Há 17 anos, a Grant Thornton acompanha o avanço global das mulheres em cargos de liderança. Nos últimos 12 meses, eventos sem precedentes impactaram de maneira imprevista e inédita essa trajetória de progresso. 

A pandemia do novo coronavírus gerou uma mudança fundamental nas práticas globais de trabalho: exigiu que milhões de pessoas aderissem ao modelo de trabalho remoto, expôs fraquezas nas cadeias de abastecimento, fez com que as empresas avaliassem os fatores essenciais à sobrevivência e destacou as empresas de médio porte como o coração pulsante de muitos setores – fundamental para manter o funcionamento das economias.

 

Os ambientes de negócios parecem estar passando por mudanças permanentes, principalmente devido aos trabalhos mais flexíveis e híbridos que estão sendo adotados por muitas organizações.

Essas mudanças tiveram, inevitavelmente, repercussões para as mulheres nos negócios, suas perspectivas e os desafios que enfrentarão nos próximos meses e anos. 

Nesta 17ª edição do Women in Business da Grant Thornton entrevistamos cerca de 5.000 lideranças executivas de diversos setores do middle market em 29 países – sendo 250 no Brasil – para identificar suas percepções, ações práticas e visão de futuro relacionadas à representatividade das mulheres nos negócios.

Kim Schmidt 120x120 round image.png“As empresas precisam olhar conscientemente para as mudanças positivas que ocorreram em torno da diversidade, inclusão e mulheres na liderança, e mantê-las. Elas precisam garantir que, ao moldarem o ambiente de trabalho futuro, consideram os aprendizados com a pandemia. Quanto mais flexibilidade fornecem sobre como e quando as pessoas fazem seus trabalhos, mais engajamento terão e mais atraentes serão como empregadores.”

Kim Schmidt, líder global de Leadership, People and Culture da Grant Thornton International

Ampliando a diversidade

O progresso em direção a uma maior diversidade e inclusão, e particularmente a paridade de gênero em cargos de liderança, na última década, foi mais lento do que deveria. Mas, como resultado das agitações sociais do ano passado, é mais possível e mais importante do que nunca.

Estudos e pesquisas sobre 2020 evidenciam como o emprego das mulheres e o desenvolvimento de suas carreiras foram impactados significativamente pela pandemia. Porém, divergem se houve impacto no movimento pela paridade de gênero em vários anos ou se poderia ser um incentivo para cargos de alta administração para mais mulheres.

Os benefícios da diversidade em um nível sênior incluem melhor desempenho financeiro, descoberta de talentos e inovação, refletindo o mercado e as perspectivas dos clientes.

 

Janela de oportunidades

Na Grant Thornton, acreditamos que existe agora uma janela de oportunidade durante a qual os líderes do mercado de empresas de médio porte podem acelerar o progresso de seus negócios em um futuro mais inclusivo – ou optar por voltar aos modelos anteriores. 

Este relatório descreve a posição das mulheres na alta administração em todo o mundo, à medida que testemunhamos o surgimento de um modelo de liderança mais diverso e inclusivo, e destaca as ações que as lideranças precisam tomar para criar uma mudança radical na proporção de cargos de nível elevado ocupados por mulheres.

 

 

 

 

Kim Schmidt 120x120 round image.png“Por alguns anos, não saberemos realmente quais mudanças a Covid-19 promoveu e isso pode ajudar e atrapalhar ao mesmo tempo. O trabalho virtual pode facilitar para algumas mulheres a assumir determinadas funções e torná-las mais gerenciáveis. No entanto, com a pandemia, onde a vida de algumas mulheres está sendo mais dedicada a manter as rotinas famíliares funcionando, isso pode estar puxando-as para trás.”

Francesca Lagerberg, líder global de Network Capabilities da Grant Thornton International

Descobertas globais

Quando a Grant Thornton iniciou o relatório em 2004, a proporção de cargos de liderança ocupados por mulheres em todo o mundo era de 19%. Nos últimos 17 anos, a tendência global de longo prazo mostra uma trajetória positiva, nunca caindo abaixo do primeiro nível registrado.

