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IA como aliada estratégica no M&A de gestão de ativos

contas e numeros em computador
Overview

Com o aumento das fusões e aquisições no setor de gestão de ativos, a pressão para identificar targets, fechar transações e fortalecer o desempenho pós‑negócio nunca foi tão alta.
Mas acelerar a identificação de targets e o processo de due diligence pode resultar na perda de insights essenciais, comprometendo o alinhamento estratégico, o valuation, a integração e a performance de longo prazo. 

Ao integrar sistemas de IA e analytics avançados ao ciclo de vida da transação, as empresas conseguem identificar insights profundos mais cedo, avaliam fatores de valor e riscos do target com mais precisão, aceleram a tomada de decisão, fecham a transação mais rápido e viabilizam uma integração pós‑fechamento mais eficiente. 

Destaques

Agregando mais valor às transações por meio da tecnologia 

A indústria de gestão de ativos e de patrimônio vive uma onda de consolidação. As organizações não buscam apenas escala com o aumento do AUM (Ativos Sob Gestão, do inglês Assets Under Management); elas também procuram aprofundar o relacionamento com os clientes, oferecendo serviços mais abrangentes e personalizados. O acesso a dados proprietários vem proporcionando uma vantagem competitiva relevante. 

Sagar Bansal, Diretor-geral e Head de Commercial Due Diligence“À medida que os clientes de gestão de patrimônio e de ativos buscam orientação mais abrangente e personalizada, há uma grande oportunidade para comprar e construir”, afirma Sagar Bansal, Diretor-geral e Head de Commercial Due Diligence da Grant Thornton | Stax. “Não se trata mais apenas de adquirir a maior empresa. Os compradores estão buscando organizações com competências específicas em áreas como indexação, gestão de obrigações de empréstimos colateralizadas (CLOs) ou integração de dados alternativos para aprimorar seu portfólio de produtos e sua proposta de valor ao cliente.” 

Esse movimento está ganhando força. Com cortes adicionais nas taxas de juros no horizonte, cresce o impulso para aquisição de targets. As transações apoiadas por Private Equity (PE) estão no nível mais alto dos últimos três anos.

Com diversos consolidadores apoiados por PE competindo pelos mesmos targets, disputas de preço tornaram‑se comuns. Com dados organizados e estruturados, IA e analytics avançados, as equipes de M&A conseguem identificar mais rapidamente os fatores de valor e riscos de uma empresa target, obtendo uma visão mais clara do potencial de crescimento e de possíveis desalinhamentos estruturais que podem impactar o desempenho no período pós‑fusão. 

“A quantidade de dados analisados em uma transação hoje é inúmeras vezes maior do que há dez anos”, afirma Ronan Curran, Sócio de Transaction Advisory da Grant Thornton. “A IA nos permite processar esse volume enquanto libera as equipes de M&A para focarem no que realmente gera valor em deals de gestão de ativos: desempenho e retenção de consultores, crescimento orgânico versus inorgânico, complexidade de integração tecnológica, preferências dos clientes e risco de portabilidade. Ela não substitui a diligência existente, ela a aprimora.” 

Due diligence comercial mais inteligente

Quando a concorrência por transações é intensa, as equipes tendem a recorrer a avaliações superficiais, como referências positivas de clientes, feedback favorável de consultores e bom desempenho recente. “Os compradores podem justificar isso dizendo: ‘Já temos uma plataforma nesse mercado. Dado o nível de competição por esse ativo, vamos seguir em frente e fazer apenas algumas solicitações de referência’”, afirma Bansal. 

Mas os fatores que realmente determinam a qualidade de um ativo geralmente estão ocultos em dashboards gerenciais e sistemas internos que uma due diligence outside‑in não alcança. Quando surgem lacunas em retenção de talentos, arquitetura tecnológica, integridade de dados ou processos operacionais, os planos de integração já estão em andamento, e as premissas de valuation ficam em risco. 

