A abordagem de múltiplos operacionais, como EBITDA (ou LAJIDA em português – Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização), receita ou lucro líquido é comumente aplicada em avaliações de empresas privadas, particularmente quando não existe um orçamento ou plano de negócios definido para a companhia objeto. Isto, todavia, faz com que a avaliação dependa e recaia em um único indicador financeiro para refletir os benefícios econômicos de uma empresa que tendem a ser mantidos no longo prazo, apesar das flutuações dos ciclos econômicos.
Apesar desta abordagem simplificar o processo de avaliação, o uso de indicador único no ponto no tempo traz também fragilidade para esta abordagem.
Em um cenário por exemplo de vendas, custos e lucros flutuantes, ou em crescimento, um único valor no tempo pode não representar adequadamente os lucros a longo prazo. De forma análoga, pode ser necessário expurgar benefícios fiscais com vida útil determinada, ou então circunstâncias pontuais que tenham sido observadas na companhia.
A revisão cuidadosa do racional (tanto quantitativo como qualitativo) que conduz a definição da base EBITDA é, portanto, crítica. Os usuários e leitores de laudos de avaliação devem lembrar-se que a avaliação por múltiplos não é um simples exercício de cálculo, mas sim requer uma vasta gama de considerações.
Destacamos ainda que, em cenários de avaliação de empresas familiares, podem ser necessários ajustes na contabilidade, tais como consolidação de companhias, receitas e custos não contabilizados, dentre outros.