de IA. 

Esses números indicam que, embora a adoção da IA esteja avançando rapidamente, a capacidade de comprovar que a tecnologia está sendo utilizada de forma controlada, segura e em conformidade com requisitos regulatórios ainda não acompanha o mesmo ritmo. Sem uma estrutura centralizada de governança, os riscos operacionais, regulatórios e reputacionais tendem a aumentar à medida que novas soluções de IA são implementadas em escala.

A governança é a maior lacuna

Pergunta: Quais são os três principais fatores que contribuíram para o baixo desempenho ou fracasso de projetos de IA em sua organização? 

Fonte: Pesquisa Impacto da IA da Grant Thornton (n=950, todas as indústrias; n=100, Energia).  

“O que observo com mais frequência é que as políticas existem, mas não são aplicadas de forma consistente nem foram devidamente testadas. As empresas de energia que estão avançando com mais sucesso em IA não são necessariamente aquelas que adotam ferramentas mais rapidamente. São aquelas que implementaram controles cedo o suficiente para que a governança nunca se tornasse um obstáculo às implantações. Neste indústria, a capacidade de demonstrar controle é o que transforma investimentos em IA em confiança organizacional”, comenta Tyler Jones, Líder do setor de Energia da Grant Thornton Advisors LLC. 

Conselhos avançam. As evidências não acompanham. 

64%
dos conselhos
de administração da indústria de energia já integraram os riscos relacionados à IA aos seus processos contínuos de supervisão, índice nove pontos percentuais acima da média de todos os setores.
17%
dos líderes
da indústria de energia afirmam que suas organizações estão preparadas para uma auditoria independente de governança de IA hoje, percentual cinco pontos abaixo da média geral.

Quando se trata de governança de IA, os conselhos de administração das empresas da indústria de energia estão entre os mais engajados de todos os segmentos analisados pela pesquisa. Essa atenção no nível do conselho é importante. O problema é que esse envolvimento ainda não se traduziu nas evidências operacionais exigidas para sustentar essas responsabilidades de supervisão. 

Em muitos casos, as empresas ainda não contam com um modelo operacional capaz de conectar políticas, execução e evidências de forma consistente. É justamente nesse ponto que a lacuna de comprovação da IA (AI proof gap) se torna mais evidente na indústria de energia: conselhos de administração levantam questões sobre responsabilidade, controles e conformidade, mas as operações ainda não conseguem respondê-las com evidências documentadas, testadas e verificáveis. 

Conselhos querem participar 

Pergunta: Como o seu conselho de administração tem participado da supervisão do desenvolvimento da estratégia de IA? 

Fonte: Pesquisa Impacto da IA da Grant Thornton (n=950, todos as indústrias; n=100, Energia). 

“Os conselhos de administração da indústria de energia estão fazendo as perguntas certas sobre governança de IA. O desafio é que a maioria das organizações ainda está construindo as evidências operacionais necessárias para responder a essas perguntas”, revela Jones. 

Sem controles centralizados e passíveis de teste, as políticas de governança e as implementações de IA avançam em paralelo, sem uma cadeia de responsabilidade claramente definida e verificável que conecte uma à outra. 

Líderes não estão confiantes em relação a auditoria de IA 

Pergunta: Quão confiante você está de que sua organização conseguiria passar por uma auditoria independente de governança e controles de IA (com evidências documentadas) nos próximos 90 dias, incluindo riscos de IA relacionados a terceiros e fornecedores? 

Fonte: Pesquisa Impacto da IA da Grant Thornton (n=950, todas as indústrias; n=100, Energia). 

Conformidade é a principal preocupação 

30%
apontam
mudanças regulatórias como a principal pressão externa que impulsiona a adoção da IA, quase 10 pontos percentuais acima da média de todos os setores.
54%
citam
a incerteza regulatória e de conformidade como a principal preocupação em relação à implementação de agentes de IA (agentic AI).

Embora 30% dos líderes da indústria de energia apontem as mudanças regulatórias como o principal fator que impulsiona suas organizações a adotar IA, 54% afirmam que a incerteza regulatória ou de conformidade é a maior barreira para ampliar o uso da tecnologia. 

O ambiente regulatório da indústria cria uma tensão constante em torno do avanço das iniciativas de IA. O fator decisivo entre essas duas realidades é a existência de uma estrutura de governança capaz de permitir que a organização avance com confiança mesmo sob intenso escrutínio regulatório. 