Desde 2017, quando um quarto dos cargos de alta administração eram ocupados por mulheres, o progresso continuou, mas tem sido lento e irregular. No ano passado, relatamos um nivelamento, com o número geral estático na marca de 29% registrada em 2019. Em 2021, porém, há motivos para otimismo, pois o número atingiu 31%, indicando que, em breve, um terço de todos os cargos de alta administração provavelmente serão ocupados por mulheres.

 

Ultrapassando a média 

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Outro motivo de otimismo é a ultrapassagem da proporção máxima de 30% em nível global. A previsão é a de que, ao alcançar esse marco, incentive uma maior diversidade de gênero na alta administração e gere mudanças transformacionais duradouras.

Quando divididos regionalmente, vemos um ganho exponencial na prevalência de países com uma proporção de mulheres líderes excedendo esse ponto de inflexão. Isso ilustra uma massa crítica de progressão em nível global.

Além de acelerar as oportunidades para as mulheres impulsionadas por essas líderes femininas, a obtenção de 30% de mulheres em cargos de liderança demonstrou fazer uma diferença significativa na lucratividade e na participação de mercado de uma organização, de acordo com a autora do Women Lead the Way, Linda Tarr-Whelan, membro sênior do Women’s Leadership Initiative no think tank Demos dos Estados Unidos.

Ampliando a diversidade

Em 2021 atingimos um marco significativo, com nove em cada dez empresas em todo o mundo tendo pelo menos uma mulher em suas equipes de liderança. O fato de ter havido uma melhora de três pontos percentuais neste número desde 2020 é certamente uma continuação da tendência positiva observada nos últimos cinco anos. O trabalho das empresas em suas políticas de diversidade e inclusão está valendo a pena, mas também é possível que a pandemia do coronavírus tenha enfatizado a importância da diversidade na liderança em tempos de crise.

A paridade de gênero está crescendo em todo o mundo

Praticamente todas as regiões que foram medidas pelo relatório Women in Business 2021 registraram suas respectivas proporções mais altas ou iguais de mulheres na liderança. Isso é notável em um ano em que todas as regiões sofreram os impactos econômicos da pandemia em maior ou menor grau. Felizmente, 83% dos países pesquisados registraram uma proporção de mulheres líderes acima da proporção máxima de 30%. Em nosso relatório de 2020, esse número foi consideravelmente menor, pouco mais da metade (55%).

 

Brasil: avanço de mulheres em cargos de liderança

Em pleno ano marcado pela crise causada pela pandemia de Covid-19, as mulheres brasileiras conquistaram mais 5% dos cargos de liderança nas empresas e passam a representar 39% do empresariado no país. Com isso, o Brasil salta da oitava para a terceira posição no ranking global elaborado pela pesquisa da Grant Thornton e fica acima da média global de 31%.

Representatividade nas empresas brasileiras

90% das empresas contam com pelo menos uma mulher em cargo de liderança globalmente em 2021 - no ano imediatamente anterior essa proporção era de 12%.

Apenas 4% das mais de 250 empresas brasileiras pesquisas afirmaram não manter nenhuma mulher em postos de comando, muito abaixo dos 43% do Japão, 40% da Coreia do Sul e 16% da Alemanha, por exemplo, e abaixo também da média global de 10%. No pico, em 2015, essa porcentagem era de 57% aqui no Brasil.

Cargos ocupados

O índice de mulheres no cargo de CEO passou de 32% em 2020 para 36% este ano, 10 pontos percentuais (p.p.) acima da média global, que é de 26%. No cargo de diretor de Operações (COO) o salto foi ainda maior: de 16% para 28%, contra uma média global de 22%.

