IA e terceirização impulsionam a criação de valor em M&A
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24 jul. 20267 min leitura
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Terceirização, modernização e capacidade de execução impulsionam o ROI
A terceirização está se tornando um importante impulsionador da criação de valor em operações de fusões e aquisições (M&A), à medida que as organizações passam a olhar além da conclusão da transação e concentram seus esforços na execução pós-fechamento - etapa decisiva para capturar os benefícios esperados do negócio.
Embora a adoção de inteligência artificial (IA), a transformação tecnológica e o crescimento continuem entre as principais prioridades, muitas empresas ainda enfrentam desafios relacionados à integração, à escassez de talentos especializados e à capacidade de execução.
Nesse contexto, a terceirização surge como uma alavanca estratégica ao fornecer expertise especializada, acelerar processos de integração e apoiar iniciativas de modernização, permitindo que as organizações capturem sinergias mais rapidamente, antecipem o retorno sobre os investimentos e promovam a criação sustentável de valor.
Apesar de 42% dos mais de 230 respondentes da CFO Survey Q2 2026 da Grant Thornton esperem um aumento da atividade de M&A nos próximos 12 meses, os compradores estão sendo cada vez mais seletivos em relação aos investimentos que realizam. A criação de valor em M&A, e não a expansão indiscriminada, tornou-se o principal objetivo das transações.
Entre os compradores, a transformação impulsionada por tecnologia e IA (60%) é apontada como a principal prioridade para criação de valor em operações de M&A, seguida por crescimento de receita (41%) e otimização de custos (39%).
Prioridades para criação de valor
Pergunta: Quais áreas sua organização está priorizando para criação de valor nos próximos 12 a 24 meses?
Fonte: CFO Survey Q2 2026 Grant Thornton (n=232).
No entanto, muitas organizações ainda enfrentam dificuldades na execução.
Desafios de integração são a principal barreira para o alcance dos objetivos pós-transação, citados por 53% dos líderes financeiros. Além disso, sinergias superestimadas (29%) e lacunas de talentos ou liderança (29%) também aparecem entre os principais fatores que limitam a geração de valor após operações de M&A.
Prioridades para criação de valor após aquisições
Pergunta: Em quais áreas a criação de valor mais frequentemente fica abaixo do esperado após uma aquisição?
Fonte: CFO Survey Q2 2026 da Grant Thornton (n=207, excluindo respondentes que não participam de atividades de M&A).
A criação de valor em M&A enfrenta desafios crescentes
Em meio às incertezas tarifárias e à alta dos preços do petróleo provocada pelo conflito no Irã, o pessimismo em relação à economia dos Estados Unidos aumentou de 25% no trimestre anterior para 40% no segundo trimestre de 2026.
Como consequência, a otimização de custos ganhou ainda mais relevância: 87% das organizações estão conduzindo iniciativas de redução de despesas, um aumento expressivo em relação aos 72% registrados no primeiro trimestre.
Apesar desse movimento, a confiança na capacidade de atingir os principais objetivos de negócio permanece limitada. Apenas 42% dos CFOs demonstram confiança em sua capacidade de alcançar metas de controle de custos, enquanto 45% acreditam que conseguirão atingir seus objetivos de crescimento.
Esse cenário reforça um desafio central para as operações de M&A: identificar oportunidades de aquisição é apenas o primeiro passo. O verdadeiro diferencial competitivo está na capacidade de executar a integração, capturar sinergias e transformar a estratégia definida durante a negociação em resultados concretos após o fechamento da transação.
Confiança no controle de custos permanece limitada
Pergunta: Qual a proporção de respondentes que se mostram confiantes na capacidade de suas organizações de atingir metas nas seguintes áreas?
Fonte: CFO Survey Q2 2026 da Grant Thornton (n=232).
As restrições relacionadas a talentos tornam ainda mais desafiadora a criação de valor em operações de M&A. A pesquisa revela que 57% dos CFOs esperam continuar enfrentando dificuldades para atrair e reter profissionais qualificados, percentual superior aos 54% registrados no primeiro trimestre. Além disso, menos da metade dos líderes financeiros (48%) demonstra confiança na capacidade de suas organizações de atender às necessidades da força de trabalho.
Ao mesmo tempo, as organizações continuam priorizando investimentos em cibersegurança e transformação digital. 60% dos respondentes esperam aumentar os gastos com cibersegurança, enquanto 67% projetam maiores investimentos em tecnologia da informação e iniciativas de transformação digital.
