Empresas de tecnologia precisam promover ativamente a coerência em IA
InsightsEmpresas de tecnologia precisam alinhar governança, dados e IA para impulsionar inovação, reduzir riscos e gerar valor de negócio escalável.
10 jul. 2026 6 min leitura
As comunicações digitais circulam instantaneamente, são frequentemente lidas de forma superficial e compartilhadas sem contexto adicional. Com o aumento do escrutínio regulatório, não é mais possível presumir que aquilo que as lideranças pretendem comunicar será compreendido exatamente como esperavam.
Ernest Hemingway certa vez disse que a única forma de escrever é reescrever. Trata-se de uma afirmação literária que transmite uma mensagem bastante prática: a primeira versão de uma comunicação raramente deve ser a versão enviada. Em uma economia da atenção cada vez mais disputada, cada palavra precisa ter propósito. É durante a edição que o raciocínio é testado, a intenção é refinada e os riscos são reduzidos.
Foi por isso que desenvolvemos o INTENT, um guia prático para líderes que desejam que suas palavras mobilizem pessoas, e não apenas transmitam informações.
Seja para anunciar uma mudança estratégica, responder a uma crise ou atualizar sua equipe, a forma como você se comunica faz toda a diferença.
Quando as mensagens não passam por um processo de revisão, elas tendem a apresentar um de três problemas: dizem mais do que o necessário, escondem a mensagem principal ou geram trabalho que poderia ser evitado. Perguntas adicionais, desalinhamentos e riscos desnecessários costumam ser o resultado.
Bons comunicadores corporativos revisam suas mensagens porque esse processo exige escolhas. É preciso decidir o que é mais importante, o que pode esperar e o que simplesmente não deve fazer parte da comunicação.
Em termos práticos, a revisão ajuda os líderes a evitar mal-entendidos, reforçar a visão da organização e fortalecer a confiança e a credibilidade. Sem essa disciplina, a comunicação se torna reativa, levando líderes a gastar tempo esclarecendo, corrigindo ou reformulando mensagens que deveriam ter sido eficazes desde o início.
Recentemente, trabalhamos com uma empresa de serviços financeiros que se preparava para lançar uma nova forma de pagamento para seus clientes. As primeiras versões da comunicação focavam nas mudanças tecnológicas e, embora a mensagem fosse precisa, exigia esforço excessivo do leitor. Os clientes precisavam interpretar o que havia de novo e por que aquilo era relevante para eles. Trabalhando em conjunto com o cliente, ajudamos a direcionar a comunicação para os benefícios ao usuário.
Antes: "Apresentamos uma nova solução tecnológica de pagamentos."
Depois: "Estamos lançando uma forma mais simples e rápida de pagar familiares e amigos pelo aplicativo. Pagamentos rápidos e seguros para seus contatos."
A mudança não foi apenas estética. Ela esclareceu o que mudou, por que a novidade era importante e o que os clientes deveriam fazer em seguida.
Resultado: os clientes compreenderam imediatamente o benefício, impulsionando a adoção da solução.
Uma comunicação clara é mais fácil quando a mensagem é positiva. O verdadeiro teste acontece quando não é.
Durante um programa de remediação, um cliente do setor de serviços financeiros precisou se comunicar com colaboradores responsáveis por conduzir conversas desafiadoras com clientes.
As primeiras versões da mensagem focavam em processos e requisitos de conformidade, dedicando pouca atenção à pressão e aos impactos enfrentados pelas equipes. O risco não estava na precisão das informações, mas no tom adotado.
As mensagens revisadas mantiveram os fatos, mas passaram a reconhecer a realidade da situação. Elas explicavam o propósito da iniciativa, demonstravam empatia e preparavam as equipes para os desafios que encontrariam pela frente.
Resultado: o engajamento aumentou e as equipes de linha de frente passaram a se sentir mais preparadas para conduzir as interações com os clientes.
Os riscos são maiores quando a comunicação é voltada para clientes e ocorre em um ambiente público.
