ARTIGO

Infraestrutura: o que priorizar para conter os impactos no setor?

Luiz Iamamoto Luiz Iamamoto

A desaceleração econômica provocada pela pandemia da Covid-19 impacta gravemente as perspectivas de mercado e altera os rumos de diversos setores, entre eles o de Infraestrutura – que apresentava boas perspectivas para o ano, após um longo período de crise e que, agora, enfrenta novos desafios impostos na execução de projetos.

Entre as principais adversidades identificadas está nos projetos em andamento, que foram afetados diretamente pelas medidas de combate à pandemia, que são essenciais para conter os riscos de agravamento dos impactos humanitários. Os segmentos de engenharia, suprimento e construção, transmissão e distribuição e construção estão vendo o progresso de seus projetos impactado pelas diretrizes dos governos federal e estadual.

Como em qualquer segmento, neste momento as empresas devem priorizar a segurança dos funcionários e do trabalho. O planejamento de novos projetos fica paralisado trazendo desafios para os investidores na adequação do fluxo de caixa, financiamentos previstos e retorno esperado buscando adequar-se à nova realidade.

Como ficam as concessões diante da Covid-19?

Com o governo focado nas medidas emergenciais para lidar com a pandemia, o cronograma de concessões fica em segundo plano. Adicionalmente, os estudos relacionados às concessões previstas deverão ser reavaliados dada a recessão mundial que virá após a passagem da pandemia. Estudos de longo prazo (10 a 15 anos) deverão considerar receitas mais baixas ou tráfego menor que poderão impactar na previsão de recursos financeiros de curto prazo.

A declaração de calamidade pública do governo federal para a alocação de fundos para medidas de socorro da economia – aumentando o já alto endividamento do estado – pode limitar sua capacidade de financiar futuros projetos de infraestrutura.

Investimentos em infraestrutura

Nesse cenário, avalia-se que o impacto da Covid-19 no investimento em infraestrutura pode ser pior do que o observado em 2008. A pressão sobre o capex do governo e a atual desaceleração provavelmente piorará o cenário previsto para o setor.

Entretanto, quando a incerteza é o novo normal, ficar parado não deve ser uma opção. Alterações drásticas nos acordos de trabalho em todo o mundo e expectativas de mudanças significam que é hora de examinar a variedade de riscos que se apresentam. Da cadeia de suprimentos ao capital de giro, é essencial que os projetos entendam e desenvolvam estratégias em relação ao seu nível único de vulnerabilidade.

O que considerar para seguir adiante e minimizar os impactos?

Avalie os seguintes aspectos:

Previsão de fluxo de caixa  

Em uma economia volátil e lenta, é essencial ter um controle imediato de suas necessidades financeiras diárias, principalmente em projetos de capital intensivo. É necessário ter uma visão crítica das operações, realizar a revisão dos processos existentes de previsão de fluxo de caixa para avaliar como possíveis interrupções nas operações podem afetar a liquidez.

Monitoramento das ações

Neste momento, deve-se realizar o monitoramento sistemático das ações em andamento para acompanhar os impactos da paralisação da cadeia produtiva com atenção a impactos trabalhistas ou definições governamentais, como quarentenas ou restrições de viagens.

Revisão de contratos

Faz-se necessário revisar todos os contratos em andamento para avaliar os efeitos e limitações da situação como, por exemplo, prorrogações de tempo, exclusões de custos e limites de atraso buscando minimizar a ocorrência de eventuais pleitos.

Registros atualizados

É essencial manter os registros detalhados do andamento da construção e quaisquer atrasos ou aumento de custos, reavaliando o orçamento de construção, incluindo a disponibilidade de qualquer economia ou contingência de custos.

Qualquer interrupção no andamento do projeto é crítica para atender ao prazo e custo previstos, por isso, o cronograma de construção deve ser revisado considerando as condições atuais e previstas buscando alternativas para minimizar os impactos.

Todos os documentos de construção, desenvolvimento e financiamento devem ser revisados para determinar as respectivas obrigações de pagamento das partes quanto a aumentos de custos ou atrasos preparando-se alternativas de negociação com os parceiros de desenvolvimento e financiadores do projeto para discutir maneiras de resolvê-los.

A pandemia do novo coronavírus apresenta um novo cenário para o setor de Infraestrutura e um ambiente de negócios bastante desafiador. Agora, é necessário concentrar-se na mitigação dos impactos com maior flexibilidade para enfrentar as adversidades.

 

Como a Grant Thornton pode auxiliar a sua empresa?

Nossos consultores e especialistas no setor possuem formação multidisciplinar, que podem assessorar a sua empresa nesse processo de adaptações.

Entre em contato conosco