“Uma due diligence outside‑in frequentemente deixa de responder a questões essenciais, como: ‘Qual é a taxa real de retenção entre os consultores de maior performance? O que os mantém na empresa? Quanto do crescimento é realmente orgânico, e quanto se deve à valorização do mercado? Quão concentrada é a receita entre os 20% principais consultores ou relacionamentos com clientes?’”, explica Bansal. 

Bansal e sua equipe trabalham para responder a essas questões desde as fases iniciais do ciclo de M&A, oferecendo maior clareza aos compradores. No entanto, para alcançar esse nível de detalhamento, a due diligence requer: 

Sob acordos de exclusividade, os compradores podem solicitar dados brutos no formato disponível — exportações de CRM, planilhas de remuneração ou bases de contas de clientes. Grandes modelos de linguagem conseguem normalizar e processar dados estruturados e não estruturados. “Se o target disser que os dados estão espalhados entre sistemas, peça mesmo assim, porque a IA consegue processá‑los”, afirma Bansal. 

Empresas com acesso a dados proprietários sobre resultados de transações podem comparar targets com resultados de outras transações. “IA e dados do target são o mínimo necessário hoje”, comenta Ronan Curran. “As empresas que se destacam são aquelas que comparam os dados analisados com resultados reais de transações similares.” 

O acesso a dados só tem valor quando a equipe consegue convertê‑los em conclusões relevantes. “A due diligence eficaz hoje vai além de processar dados. Significa partir de hipóteses sobre o que pode determinar o sucesso ou fracasso da transação — aderência do cliente, retenção de consultores, taxas de crescimento orgânico — e então usar IA para testar essas hipóteses com dados de performance real”, explica Bansal.

Due diligence financeira mais ágil 

IA e analytics ajudam as equipes de M&A a irem além da validação das informações reportadas pelo target, permitindo testar se os demonstrativos financeiros refletem, de fato, a economia real do negócio. 

 John Cristiano, Sócio de Transaction Advisory Services “A due diligence financeira trata dos números, mas vamos além para entender o que realmente os impulsiona”, afirma John Cristiano, Sócio de Transaction Advisory Services da Grant Thornton US. “Trata‑se de avaliar tanto as finanças quanto os fatores culturais e estruturais que as influenciam.” 

A due diligence financeira identifica: 

  • Composição do crescimento 
    Lançamento de novos fundos versus entradas em estratégias existentes; mandatos institucionais versus distribuição no varejo; aquisição de novos clientes versus expansão da participação na carteira dos clientes atuais.
  • Qualidade da receita
    Concentração de clientes e fontes de capital; sustentabilidade da estrutura de taxas; volatilidade das taxas de performance.
  • Talentos
    Formas de remuneração de gerentes de portfólio e profissionais de relacionamento (participação acionária, alocação de performance por fundo ou salário e bônus) e como essa estrutura pode ser adaptada ao modelo do adquirente.
  • Alavancagem operacional
    Despesas de tecnologia em relação ao AUM; custo de compliance por fundo; eficiência das áreas intermediárias e back office em comparação com pares de mercado. 

A IA também está ampliando a qualidade e a velocidade da due diligence financeira realizada pela equipe de Cristiano. “Há dez anos, o tempo limitava o quão fundo podíamos ir”, afirma. “Costumávamos revisar balancetes resumidos e amostrar transações. Agora, o uso de data analytics nos permite analisar detalhes do general ledger e dados de transações individuais dentro do mesmo apertado período de exclusividade do LOI.” 

Essa profundidade revela o que os demonstrativos financeiros resumidos ocultam:

  • A IA pode analisar todas as contas de clientes para medir a retenção real e identificar relacionamentos em risco, em vez de depender apenas da taxa de retenção agregada reportada pela gestão.
  • Análises de despesas em nível de transação revelam ineficiências na estrutura de custos ou itens pontuais escondidos nas despesas operacionais.
  • O reconhecimento de padrões identifica anomalias, como inconsistências no reconhecimento de receitas, ajustes de taxas incomuns e reclassificações de despesas que merecem investigação. 