Todos os outros cargos de diretoria pesquisados seguiram a tendência de alta no Brasil, como o de diretor Financeiro (CFO) 43% (34% em 2020); diretor de TI 23% (12% em 2020); diretor de Recursos Humanos 43% (32% em 2020); diretor de Marketing 40% (16% em 2020); Controlador 9% (8% em 2020) e diretor de Vendas 25% (12% em 2020). O único que ficou com índice abaixo da média global (15%) foi o cargo de Controller.

Mesmo com esses avanços na carreira em diversas áreas, somente 4% das mulheres aparecem como sócias de empresas no Brasil, mesmo porcentual de 2020 e abaixo da média global de 7%.

Ações tomadas pelas empresas

Em termos práticos, a pesquisa levantou ainda quais iniciativas as empresas vêm adotando para remover barreiras à paridade de gênero em níveis mais seniores. Nesse sentido, o levantamento aponta maior conscientização nas corporações brasileiras, com evolução das ações quando comparadas ao ano passado. Para se ter uma ideia, 29% dos entrevistados afirmaram que estabelecem metas ou cotas para o equilíbrio de gênero nos níveis de liderança, mesmo índice da média global e 11 p.p. acima do registrado em 2020 (18%) no país.

Impactos da pandemia

Nesta edição, a pesquisa incluiu a avaliação sobre como a pandemia vem influenciando a vida profissional das mulheres. Na afirmação “as novas práticas de trabalho em função da Covid-19 permitiram que as mulheres desempenhassem papéis de liderança mais importantes nos negócios”, 39% os empresários brasileiros concordaram e 30% concordaram totalmente, contra uma média global de 39% e 20%, respectivamente.

Seguindo a mesma linha, 40% concordaram e 44% concordaram totalmente que as novas práticas de trabalho vêm beneficiar as trajetórias de carreira das mulheres no longo prazo. Na média global, o índice ficou em 46% e 23%. No sentido contrário, que a Covid-19 tenha efeito negativo nas trajetórias de carreira das mulheres, 52% dos brasileiros discordam e 23% são neutros (nem concordam, nem discordam). Para os outros países, a média ficou em 32% e 22%, respectivamente.

Principais habilidades das lideranças em 2021

As mudanças no cenário de negócios nos últimos 12 meses representam uma oportunidade para as organizações criarem uma cultura mais inclusiva e inovadora, na qual todos os seus funcionários estejam engajados. Mas, para aproveitar este momento, as lideranças precisarão demonstrar conjuntos de habilidades específicas.

Confira quais são as principais competências na visão dos respondentes brasileiros:

Kim Schmidt 120x120 round image.png“Apesar de alguns executivos acreditarem que a pandemia pode ter um efeito negativo na carreira das mulheres, por conta do trabalho remoto, elas estão provando que conseguem dar conta de seus diversos afazeres, conciliando a família com um bom trabalho, por meio da tecnologia. No entanto, é preciso avançar com as políticas que garantam diversidade de pensamento na tomada de decisão e a igualdade de gênero nas oportunidades de desenvolvimento de carreira nas empresas. Houve avanço, mas ainda há um longo caminho a ser percorrido.”

                                   Élica Martins, sócia da Grant Thornton Brasil

Grant Thornton
Women in business 2021

Janela de oportunidades

  • Descobertas globais e regionais
  • Avaliação do impacto da Covid-19 em Diversidade e Inclusão (D&I)
  • Ações que estão sendo tomadas

Confira os resultados dos anos anteriores

Women in Business 2020

Do plano de ação à prática

Acesse Women in Business 2020

Women in Business 2019

Construindo um plano de ação

Acesse Women in Business 2019

Women in Business 2018

Saindo da teoria, para a prática

Acesse Women in Business 2018

Women in Business 2017

Novas perspectivas sobre risco e oportunidade

Acesse Women in Business 2017

Women in Business 2016

Transformando promessas em prática

Acesse Women in Business 2016

Women in Business 2015

O caminho para a liderança

Acesse Women in Business 2015