Embora o nível de compliance esteja em alta, a confiança não acompanha o mesmo ritmo, especialmente em relação às competências dos conselhos, gestão de riscos
e IA. 

A cultura importa; então, por que os conselhos ainda não a estão medindo com uma visão de longo prazo?  Nossa mais recente Corporate Governance Review mostra como as empresas estão começando a estruturar a governança para gerar impulso e dinamismo, e por que os conselhos precisam evoluir da conformidade para a competência para extrair o máximo valor dos relatórios e fortalecer a confiança das partes interessadas. 

A análise revela que, embora as empresas estejam se destacando no curto prazo, é fundamental começar a pensar no longo prazo. O estudo compara como o Código atualizado e a Disposição 29 estão sendo abordados pelo mercado e identifica onde ainda é necessária ação. 

FTSE 350: Evolução dos relatórios e mudanças na governança 

Verde

À frente da curva ao… 

  • Incluir uma declaração de que o conselho monitora os controles internos e o framework de gestão de riscos do grupo 
    (2025: 99%, 2024: 100%)
  • Separar das funções de CEO e Pesidente do Conselho (Chair) em todas as empresas
    (2025: 97%, 2024: 100%) 
  • Divulgar as circunstâncias em que cláusulas de malus e clawback seriam aplicadas
    (2025: 85%, 2024: 83%) 
Âmber

Reduzindo a distância ao… 

  • Ampliar os relatos sobre a ligação direta entre cultura, propósito e valores com os resultados dos colaboradores, remuneração etc. 
    (2025: 65%, 2024: 63%)
  • Reconhecer o planejamento sucessório como uma prioridade estratégica (2025: 40%, 2024: 38%)
  • Utilizar um “conjunto” de métricas para medir a cultura
    (2025: 63%, 2024: 50%) 

Atrás da curva ao… 

  • Reconhecer apenas as oportunidades da IA, como fazem 56% das empresas, sem identificar riscos emergentes ou principais associados 
    (2024: 44%)
  • Permitir que CEOs se concentrem apenas em temas operacionais, uma vez que apenas 55% abordam a cultura e os valores da empresa em sua “carta do CEO”
    (2024: 60%)
  • Fornecer apenas explicações de conformidade, em vez de explicações competentes, sólidas e robustas, como ocorre com 29% das empresas que não cumprem os requisitos. Esse índice não apresentou melhoria em relação ao ano anterior
    (2024: 29%) 

Governança sob escrutínio: o presidente, o código e o tempo 

69%
das empresas declararam
conformidade total com o Código em 2025, embora apenas 45% cumpram total ou parcialmente os novos requisitos da Disposição 29, que entram em vigor em janeiro de 2026.
48%
dos ocupantes
do cargo de presidente do conselho ainda são considerados não independentes no momento da nomeação, mesmo com um aumento de 4% na conformidade com as disposições atualizadas do Código.

Esse avanço na conformidade com o Código ocorre em um momento em que os conselhos vêm sendo incentivados a ir além do simples cumprimento formal (box‑ticking) e a adotar a governança como uma oportunidade estratégica. Se no ano passado houve uma necessidade maior de atualizar as abordagens de governança, neste ano tornou‑se evidente a demanda por estruturas de governança adaptáveis, capazes de atuar como um motor estratégico para gerar clareza, impulso e confiança. 

A governança deixou de ser apenas um exercício de conformidade e passou a ser um catalisador de resiliência, liderança ética e tomada de decisões ousadas, devendo ser tratada dessa forma nas agendas dos conselhos.