Planejamento sucessório e gestão de patrimônio

Para o proprietário de uma empresa familiar, quando chega a hora de abrir mão do controle e pensar no que vem a seguir, quase nunca é tão simples quanto se imaginava. A decisão de vender ou transferir o negócio a um familiar é das mais complexas. Ela coloca você diante de uma encruzilhada: é preciso comparar o valor atual da sua empresa com o que as próximas gerações podem construir sobre a base que você estabeleceu. Para quem lidera hoje, isso se torna um dilema profundamente pessoal: vender no momento certo é uma decisão inteligente para a família, ou seria abrir mão de um legado que sua família ainda poderia continuar a fortalecer no futuro?
Ao mesmo tempo, os proprietários precisam considerar como preparar a próxima geração para a responsabilidade de gerir o patrimônio que chegará às suas mãos, e pensar em estruturar um plano de sucessão bem delineado, para ajudar a garantir que todos estejam preparados para o que o futuro trouxer.
Este artigo explora como começar a preparar sua família para a responsabilidade de gerir o patrimônio (permaneça o negócio na família ou não) e como essa preparação varia conforme o caminho escolhido.


Proprietários de empresas em um impasse
Passar adiante ou vender? A decisão sobre o que vem a seguir depende de diversos fatores, incluindo a dinâmica familiar, os potenciais sucessores e a situação do negócio. Uma empresa familiar é a soma de tempo, esforço e sacrifício; por isso, não surpreende que o vínculo emocional frequentemente torne mais difícil aos proprietários avaliar as opções com objetividade. Ambos os caminhos envolvem concessões (controle vs. caixa, legado vs. independência). Apesar de trajetórias diferentes, o destino costuma ser parecido, e os sucessores precisarão se preparar para herdar o patrimônio, seja por meio do próprio negócio ou de outros ativos.
Mantendo o negócio na família

Preparo emocional
Embora o planejamento de sucessão sempre tenha exigido preparo emocional, chegar à mesa com a mentalidade certa também desempenha um papel decisivo para superar o desafio de aproximar as gerações na empresa familiar. Tensões geracionais podem surgir quando os mais jovens pressionam por mudanças rápidas e os mais velhos resistem, temendo a perda do legado.
A sucessão não diz respeito apenas a ativos, trata-se de relacionamentos. Se houver dúvidas sobre o preparo emocional, planejamento e comunicação aberta devem continuar como prioridade. Líderes atuais e os que estão chegando precisarão exercitar paciência e respeito mútuo para manter relações saudáveis e garantir transições eficazes.
Educação financeira e transparência
Outro obstáculo comum para uma transição bem-sucedida do negócio é a falta de educação financeira dos sucessores e a baixa visibilidade sobre as finanças da família e a operação do negócio. Sem entender de fato o que a geração sênior possui e como gerir esse patrimônio, os herdeiros podem se sentir despreparados para assumir a posição de sócios e administrar o patrimônio familiar. Mas isso não precisa acontecer de uma vez só; é possível construir um caminho de transparência gradual ao longo do tempo.
Preparar a próxima geração pode começar cedo, com conversas sobre finanças pessoais. Por exemplo, ensinando princípios básicos como orçamento e explicando transações financeiras em situações reais do dia a dia. À medida que a educação financeira avança, vale ampliar para conceitos mais complexos, como gestão de patrimônio e planejamento tributário e sucessório. Com o tempo, para famílias empresárias, considere compartilhar gradualmente mais informações pessoais e do negócio, incluindo ativos que vão além da própria empresa, como carteiras de investimentos, imóveis e interesses em trusts.
Além disso, estimule o desenvolvimento de habilidades financeiras, como estratégias de investimento e leitura de demonstrações financeiras. À medida que os filhos amadurecem e suas responsabilidades na família e no negócio crescem, maior transparência ajuda a tornar a zeladoria do patrimônio algo natural.



Confiança por meio da governança
Se houver uma única pessoa na próxima geração pronta para assumir o negócio da família ou preparada para receber o patrimônio familiar de outra forma, o planejamento tende a ser mais simples. Quanto mais pessoas e gerações envolvidas, maior a complexidade. Com planejamento cuidadoso e instâncias formais de comunicação, a sucessão do negócio e do patrimônio pode ser uma transição fluida, mesmo quando a passagem ocorre para diferentes gerações, em proporções distintas e em momentos diferentes.
Protocolos familiares (family charters), reuniões estratégicas regulares e outras estruturas de governança que incluam membros da família (tanto os que atuam no negócio quanto os que estão fora dele) ajudam a preparar a próxima geração para assumir maior responsabilidade sobre o patrimônio familiar. Essas regras e políticas de governança criam espaço para aprendizado e tomada de decisão, mesmo antes do início formal da sucessão. Conversas abertas sobre expectativas, papéis e preocupações são essenciais.
Os proprietários devem envolver gradualmente os herdeiros no processo de planejamento e considerar trabalhar com um mediador ou especialista em empresas familiares para facilitar as discussões e planejar a ampliação de responsabilidades. Isso ajuda a prevenir mal-entendidos e a construir consenso sobre o melhor caminho a seguir.

Da sucessão do negócio para a sucessão do patrimônio
Cada vez mais, nossos consultores observam que filhos Millennials e da Geração Z questionam se assumir a empresa dos pais é, de fato, a decisão certa para eles. E os pais empresários também demonstram hesitação em colocar o negócio nas mãos dos sucessores. Segundo um estudo nos EUA da Wells Fargo, mais da metade (52%) dos proprietários não quer que seus filhos herdem e administrem a empresa, em parte por falta de confiança de que manterão a companhia em terreno firme. Além disso, mais pais estão aceitando o interesse dos filhos em trilhar o próprio caminho e decidiram não pressioná-los a herdar o seu papel.
Se esse for o caso na sua família, o caminho à frente fica menos definido. Ainda assim, é provável que a próxima geração herde o patrimônio familiar, mesmo que não herde a empresa em si. Os princípios de preparo emocional, educação financeira e transparência permanecem fundamentais ao planejar o futuro do patrimônio familiar. Isso também se aplica quando o negócio permanece na família, mas há membros da família que não fazem parte da operação.

Herança que vai além do negócio
Mais de 60% dos proprietários de empresas não têm um plano abrangente para o futuro do seu negócio ou do patrimônio familiar, e 22% ainda não iniciaram nem o planejamento básico de transição, segundo o RBC’s Wealth Transfer Report (Relatório de Transferência de Patrimônio do RBC).
A sucessão, seja do negócio ou do patrimônio, não é um evento único; é uma jornada que combina estratégia financeira com preparo emocional. Você está transferindo ativos, mas também valores, propósito e confiança.
Para as famílias, a pergunta não é apenas “quem fica com o quê?”, mas “quem quer liderar, quem está pronto para liderar e como vai liderar?”.
É fundamental capacitar a próxima geração com recursos, bem como com as habilidades e a mentalidade necessárias para tomar boas decisões nos âmbitos empresarial e familiar. Isso significa abraçar a educação, estimular a transparência e criar estruturas de governança que favoreçam a colaboração.
Por fim, um plano de sucessão moderno convida as duas gerações a assumir novos papéis com clareza e humildade. Com planejamento antecipado, diálogo aberto e a orientação profissional adequada, as famílias podem transformar incerteza em oportunidade, preservando o patrimônio, os relacionamentos e o legado.
Como podemos apoiar nessa jornada?
Conte com nossos especialistas para estruturar um plano de sucessão claro que respeite a trajetória da sua empresa familiar e prepare a próxima geração.
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