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As organizações capazes de se adaptar rapidamente às novas condições se encontrarão em uma posição de liderança na jornada futura.
Retomada estratégica

O mercado de médio porte já possuía uma reputação de agilidade, porém a crise da Covid-19 forçou os líderes a olhar ainda mais de perto, a fim de saber como suas operações podem ser mais responsivas.

Enquanto se preparam para o futuro, as empresas estão fazendo um balanço de suas operações existentes e questionando se elas são adequadas para a finalidade. Para permanecerem relevantes em tempos sem precedentes, as empresas devem aprender de forma contínua por meio de suas operações e seu ambiente e, em seguida, executar mudanças de forma rápida, seja no desenvolvimento de produtos, na melhor experiência do cliente ou no crescimento de novos mercados.

De acordo com os dados do IBR da Grant Thornton, 46,2% das empresas disseram que precisariam melhorar a flexibilidade organizacional após a Covid-19. Enquanto isso, 36,9% dos entrevistados disseram que começaram a planejar diferentes cenários para o aumento de escala das operações de suas empresas em preparação para a recuperação.

Tony Markwell.pngTony Markwell, national managing partner private advisory da Grant Thornton Austrália, diz: “Quando eu penso neste momento, as empresas que vão sobreviver e se recuperar mais rapidamente são, obviamente, aquelas que são mais ágeis, aquelas que estão bem estruturadas e são capazes de agarrar as oportunidades enquanto se protegem.”

Analise sua cadeia de suprimentos, monitore riscos e crie contingências

A Covid-19 expôs falhas nas cadeias de suprimentos globais e, à medida que avançamos para novas fases, as empresas estão reexaminando o modo como seus produtos chegam ao mercado. De fato, 31,6% das empresas disseram que precisariam fazer uso de canais de vendas e de distribuição alternativos ou subutilizados após a crise.

A construção de um negócio resiliente requer monitoramento estrito de sua cadeia de suprimentos.

Jonathan Eaton.pngJonathan Eaton, diretor de serviços de consultoria da Grant Thornton US, diz: “Muitas empresas foram expostas e sofreram interrupções em sua cadeia de suprimentos como resultado da Covid-19, por não possuírem um protocolo de gestão de riscos da cadeia de suprimentos. Em alguns casos, problemas de liquidez ou de desempenho do fornecedor foram o motivador da ruptura. Uma cadência robusta de gestão de riscos da cadeia de suprimentos, com base na mitigação dos riscos de maior prioridade, é essencial para alcançar a continuidade dos negócios.”

As empresas precisam levar em consideração uma série de riscos que seus fornecedores podem enfrentar, incluindo riscos financeiros, geopolíticos, econômicos, comerciais, interrupções de negócios e de eventos de cisne negro.

“A primeira etapa consiste em identificar possíveis modos de falha ou interrupções na cadeia de suprimento e, em seguida, analisá-los priorizando aqueles que são mais prováveis de ocorrer e que teriam o pior impacto sobre os negócios, seus clientes e acionistas. Para auxiliar nessa análise, as empresas mais bem preparadas utilizam software e análise de gestão de riscos da cadeia de suprimentos. Este software é capaz de analisar a saúde financeira dos fornecedores de uma empresa, perfis de litígio, questões de relacionamentos com colaboradores ou outros indicadores de um negócio mal administrado, que podem gerar risco.

Munidos com inteligência, podemos ajudar as empresas a desenvolver um plano para mitigar esses riscos. Como prática recomendada, utilizamos simulações baseadas em dados e exercícios teóricos com as empresas para avaliar sua preparação e garantir que estejam focadas nos riscos certos e nos disruptores da cadeia de suprimentos”, afirma Eaton.

Da mesma forma, para empresas que buscam expandir suas operações, elas podem obter uma visão sobre o quão robustos e resilientes são os fornecedores potenciais na cadeia, criando confiança em seus planos de expansão.

A pandemia também abalou a natureza global das cadeias de suprimento, e alguns governos estão favorecendo uma mudança para a produção doméstica, a fim de fornecer maior segurança. Segundo Markwell: “Quando a Covid ocorreu pela primeira vez e as fronteiras caíram, vimos uma luta para obtenção de produtos, de modo mais local, uma vez que uma longa cadeia de suprimentos se tornou um risco maior. O problema é que todos nós nos acostumamos com essas longas cadeias de suprimento, visto que elas são econômicas; tem havido muitos modelos de entrega ‘just in time’ trabalhados.”

