Em 2022, a pesquisa Women in Business da Grant Thornton mostrou mais uma vez a posição das mulheres na alta administração em todo o mundo e o progresso em direção à igualdade de gênero na liderança.

Nosso relatório Women in Business de 2021 identificou uma janela de oportunidade criada por práticas de trabalho pós-pandemia que estavam permitindo que mais mulheres passassem a ocupar cargos de liderança. Em 2022, à medida que as economias se recuperam e os impactos da pandemia diminuem, essa tendência deve continuar.

Nos resultados deste ano, vemos empresas de médio porte no mundo todo adotando medidas decisivas para moldar práticas de trabalho mais flexíveis em torno das necessidades das pessoas, priorizando o engajamento dos funcionários e modelando ambientes de trabalho mais abertos e inclusivos. Ao fazer isso, as organizações estão abrindo portas para trazer talentos femininos para cargos mais seniores em maior número do que no passado.

Anna Johnson.png"É essencial que as empresas se tornem mais igualitárias", diz Anna Johnson, CEO da Grant Thornton Suécia. “É um requisito para ser atraente tanto para clientes quanto para funcionários. A igualdade de gênero é algo que nós, líderes, devemos priorizar todos os dias, em todas as decisões que tomamos."

32-graphics.jpgA ação deliberada e contínua das empresas resultou em um aumento na proporção de mulheres na alta administração em todo o mundo. As mulheres agora ocupam 32% dos principais cargos de liderança, ante 31% em 2021, incluindo funções de diretora executiva e diretora administrativa, diretora financeira, diretora de informações, diretora de operações, diretora de marketing e diretora de recursos humanos. Esse aumento segue o crescimento linear traçado nos últimos anos. Na última década, vimos a proporção de mulheres líderes crescer 11 pontos percentuais, acima dos 21% em 2012.

Entre as 5.000 lideranças empresariais pesquisadas em 29 países pela Grant Thornton, 90% registram seus negócios como tendo pelo menos uma mulher no C-suite ou equivalente. Regionalmente, também houve um progresso positivo, com todas as áreas que abordamos igualando ou superando 30% dos cargos seniores ocupados por mulheres.

Kim Schmidt 120x120 round image.png“Esses resultados refletem um despertar das lideranças sobre a importância da diversidade e de seus esforços para construir uma cultura mais inclusiva. Isso acelerou a criação de ambientes mais diversos, seguros e autênticos para todos os colaboradores nos últimos anos”.

Kim Schmidt, líder global de Leadership, People and Culture da Grant Thornton International. 

Enfrentando a crise de talentos

Um aumento na diversidade de gênero em cargos de liderança traz benefícios para os negócios. Com os modelos de negócios tradicionais sendo desafiados em favor de estruturas mais fluidas e os recrutadores ampliando suas redes para atrair talentos globais, as empresas estão tendo que competir mais por pessoas com habilidades para liderar e ter sucesso no novo cenário de negócios.

A pesquisa do International Business Report da Grant Thornton revela que 57% das organizações de médio porte esperam que a escassez de talentos seja uma grande restrição para seus negócios nos próximos 12 meses. Um nível recorde de rotatividade de talentos, chamado de “great resignation”, está aumentando a pressão para reter e atrair as melhores pessoas.

Com os profissionais reavaliando seu equilíbrio entre vida profissional e pessoal e reconsiderando suas jornadas na carreira após a pandemia, as empresas precisam ser mais autênticas na construção de ambientes onde seus funcionários possam encontrar propósito. Um elemento central disso é adaptar os modelos de trabalho a funcionários de maneira individual, tornando mais fácil e atraente para eles permanecerem com seus empregadores à medida que suas prioridades de vida mudam.

Um foco específico na abertura de oportunidades para que as mulheres assumam cargos seniores por meio de práticas de trabalho mais flexíveis será uma das principais maneiras de lidar com a escassez de talentos. Nosso relatório Women in Business 2022 explora as maneiras pelas quais as organizações podem abrir as portas para a diversidade e capacitar as pessoas para que possam avançar para o sucesso futuro.

Olhando para o futuro

O talento feminino é um recurso essencial e vital para bons resultados de negócios. Organizações com visão de futuro já estão colaborando com os funcionários para remodelar as configurações de trabalho, a fim de permitir que todos os colaboradores tenham a oportunidade de alcançar equidade nos cargos de liderança.

À medida que esses novos modelos de trabalho forem incorporados e uma maior flexibilidade nas rotinas for considerada a norma, as oportunidades de progressão contínua na carreira feminina aumentarão. Estamos otimistas de que isso, juntamente com a ação contínua e deliberada das empresas para envolver todo o seu pessoal em um local de trabalho inclusivo – virtual ou não – resultará no aumento contínuo da liderança feminina.

Com os números globais de mulheres seniores permanecendo consistentemente além do ponto de inflexão de 30% – proporção necessária para gerar um impulso positivo significativo – nos últimos dois anos incertos, também esperamos ver uma aceleração no crescimento da representação feminina no nível de gerenciamento sênior.

“Os números que estamos vendo atualmente podem ser o estágio inicial de uma mudança significativa, e não o final do progresso anterior”, sugere Kim Schmidt. “Pode ser que novas pessoas estejam apenas começando a assumir cargos seniores. Será fascinante ver o que acontece em 12 meses após um ano inteiro de movimento significativo”.