“Antes, os compradores dependiam da análise fornecida pelo próprio target”, afirma Cristiano. “Agora, eles podem solicitar dados brutos e desenvolver insights independentes. Informações que antes surgiam meses após o fechamento agora orientam o valuation e a estrutura do negócio antes mesmo da assinatura.” 

Integração pós‑fusão que gera valor 

A due diligence identifica riscos, valida premissas e garante o alinhamento da aquisição aos objetivos do comprador. A automação vem ajudando as equipes a descobrirem informações essenciais que revelam obstáculos de integração ainda durante a due diligence, em vez de identificá‑los somente no período pós‑fechamento. 

Quando identificadas antecipadamente, essas informações elevam significativamente os resultados da integração pós‑fusão: 

  • Inventários completos de sistemas em ambas as organizações: não apenas ERPs principais, mas também sistemas de gestão de portfólio, plataformas de CRM, ferramentas de performance e tecnologias de portais de clientes. 
  • Estruturas de dados e capacidades de integração, incluindo dados de investimentos, registros de clientes e relatórios financeiros fluem entre os sistemas. 
  • Auditorias de qualidade de dados que revelam duplicidades, inconsistências ou lacunas em dados mestres críticos (contas de clientes, carteiras de consultores, estruturas de taxas ou registros de custodiante). 
  • Documentação de processos e fluxos de trabalho nas funções‑chave: operações de negociação, onboarding de clientes, relatórios de performance e monitoramento de compliance.
  • Identificação dos processos automatizados versus manuais e de gaps operacionais.
  • Procedimentos operacionais padrão que evidenciam lacunas de capacidade ou redundâncias. 
  • Obrigações atuais de compliance e como a condição de entidade combinada altera requisitos regulatórios em diferentes geografias.
  • Diferenças na estrutura organizacional, como a forma de organização das funções de suporte, e como a consolidação afetará papéis, linhas de reporte e normas culturais da equipe. 

 Ross Sheridan, Sócio de Advisory da Grant Thornton Irlanda. “Compreender antecipadamente a jornada que uma entidade precisa percorrer gera significativamente mais valor quando a aquisição entra em vigor”, afirma Ross Sheridan, Sócio de Advisory da Grant Thornton Irlanda. Além disso, integrar dados, sistemas e processos após o fechamento pode levar tempo. E à medida que esse tempo se estende, o valor da transação pode diminuir. IA e analytics ajudam as equipes de integração a avançarem mais rapidamente, unificando ambientes de dados, identificando desalinhamentos de processos ainda no início e oferecendo à liderança visibilidade clara de como o negócio combinado está performando.

“Buscamos sinergias e desalinhamentos entre processos, dados e tecnologia”, explica Sheridan. “Mesmo quando ambas as empresas utilizam o mesmo ERP ou sistema de gestão de portfólio, podem existir diferenças significativas na forma como esses sistemas são configurados e utilizados.” 

A equipe de Sheridan utiliza IA ao longo de todo o processo de integração, desde a avaliação das funções de suporte até a elaboração dos roadmaps. Aplica‑se uma estrutura de avaliação rápida que combina ferramentas tradicionais com IA para analisar de ponta a ponta as áreas de suporte (finanças, RH, TI e compliance), o que gera um volume substancial de dados e frequentemente revela contextos não documentados. 

“Realizamos conversas extensas para capturar esse contexto e, em seguida, usamos IA para transcrever, analisar e sintetizar essas informações, permitindo perfilar processos e estruturar sua documentação”, afirma Sheridan. “A IA nos ajuda a alimentar nossos templates de avaliação e a mapear rapidamente as estruturas das áreas de suporte, identificar lacunas e detectar variações de processos que podem causar atritos durante a integração. Ela também permite conectar essas informações contextuais a dados quantitativos e KPIs, ajudando as organizações a interpretar melhor, controlar e aprimorar a performance.” 

