
No Brasil, esse indicador atingiu nível ainda maior: 45,2% das empresas têm liderança financeira do gênero feminino, com aumento de 9,4% em relação ao ano anterior.
Esse avanço revela um número que está se aproximando da paridade de gênero, tornando o cargo de CFO o segundo posto de liderança sênior a ultrapassar a marca de 40%, seguindo o cargo de Diretora de RH, que atingiu esse marco pela primeira vez em 2019.
Este é um momento significativo para as mulheres na liderança. Com 34% de todos os cargos de alta gestão atualmente ocupados por mulheres no mundo – e 36,7% no Brasil, é essencial entender o que está impulsionando o progresso em determinadas posições — e como esses avanços podem ser replicados em toda a alta administração.
Neste artigo, exploramos como a ascensão da mulher ao cargo de CFO está não apenas transformando a liderança financeira, mas também como pode ajudar a aumentar a representatividade feminina em todos os cargos de liderança, garantindo que as empresas não percam outra geração de talentos femininos.
Quais fatores influenciam a ascensão de mulheres CFO?
Para que outros cargos sigam o mesmo caminho, é essencial compreender as forças que impulsionaram o aumento da presença feminina na posição de CFO. Identificamos dois fatores principais: o primeiro é o impacto de eventos macroeconômicos sobre o papel do CFO; o segundo, o crescimento da qualificação e participação das mulheres na educação.
1. Motivadores macroeconômicos
O crescimento no número de mulheres CFOs em empresas de médio porte coincidiu com uma série de grandes mudanças macroeconômicas. No período após a crise financeira de 2008, as empresas sentiram os efeitos de diversos choques, como a crise da dívida na zona do euro, a desaceleração econômica da China, a pandemia e o aumento dos preços da energia após a invasão da Ucrânia pela Rússia.
Nossa pesquisa Women in Business mostra que os maiores aumentos no número global de mulheres CFOs estão alinhados com momentos cruciais da economia mundial. Por exemplo, nos anos seguintes ao Brexit, a economia global passou por mudanças nos acordos comerciais, novas lideranças assumiram o poder em grandes economias e teve início o movimento #MeToo. Esses eventos coincidem com os dados que revelam um aumento de 15 pontos percentuais na participação feminina no cargo de CFO entre 2017 e 2019.
Proporção de mulheres CFOs em empresas de médio porte
Embora esses grandes eventos econômicos tenham impactado diversos aspectos das empresas, é provável que o cargo de CFO tenha sido submetido a uma atenção redobrada. A pressão resultante contribuiu para uma maior rotatividade nessa função, abrindo espaço para que um grupo de talentos mais diverso pudesse emergir — o que tem favorecido a ascensão de mulheres a esses cargos de liderança.
À medida que os acontecimentos atuais remodelam o mundo e apresentam novos desafios, as empresas devem refletir sobre se — e como — podem transformar essas adversidades em oportunidades. Negócios que revisam proativamente seus planos de sucessão e recrutamento durante períodos de mudança estarão mais bem posicionados para promover o equilíbrio de gênero em cargos de liderança.
"A ascensão das mulheres em cargos de liderança coincidiu com grandes mudanças macroeconômicas, em grande parte porque as empresas precisaram repensar os modelos tradicionais de liderança para enfrentar crises de forma eficaz. Os CFOs desempenham um papel crucial nesses momentos de crise e, quando as empresas buscam novas ideias e perspectivas, muitas vezes acabam trazendo mais diversidade para suas equipes como forma de responder aos desafios" - Michelle Watson, CFO da Grant Thornton Australia
2. Maior acesso à qualificação avançada
O aumento no número de mulheres em cargos de alta gestão acompanhou o crescimento acelerado da participação feminina no ensino superior. Como resultado, mais mulheres possuem qualificações avançadas, o que pode ser especialmente importante para cargos financeiros de alto nível, como o de CFO.
Segundo a Association to Advance Collegiate Schools of Business (AACSB), as matrículas femininas nos EUA em cursos de mestrado em finanças aumentaram 41% de um ano para o outro em 2021/22, e 70% no restante do mundo [iii].
No Vietnã, onde 68,2% dos CFOs são mulheres, elas representam agora 54% dos graduados no ensino superior [iv]. Identificamos esse fator como comum em outros países onde as mulheres dominam o cargo de CFO – como também é o caso do Brasil, onde as mulheres representaram 59,6% dos concluintes no ensino superior em 2023, incluindo maioria em cursos como Ciências Contábeis e Administração.
A mensagem é clara: empresas de médio porte precisam continuar a reduzir o gap entre educação e liderança, garantindo que as mulheres tenham caminhos claros da sala de aula até a sala de reuniões.
"Apesar dos avanços, ainda temos um longo caminho pela frente. Muitas empresas estão sob pressão externa para avançar nessa pauta. Ao redor do mundo, mais de 77% receberam solicitações de algum cliente, investidor, entre outros, para avaliar o compromisso com a diversidade e o equilíbrio de gênero. Empresas que promovem a diversidade em suas lideranças tornam-se mais competitivas e resilientes, prontas para enfrentar desafios com criatividade e uma perspectiva diversificada" - Élica Martins, sócia de Auditoria, líder de Energia e Recursos Naturais e líder do escritório de Campinas da Grant Thornton Brasil
CFO como catalisador de mudança em outros cargos de liderança
O aumento no número de mulheres na posição de CFO não é apenas uma boa notícia para esse cargo específico — ele representa também uma plataforma para mudanças mais amplas. A presença feminina em níveis mais altos da liderança financeira pode funcionar como um catalisador para ampliar a participação de mulheres em outros cargos de alta gestão.
Indústrias 2025
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Gestão de ativos: Alcançando acima da paridade em 2025, 54,9% das mulheres ocupam o cargo de CFO na indústria global de gestão de ativos.
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Bancos: Um pouco acima da média global, 45,9% das mulheres ocupam o cargo de CFO na indústria bancária global.
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Energia e recursos naturais: Acima da paridade, 51% das mulheres ocupam o cargo de CFO no setor de energia e recursos naturais.
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Tecnologia: Com um salto de 12,2 pontos percentuais desde 2024, 46,9% das mulheres ocupam o cargo de CFO na indústria de tecnologia.
CFOs mulheres têm o potencial de “puxar para cima” outras profissionais, oferecendo apoio e mentoria para que alcancem seu potencial, contribuindo para que avancem na hierarquia até posições de liderança e assentos em conselhos administrativos.
As CFOs também estão bem-posicionadas para avançar rumo ao cargo de CEO, onde a participação feminina ainda permanece em níveis baixos globalmente (21,7%) e também no Brasil (25,8). A transição de CFO para CEO é um caminho bastante comum, com 40% dos CEOs globais assumindo o cargo diretamente após atuarem como CFO, COO ou líderes de divisão. Esse aumento no número de CFOs mulheres pode, portanto, ajudar a mudar esse cenário.
Ondas por toda a alta liderança
Uma presença feminina forte no cargo de CFO pode desafiar preconceitos nas salas de reunião, influenciar práticas de governança e promover uma cultura onde as mulheres prosperem em cargos de liderança. A ascensão das CFOs mostra o que é possível — e o que pode vir a seguir.
Mas, para realmente aproveitar esse avanço, empresas de médio porte precisam agir com intenção. Para ajudar as organizações a aumentarem o número de mulheres em cargos de liderança, leia o nosso relatório Women in Business 2025 e descubra como você pode fazer parte dessa mudança.