Brasil: mulheres ocupam 38% dos cargos de liderança

Após registrar avanços expressivos no último ano mesmo diante da pandemia de Covid-19, as mulheres perderam 1% dos postos executivos nas empresas brasileiras de médio porte, caindo para 38% em 2022. No ranking global elaborado pelo International Business Report da Grant Thornton, o Brasil passou a ocupar o quarto lugar e se mantém à frente da média da América Latina (35%) e da global (32%).

Representatividade nas empresas brasileiras

Das mais de 250 empresas brasileiras pesquisas, 6% afirmaram não manter nenhuma mulher em cargos de liderança, muito abaixo dos 48% do Japão, 33% da Coreia do Sul e 22% da Grécia, por exemplo, e abaixo também das médias global (10%) e da América Latina (11%). No pico, em 2015, esse índice chegou a 57% aqui no país.

Cargos ocupados

Com relação aos cargos, a pesquisa mostra que 35% dos postos de presidente executivo (CEO), no Brasil, são ocupados por mulheres, 1 p.p. abaixo do ano passado, mas 11 p.p. acima da média global de 24%. No cargo de liderança Financeira (CFO) houve uma alta de 4 p.p., passando para 47% este ano. Os índices se mantiveram os mesmos de 2021 nos cargos de liderança de Operações (COO), com 28%, e sócia (4%).

Em todos os outros postos de alto escalão pesquisados foram registradas quedas da presença feminina, na comparação com 2021: em Recursos Humanos (40%), menos 3 p.p.; Diretoria de Vendas (17%), menos 8 p.p.; em Tecnologia da Informação (CIO) (22%), menos 1 p.p.; na área de Marketing (CMO) (36%), menos 4 p.p.; e em Controladoria (6%), menos 3 p.p. As lideranças em Controladoria,  Vendas e o posto de sócia ficaram abaixo das médias mundiais registradas de 18%, 19% e 6%, respectivamente.

Ações tomadas pelas empresas

Com relação às ações concretas, 48% dos entrevistados disseram ter adaptado os programas de aprendizagem e desenvolvimento ao ambiente virtual, 5 p.p. a mais do que em 2021 e 10 p.p. acima da média global de 38%. A adoção de novas práticas de trabalho, incluindo trabalho virtual e flexível de longo prazo, foi assinalada por 48% das empresas, contra 61% em 2021, cuja média global ficou em 44%. Para 51%, a ação foi criar um ambiente no qual todos os colegas podem manifestar suas ideias, suas dúvidas e questionamentos, índice próximo ao apurado em 2021 (52%) e acima dos 44% da média global. Outra questão que ganhou mais relevância diz respeito ao equilíbrio entre trabalho e vida pessoal e/ou flexibilidade para os funcionários, ponto de atenção para 49%, contra 46% em 2021. A média global ficou em 47%.

Segundo as empresas pesquisadas, os principais fatores para adoção de suas políticas de inclusão são atrair talentos em potencial (59%), reter os talentos atuais (42%), melhorar resultados de negócios por meio de equipes mais diversificadas (51%), e montar a melhor equipe, independentemente da localização geográfica (42%).

Diversidade em dados

No que se refere aos aspectos medidos pela organização em relação à diversidade e inclusão, 60% afirmaram medir a igualdade salarial de gênero, e 40% se preocupam com a percepção dos funcionários sobre inclusão. Ainda é baixo o nível de monitoramento de questões como promoção das mulheres (34%), percentual de funcionárias (29%), e percentual de novas contratações femininas (38%). Mas isto não ocorre somente no Brasil. Globalmente, esses índices ficaram em 30%, 30% e 29%, respectivamente.

Impactos da pandemia

A pesquisa investigou ainda qual o impacto da pandemia de covid-19 na diversidade de gênero nas empresas. A seguir as percepções dos entrevistados brasileiros:

  • 86% esperam que novas práticas de trabalho beneficiem a carreira das mulheres no longo prazo
  • 81% afirmam que estão adotando novas formas de trabalhar para criar um ambiente mais inclusivo para o talento feminino
  • 52% afirmam que estão sentido pressão dos stakeholders (clientes, reguladores, fornecedores, investidores e outros) na organização para alcançar e/ou manter o equilíbrio de gênero impulsionado pela pandemia
  • 50% concordam plenamente que novas práticas de trabalho beneficiaram as mulheres durante a pandemia
  • 50% acreditam que ainda não está claro qual efeito a covid-19 terá na carreira das mulheres

Kim Schmidt 120x120 round image.png"Devemos reconhecer que a pandemia impulsionou a ascensão das mulheres no mercado de trabalho que, por sua vez, aposta na permanência desse cenário de maior presença feminina no alto escalão no longo prazo, haja vista que 81% das empresas afirmaram estar criando um ambiente mais inclusivo para o talento feminino. Isso mostra maturidade das empresas que enxergam este ativo como um diferencial que valoriza seus negócios pela diversidade, e não agir somente quando são impostas por leis ou regulamentos, pois os consumidores são diversos”.

Élica Martins, sócia da Grant Thornton Brasil.

 

Grant Thornton
Women in business 2022

Abrindo portas para a diversidade de talentos

  • Impactos da Covid-19
  • Ações de inclusão praticadas
  • Diversidade em dados

Confira os resultados dos anos anteriores

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Janela de oportunidades

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Do plano de ação à prática

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Construindo um plano de ação

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Saindo da teoria, para a prática

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O caminho para a liderança

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