Para gestores de ativos, uma documentação incompleta de processos pode ser comum, mesmo em grandes empresas. “A IA acelera a documentação e o desenho de processos que antes levavam semanas”, diz Sheridan. “Conseguimos concluir avaliações, desenvolver benchmarks e criar roadmaps de integração muito mais rapidamente, o que permite que as equipes operacionais iniciem a execução mais cedo.” 

Cases de uso de IA ao longo do ciclo de vida da transação 

  • Avaliar o posicionamento competitivo ao sintetizar sinais de divulgações de produtos, comentários de consultores, ratings de fundos e dados de mercado, utilizando NLP e modelos de benchmarking.
  • Detectar padrões de comportamento de clientes e consultores, como indicadores iniciais de churn, risco de resgates ou queda de engajamento.
  • Identificar fatores de performance por segmento ao analisar a economia em nível de cliente, fundo e canal, revelando onde estão a lucratividade e a resiliência.
  • Evidenciar riscos de concentração em clientes, produtos, consultores e canais, e quantificar como impactariam o crescimento e a estabilidade futura.
  • Identificar oportunidades de cross‑sell e expansão do wallet share ao compreender comportamentos dos clientes, preferências de produtos e tendências de conversão. 
  • Automatizar análises de tendências financeiras e detecção de anomalias.
    Conciliar dados entre sistemas (GL, ERP, faturamento, folha de pagamento etc.).
  • Detectar inconsistências no reconhecimento de receitas e nas estruturas de custos.
  • Validar a performance dos fundos e o alinhamento das estruturas de taxas.
  • Analisar a performance de fundos e contas, distinguindo entre crescimento de AUM impulsionado pelo mercado e crescimento orgânico proveniente de novos ativos ou clientes.
  • Realizar análises históricas de fluxo de caixa e comparar com projeções. 
  • Destacar alocações de despesas incomuns ou questões relacionadas à remuneração.
  • Analisar a performance de talentos, incluindo riscos de concentração e estruturas especiais de compensação.
  • Avaliar padrões de churn e retenção de clientes.
  • Avaliar a qualidade e a completude dos dados antes do fechamento. 
  • Mapear e alinhar sistemas de dados de clientes, faturamento e fundos.
  • Normalizar estruturas de dados e convenções de nomenclatura entre as empresas combinadas.
  • Monitorar KPIs em tempo real relacionados à captura de valor da transação.
  • Acompanhar retenção de clientes, migração de ativos e riscos de interrupção de serviços.
  • Analisar tendências de retenção de funcionários e engajamento de talentos no período pós‑fechamento.
  • Identificar gaps de processos ou lacunas de compliance antecipadamente.
  • Integrar‑se a ERPs para automatizar dashboards e relatórios unificados, garantindo maior visibilidade para a liderança.
  • Conectar dados contextuais a dados quantitativos para melhorar a interpretação, o controle e a performance operacional

Primeiros passos

A atividade de M&A no setor de gestão de ativos e de patrimônio deve acelerar rapidamente nos próximos cinco anos. Compradores que utilizam IA e analytics avançados identificam insights mais profundos e com maior rapidez ao longo de todo o ciclo da transação. Conectar esses insights entre as fases de due diligence e integração resulta em otimização do valor gerado. 

“Grande parte do valor ainda se perde nos primeiros dias após a aquisição porque insights críticos que poderiam ser identificados durante a due diligence não receberam a devida atenção”, afirma Ronan Curran. “Com os dados que agora conseguimos obter e analisar nas atividades de due diligence, os compradores podem aprofundar a análise sobre geração de valor antes do fechamento, reforçando a confiança nas decisões de investimento e na estratégia para gerar valor de forma mais ágil no pós‑aquisição.”