Em conjunto, esses indicadores apontam para uma crescente distância entre os objetivos estratégicos definidos pelas organizações e sua capacidade de executá-los com eficiência. Capturar valor em M&A exige não apenas investimentos em tecnologia e crescimento, mas também acesso a talentos, capacidade operacional e disciplina de execução para transformar planos em resultados concretos.
Por que a terceirização impulsiona a criação de valor M&A?
Cada vez mais, compradores estão recorrendo à terceirização para ajudar a reduzir a distância entre os objetivos estratégicos e a capacidade de execução.
Além das tradicionais reduções de custo, a terceirização pode acelerar cronogramas de integração, proporcionar acesso a talentos especializados, padronizar processos entre empresas adquiridas e ajudar as organizações a encerrar mais rapidamente os Transition Service Agreements (TSAs) após operações de carve-out. Também pode fornecer a capacidade operacional necessária para executar iniciativas de transformação e estruturar operações independentes sem sobrecarregar as equipes internas.
Quando bem implementada, a terceirização também ajuda as organizações a acelerar a captura de sinergias ao incorporar IA e automação às operações recém-adquiridas, contando com profissionais preparados para trabalhar em ambientes orientados por IA.
Além disso, contribui para reduzir os custos e os riscos associados à transformação, utilizando ganhos operacionais para financiar iniciativas de modernização, ao mesmo tempo em que garante que os programas sejam devidamente governados, mensurados por indicadores claros e alinhados aos objetivos de negócio.
Os resultados da pesquisa com CFOs refletem essa mudança de abordagem. 65% das organizações já estão implementando ou avaliando modelos de entrega offshore ou nearshore, enquanto apenas 35% pretendem manter suas operações integralmente baseadas nos Estados Unidos.
Quase dois terços dos CFOs recorrem à terceirização
Pergunta: Como sua organização utiliza atualmente modelos de operação offshore ou nearshore como parte da estrutura da área financeira?
Fonte: CFO Survey Q2 2026 da Grant Thornton (n=232).
O nearshoring na América Latina continua ganhando espaço
São 30% dos líderes financeiros já utilizando modelos de entrega nearshore como parte de sua operação, um aumento de 11 pontos percentuais em relação ao trimestre anterior. Outros 14% estão avaliando ativamente a adoção desse modelo.
A crescente popularidade do nearshoring indica que as organizações estão priorizando não apenas a redução de custos, mas também o acesso a talentos qualificados, maior agilidade operacional, colaboração em tempo real e alinhamento cultural para apoiar atividades cada vez mais complexas. Em média, o nearshoring pode proporcionar economias de mão de obra entre 30% e 50% em comparação com operações baseadas nos Estados Unidos.
O suporte a processos mais complexos e de ponta a ponta é especialmente valioso para empresas de médio porte, que frequentemente contam com equipes mais enxutas nas áreas financeira, tecnológica e operacional do que grandes organizações. Entre os líderes financeiros de empresas com receitas entre US$ 100 milhões e US$ 1 bilhão, 43% já mantêm ou avaliam operações na América Latina.
Essas organizações utilizam modelos nearshore para acessar talentos especializados, ampliar sua capacidade de execução, acelerar iniciativas de modernização e apoiar o crescimento sem aumentar significativamente os custos fixos.
“As organizações que estão obtendo os maiores benefícios da terceirização vão além da redução de custos e fortalecem sua capacidade de execução”, afirma Keith Sayewitz, Managing Director de Business Transformation & BPO da Grant Thornton | Auxis Business Modernization and Outsourcing Services.
A captura de valor depende da capacidade de execução
À medida que as organizações buscam acelerar a criação de valor em fusões e aquisições (M&A), a efetividade de qualquer estratégia de terceirização depende da escolha de um modelo de entrega e de um parceiro alinhados aos seus objetivos de negócio.
Nem todos os fornecedores estão preparados para a velocidade e a complexidade dos ambientes de private equity e M&A. Operações de aquisição e carve-out exigem uma abordagem diferente da terceirização tradicional, demandando parceiros capazes de começar com escopo reduzido, demonstrar valor rapidamente, acelerar a execução, escalar com flexibilidade e se adaptar à medida que as prioridades evoluem.
Em última análise, à medida que a atividade de M&A aumenta, a disciplina na execução está se tornando um diferencial competitivo ainda mais importante do que a engenharia financeira por si só.
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