Concorrência e regulamentação impulsionam a adoção 

Pergunta: Qual é a principal pressão externa que impulsiona a adoção da IA? 

Fonte: Pesquisa Impacto da IA da Grant Thornton (n=950, todas as indústrias; n=100, Energia). 

À medida que os resultados da IA passam de ganhos de eficiência em atividades administrativas para aplicações relacionadas a relatórios de emissões, gestão da rede elétrica, monitoramento de segurança e alocação de capital, o nível de controle exigido também aumenta. 

Organizações que contam com uma governança centralizada e passível de validação tratam cada nova exigência regulatória como um sinal de vantagem competitiva. Já aquelas que não possuem essa estrutura acabam ampliando sua exposição a riscos. 

Em comparação, as expectativas dos clientes apareceram como a menor pressão externa para a adoção de IA na indústria de energia, citada por 12% dos entrevistados, contra 25% na média de todos os setores. 

Na indústria de energia, o principal ponto de partida para os investimentos em IA está relacionado à resiliência operacional e à resposta às exigências regulatórias. As organizações que enxergam a governança como um facilitador dessa resposta são as que estão acelerando sua adoção da tecnologia com mais sucesso. 

Incerteza regulatória é a principal preocupação com Agentic IA. 

Pergunta: Quais são suas principais preocupações com a implementação de Agentic IA (IA agêntica).  

Fonte: Pesquisa Impacto da IA da Grant Thornton (n=950, todas as indústrias; n=100, Energia). 

Três ações para transformar a escala da IA em sucesso 

A pesquisa AI Impact 2026 da Grant Thornton, mostra que os conselhos de administração estão exigindo evidências. Os reguladores estão avançando. E a Agentic IA (IA agêntica) está ampliando a exposição de cada implementação sem governança adequada. As três ações a seguir diferenciam as organizações capazes de responder às próximas exigências de responsabilização daquelas que não conseguem. 

  1. Estabeleça governança para escalar a IA com sucesso.
    57% dos líderes da indústria de energia apontam barreiras de governança ou conformidade como a principal causa do baixo desempenho da IA. Desenvolva estruturas de governança e controles que orientem adequadamente e até acelerem a implementação bem-sucedida da tecnologia.

  2. Centralize as evidências de controle antes do próximo ciclo de auditoria.
    74% das organizações da indústria de energia possuem controles fragmentados. A fragmentação pode ser administrável na fase de projetos-piloto. Em escala corporativa, porém, ela passa a explicar por que a confiança da liderança diminui e por que a exposição regulatória aumenta a cada nova implementação.

  3. Defina responsabilidades de decisão antes da atuação autônoma da IA.
    54% dos líderes da indústria de energia apontam a incerteza regulatória como sua principal preocupação em relação à Agentic IA (IA agêntica). As equipes precisam definir quais decisões a IA pode tomar de forma independente, que exigem aprovação humana, quais situações demandam escalonamento e, em última instância, quem será responsável pelos resultados. 

Essas são as capacidades que a Grant Thornton ajuda as organizações a desenvolver. Esta pesquisa foi elaborada para identificar as barreiras à geração de valor de negócio com IA, e a empresa apoia organizações na superação desses desafios por meio do desenho de estruturas de governança em processos de front office, middle office e back office, da preparação para conformidade em IA, do alinhamento das equipes de liderança, da criação de frameworks de mensuração e da preparação para as exigências de governança associadas à Agentic IA (IA agêntica). 

Os insights apresentados neste relatório refletem aquilo que a Grant Thornton observa e desenvolve diariamente junto às organizações. No atual mercado de energia, a lacuna entre capacidades de IA e valor comprovado é real. Ela é mensurável. E não será reduzida sem que os líderes adotem medidas para estabelecer uma governança comprovável, uma base de dados sólida e confiável e a confiança necessária para inovar. 

Thumb da pesquisa
Pesquisa IA Impact

Acesse o relatório completo

Explore os resultados da pesquisa AI Impact 2026 e descubra os fatores que estão impulsionando ou limitando a IA em diferentes indústrias.  

 

Metodologia 

Entre 23 de fevereiro e 18 de março de 2026, a Grant Thornton entrevistou 950 líderes empresariais, incluindo CFOs, CIOs/CITOs, COOs, vice-presidentes, líderes de departamento e diretores com reporte direto à alta administração. 

O grupo específico da indústria de energia foi composto por 100 respondentes. As conclusões relacionadas a esse segmento devem ser interpretadas como indicativas da direção das tendências observadas. 

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