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É praticamente unânime de que o tema sustentabilidade tem sido destaque obrigatório em grande parte das estratégias de negócios, independente do segmento de atuação. Há décadas, o tema tem ultrapassado as fronteiras do meio ambiente e mais recentemente, no âmbito corporativo, estamos vivenciando uma nova terminologia – o ESG, que engloba aspectos ambiental, social e de governança, trazendo maior foco para a integração destes aos aspectos econômico-financeiros.

Ocorre que, inexplicavelmente, temos a impressão de que ainda estamos distantes de dominar, planejar, executar, usufruir e, principalmente, obter o retorno das ações de sustentabilidade. Em outras palavras, qual o ROI das nossas ações de sustentabilidade?

A grande maioria dos estudos, publicações, relatórios e também campanhas de ações ligadas aos aspectos ESG trazem uma série de melhorias, avanços, benefícios ao bem-estar dos colaboradores e da sociedade (o que é o real propósito), porém acreditamos que existe ainda um enorme desafio para efetivamente medir e apurar se tais êxitos trouxeram consigo um retorno financeiro no bottom line destas instituições.

Os modelos de implementação e avaliação naturalmente evoluíram e já existem diversas diretrizes, metodologias, padrões e normativas, como por exemplo: Índice de Sustentabilidade Dow Jones (ISDJ), Carbon Disclosure Project (CDP), Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), Global Reporting Initiative (GRI), Integrated Report (RI), Sustainability Accounting Standards Board (SASB)  Indicadores Ethos, ISO 26000 e ISO 14000.

Cada um dos modelos citados são aplicáveis e focados em dimensões de análises específicas (mudanças climáticas, ambiental, social, processo, governança, compliance, entre outros) e, em nossa visão, atende aos requisitos de cumprimento e atendimento a padrões e práticas hoje entendidas como desejáveis de sustentabilidade, mas nenhuma delas consegue fechar o elo quantitativo e financeiro que permita a apuração do retorno de cada uma das ações.

Naturalmente, o desafio é justificado pela complexidade em medir os benefícios da integração dos aspectos ESG no core bussiness e traduzir o qualitativo em quantitativo e depois em financeiro.

Práticas de sustentabilidade em supply chain

Nessa perspectiva, a incerteza pode ser atenuada a partir de práticas, experiências e cases de sucesso nas abordagens específicas de cada segmento de mercado e que, efetivamente, seja possível de mapear, de medir e de apurar o ROI. Neste conteúdo abordamos duas das principais iniciativas e práticas de sustentabilidades aplicadas em Supply Chain Management.

Eficiência energética no transporte

Um dos itens mais relevante na composição do custo de transporte é o custo do combustível, que é facilmente medido, controlado, apurado e que impacta diretamente em qualquer balanço financeiro. Assim, a racionalização do consumo de combustível implica na eficiência do transporte que é um aspecto diretamente relacionado a ações de sustentabilidade e que obrigatoriamente, traz ganhos para a operação.

Em uma perspectiva mais estratégica, em termos de modais de transporte, convém mencionar que a relação de eficiência energética entre os modais aéreo, rodoviário, ferroviário e aquaviário tem uma relação aproximada de 1:15:50:150, isto é, para uma unidade de combustível consumido, o modal aéreo percorre 1 quilômetro, o rodoviário 15 quilômetros, o ferroviário 50 quilômetros e o aquaviário, 150 quilômetros. Dessa forma, a decisão estratégica e adequada de seleção de modais não só otimiza a logística, reduz custos como contribui significativamente na redução de emissão de dióxido de carbono.

Ainda na visão de sustentabilidade, em uma perspectiva mais tática/operacional, considerando o principal modal empregado em nosso país, que é o rodoviário, a gestão da frota de veículos e motoristas, com planos eficientes de manutenções e renovação de frota, garantem veículos rodando em suas melhores condições, tanto no que diz respeito à segurança quanto ao consumo de combustível e à emissão de poluentes.  

A otimização do transporte está relacionada, especialmente, ao melhor aproveitamento da capacidade de carga do veículo e no deslocamento otimizado nas rotas de transferência e distribuição. Ou seja, ações de planejamento de transporte que permitam maximizar ocupação do veículo, da carga de retorno e reduzir tempos de espera implica em redução do tempo de viagem, em redução da frota e, consequentemente, menores custos e menores ineficiências energéticas.

Nesse sentido, a otimização da frota e das rotas torna-se ainda mais relevante se considerarmos as sucessivas regulamentações quanto a emissões de gases poluentes, o EURO-V, atualmente vigente no Brasil, que entre outros, obriga a adição de aditivos (ARLA).

Logística reversa

Na literatura, consta que durante a quarta fase da evolução do supply chain management, especificamente vivenciado há cerca de duas décadas em nosso país, a cadeia de suprimentos tinha o maior foco no cliente/consumidor, como último elo e finalístico. Felizmente, evoluímos e temos como um dos maiores potenciais de contribuição para a sustentabilidade, a gestão da logística reversa, ou seja, o retorno de todo o fluxo de materiais, resíduos e informações para o sentido do produtor, passando pelos canais de vendas, indústria e fornecedores de matérias-primas.

Obrigatoriedades decorrentes de novas legislações apontam pressões crescentes pela responsabilidade compartilhada no ciclo de vida dos produtos, principalmente nos setores químico, de bens de consumo, eletrônicos, automotivo e telecomunicações. Novamente, é uma disciplina ampla que permite uma avaliação quantitativa em termos de volumes e custos que podem ser reduzidos.

Os principais desafios da logística reversa estão relacionados a:

  • busca de colaboração entre os diversos entes da cadeia: fornecedor, produtor e consumidor;
  • emprego de tecnologias para transformação de materiais;
  • integração de processos na cadeia de retorno;
  • consolidação dos materiais que permita o ganho de escala e, consequentemente, o tratamento e o reaproveitamento deste recurso.

Definir formas adequadas para redução, reciclagem, recuperação e destinação, é um grande desafio, cuja solução economicamente viável ainda se mostra distante, especialmente para alguns setores. Estudos de cenários e parcerias intersetoriais, o fomento de desenvolvimento de cooperativas e o estímulo de novos mercados podem trazer soluções efetivas com resultados bastante positivos.

Por outro lado, a destinação diferenciada através de processamento ou compostagem e pensar o produto desde o desenvolvimento até o descarte, buscando as melhores opções em matérias-primas e embalagens em todo o seu ciclo de vida, podem facilitar o processo de descarte adequado, aproveitamento energético e diferenciação perante o mercado.

Cabe aqui ponderar um desafio adicional neste tema relacionado a dificuldade de alinhamento e execução das políticas públicas das três esferas governamentais, cujas consequências recaem diretamente nas ações do ente privado.

Em suma, os ganhos e benefícios das iniciativas de sustentabilidade, aplicadas a supply chain em grande parte são perfeitamente passíveis de avaliação, medição e cálculo de ROI na medida em que as iniciativas de sustentabilidade trazem impacto direto nas áreas de negócio da cadeia de suprimentos, ou seja, nas atividades core de logística.

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