Cibersegurança na era do Mythos

Insights

Overview 

O modelo Claude Mythos, da Anthropic, promete um enorme poder. Ele demonstrou que a inteligência artificial pode ser utilizada para descobrir e explorar vulnerabilidades de cibersegurança muito mais rapidamente do que era possível anteriormente, reduzindo significativamente o esforço e o tempo necessários para que agentes maliciosos lancem ataques cibernéticos. 

Diante desse cenário, as empresas precisam adotar uma gestão contínua de exposição a riscos e fortalecer sua governança. Também devem aprimorar a visibilidade, a velocidade de resposta e a coordenação entre as áreas de cibersegurança, tecnologia e gestão de riscos. Em última análise, as organizações precisam se proteger das ameaças cibernéticas aceleradas pela IA utilizando a própria IA para fortalecer sua resiliência cibernética.

O que o Mythos muda? 

As ameaças impulsionadas por IA já haviam transformado a natureza da cibersegurança. Com o modelo Claude Mythos, essa transformação dá um novo salto. 

O Mythos amplia significativamente a capacidade da IA de encontrar, compreender e agir sobre informações. Seu potencial é tão grande que a Anthropic criou um consórcio de especialistas em segurança, chamado Project Glasswing, para analisar o modelo antes de expandir amplamente suas capacidades. 

Mas o que muda, na prática, para a cibersegurança? 

A mudança mais importante é a redução drástica do tempo entre a descoberta de uma vulnerabilidade e sua exploração. O Mythos demonstrou a capacidade de identificar e explorar vulnerabilidades em questão de minutos. Para proteger suas organizações, as empresas não podem apenas acelerar suas práticas atuais de segurança. Elas precisam transformar sua abordagem. 

Respostas de cibersegurança 

Muitas equipes de cibersegurança ainda operam com processos baseados em ciclos periódicos de aplicação de correções (patches), medidos em semanas ou meses. Agora que a exploração de vulnerabilidades pode ocorrer em minutos, a exposição ao risco deixa de ser episódica e passa a ser constante. Ao mesmo tempo, a escala e a profundidade dos ataques podem crescer simultaneamente, ultrapassando a capacidade das ferramentas tradicionais de proteção. 

Pressuponha que exista pouca ou nenhuma diferença de tempo entre a descoberta de uma vulnerabilidade e sua exploração. Isso exige abandonar o modelo de verificações periódicas e migrar para monitoramento e testes contínuos de exposição em sistemas, aplicações e infraestruturas.

Priorize a correção de vulnerabilidades com base em sua explorabilidade. Espere também que os fornecedores acelerem a liberação de correções de segurança. Automatize processos de validação para verificar se as correções foram aplicadas corretamente e se realmente mitigam os riscos identificados.

Softwares de terceiros e componentes de código aberto podem introduzir dependências ocultas. Por isso, amplie os processos de due diligence para incluir a forma como fornecedores utilizam IA avançada para análise de código, testes de segurança e automação. Além disso, revise contratos e acordos de nível de serviço (SLAs) para refletir ciclos mais rápidos de vulnerabilidades e cenários de risco em constante evolução.

As organizações precisam ir além das políticas e estruturas tradicionais de governança. Isso significa aumentar a agilidade por meio de processos mais eficientes de triagem de incidentes, protocolos claros de escalonamento e alinhamento das decisões entre as lideranças executivas.

O ritmo dos ataques aumentou, mas as disciplinas fundamentais de segurança continuam altamente eficazes. A resiliência organizacional continua a depender de uma estratégia de defesa em profundidade (defense in depth) e da abordagem Zero Trust, apoiadas por controles robustos de identidade, segmentação de rede, aplicação oportuna de correções (patches) e monitoramento contínuo.

A diferença é que as falhas nesses fundamentos agora são expostas mais rapidamente. Configurações que antes eram consideradas de menor prioridade, como sistemas desatualizados ou permissões temporárias de acesso, agora podem ser identificadas e exploradas quase imediatamente.

Utilize a inteligência artificial para aprimorar o processo de gestão de vulnerabilidades, acelerando a descoberta, os testes, a priorização e a remediação de vulnerabilidades. 

Pronto para conversar? Estamos prontos para ouvir. 

Para manter a resiliência dos negócios diante de ataques acelerados pela IA, as organizações precisam fazer mais do que simplesmente acelerar seus processos atuais. No entanto, não precisam começar do zero. 

“Não acredito que as organizações precisem reconstruir completamente seus programas de cibersegurança”, afirmou Derek Han, líder de Cibersegurança e Privacidade da Grant Thornton. “O fundamental é antecipar a segurança no ciclo de desenvolvimento, fortalecer a estratégia de defesa em profundidade e adotar princípios de Zero Trust. Além disso, é essencial utilizar IA como parte das operações de segurança para aumentar a velocidade de descoberta, priorização e correção de vulnerabilidades.”