Com base em suas percepções e análises, as empresas terão de pesar o equilíbrio entre os riscos e benefícios dos fornecedores offshore e onshore. Segundo Eaton, “a melhor resposta é identificar o cenário com o perfil de menor risco que melhor se alinha com a estratégia de negócios de longo prazo para o crescimento, ao mesmo tempo em que se obtém continuidade operacional, eficiência tributária e resultados financeiros ideais.”

Procure eficiência e flexibilidade em suas operações

Para construir um negócio resiliente à Covid, você precisa eliminar as ineficiências. Este é particularmente o caso, pois as empresas planejam situações híbridas, gostando de combinar práticas de trabalho remoto e no escritório ou utilizando presenças físicas ou virtuais.

Com grande parte dos colaboradores trabalhando em casa ou fazendo um trabalho mais flexível, as empresas estão encontrando novas maneiras de gerenciar seu espaço de trabalho e reduzir seus custos imobiliários. Ian Pascoe.pngIan Pascoe, CEO e managing partner da Grant Thornton Tailândia, diz: “Mudamos para um espaço de escritório totalmente flexível, onde temos um acordo com um provedor de coworking. Temos um espaço dedicado e o resto nós o utilizamos como e quando precisamos.”

Repensar as formas de trabalhar tornou-se uma necessidade durante o isolamento. Haverá lições importantes a aprender e implementar para o futuro sobre como as decisões são tomadas e comunicadas, o que também pode envolver a mudança para uma estrutura de gestão plana e menos burocrática e a implantação de diversas equipes ágeis.

Inove para superar os desafios do seu mercado

Sukvinder Heyer.pngSukvinder Heyer, sócia na Grant Thornton Austrália, declara: "A inovação será a chave para sair desta recessão liderada pela Covid-19. Estamos vendo muitas empresas já inovando com bastante força – desenvolvendo novos produtos e processos e novas formas de chegar ao mercado”.

A resiliência pode significar redução de custos por meio da inovação em suas operações. Os processos repetitivos de baixo valor podem ser automatizados? O custo de fabricação de seu produto pode ser alterado sem alterar sua qualidade e seu preço? “Para alguns, a interrupção da cadeia de suprimentos pode significar ter de fazer produtos por meio de insumos que, de outra forma, não seriam considerados”, diz Heyer.

Criar uma cultura de inovação também requer diálogo entre líderes e colaboradores da linha de frente, a fim de encontrar rapidamente soluções que beneficiarão a empresa e seus clientes. “Dizemos às empresas: joguem com seus pontos fortes. Pensem em onde querem estar e usem a inovação como o ponto de partida para chegar lá”, acrescenta.

Gerencie os dados para gerenciar a demanda e os preços

Os dados fornecem aos líderes de negócios informações para capacitá-los, mudar os negócios, caso a direção não esteja correta; confirme quando eles estão ganhando e alerte-os quando não estiverem.

“Você não pode confiar em práticas anteriores, nas quais os vendedores chegam e entregam os pedidos e torcem para que ainda funcionem”, diz Markwell. Os sistemas de pedidos, por exemplo, não devem reordenar automaticamente a mesma quantidade de peças do que antes, quando o inventário atinge um determinado nível. “Quando você vir que a demanda por aquela peça caiu, você vai pensar: por que não olhei os dados que estavam disponíveis em minha base de clientes antes de fazer o pedido? As empresas possuem esses dados, mas precisam extraí-los de uma forma que possam entender.”

Os dados serão vitais para aproveitar as oportunidades com êxito. “Por exemplo, seu concorrente cai e você precisa abastecer seus clientes. As empresas ágeis conhecem bem o suficiente suas operações, de modo a estabelecer um preço eficaz e aproveitar a oportunidade. Eles são as que se adaptam mais rápido. Aquelas que se saem pior podem atrair novos clientes, mas elas não cobrarão o preço certo e perderão dinheiro com essa grande expansão, porque não analisaram os dados”, explica Markwell.

“Muitas empresas têm trabalhado com um modelo híbrido nos últimos dez anos. Elas possuem alguma tecnologia dentro de sua organização, mas ainda dependem muito de práticas manuais. Os últimos seis meses mostraram que você precisa reunir esses dois em sua organização – quer você possa ver seu pessoal e os clientes ou não – de uma forma que evolua a ponto de garantir que você atinja seus objetivos.”

Embora as mudanças nas cadeias de suprimentos representem um risco contínuo para as empresas, uma gestão cuidadosa pode reduzir essas preocupações, conforme demonstrado pela pandemia.

A agilidade sempre foi uma característica admirada detida por empresas de médio porte bem-sucedidas. Agora, mais do que nunca, as empresas que estão preparadas para inovar, adaptar, analisar e proteger seus negócios estarão à frente do mercado.

Fale com um especialista local da Grant Thornton para discutir como você pode implementar maior eficiência em seu negócio.