Quando um banco de varejo enfrentou um problema de atendimento ao cliente, precisou emitir um pedido público de desculpas e explicar o que havia acontecido. O risco era reputacional. Clientes que já estavam insatisfeitos poderiam se sentir ainda mais distantes diante de uma linguagem defensiva e impessoal. A mensagem foi revisada para ajustar o tom sem alterar os fatos.
Ajudamos o banco a substituir uma linguagem passiva - “Lamentamos o transtorno causado” - por uma abordagem mais humana: “Pedimos desculpas. Queremos explicar o que aconteceu e o que estamos fazendo para corrigir a situação e garantir que você não seja prejudicado.”
Resultado: o banco assumiu a responsabilidade pelo erro e os clientes sentiram-se ouvidos e valorizados.
Comunicações sem revisão podem levar a interpretações equivocadas, danos à reputação e até exposição jurídica. Revisar o conteúdo traz maior precisão, conformidade e se torna um importante mecanismo de controle.
Um cliente adquiriu uma carteira de hipotecas de € 5 bilhões e precisava se comunicar com um grande contingente de novos clientes. As primeiras versões da comunicação eram tecnicamente corretas, mas excessivamente densas. Elas combinavam a precisão jurídica com uma linguagem voltada ao cliente, tornando mais difícil para os destinatários entender o que realmente se aplicava ao seu caso.
Trabalhando em conjunto com a organização, a mensagem foi revisada para equilibrar precisão legal e clareza para o cliente. O texto passou a explicar de forma clara o que havia mudado, o que permanecia inalterado e o que os clientes poderiam esperar dali em diante, mantendo-se preciso, consistente e em conformidade com os requisitos regulatórios.
Em nosso trabalho com clientes, o problema raramente é a falta de informação. Na maioria das vezes, o desafio está na falta de clareza e no foco insuficiente no público que receberá a mensagem.
O INTENT é um guia prático que utilizamos para ajudar líderes a revisar suas comunicações com propósito. Ele foi desenvolvido para desacelerar o processo de reflexão na medida certa, reduzindo riscos e evitando erros que poderiam ser facilmente prevenidos, sem transformar a comunicação em um processo excessivamente complexo ou demorado.
Use o INTENT para editar com propósito
I – Identifique a mensagem principal
Qual é a única coisa que você quer que seu público lembre?
N – Note as necessidades do seu público
Quem são essas pessoas? O que é importante para elas?
T – Tenha tempo para refletir
Este é o momento certo? O tom é adequado? O formato é o mais apropriado?
E – Edite para gerar clareza e impacto
Use uma linguagem simples. Elimine jargões.
N – Neutralize gatilhos emocionais
Substitua acusações por empatia.
T – Teste a mensagem
Faça um ensaio ou peça que um colega de confiança revise o conteúdo.
A prática consistente da revisão reduz retrabalho, limita escalonamentos desnecessários e promove clareza em situações de pressão.
As palavras se propagam em velocidade cada vez maior. Revisar uma mensagem é a última oportunidade para que líderes definam seu propósito, seu tom e seu impacto. Trata-se de um dos exercícios mais importantes de julgamento e responsabilidade antes que a comunicação siga seu curso e passe a ser interpretada por diferentes públicos.
Na Grant Thornton, ajudamos organizações a enfrentar desafios complexos com confiança, garantindo que suas mensagens sejam claras, consistentes e impactantes. Por meio de nossos serviços de consultoria, apoiamos líderes a:
Seja liderando uma transformação organizacional, preparando uma apresentação para o conselho de administração ou gerenciando uma situação de crise, podemos ajudar você a revisar sua comunicação antes do envio, para que suas palavras inspirem ação e gerem resultados.
Empresas de tecnologia precisam alinhar governança, dados e IA para impulsionar inovação, reduzir riscos e gerar valor de negócio escalável.
Receita prorroga para 2027 exigência de CNPJ para pessoas físicas que emitem notas, no contexto da reforma tributária.
Desde 24/05/2026, o código CIOT passou a ser obrigatório para praticamente todas as operações de transporte rodoviário remunerado de cargas no Brasil