Due diligence de cultura: fator invisível que determina o sucesso
31 mar. 20265 min leitura
Destaques
Em um cenário corporativo em que fusões e aquisições (M&A) voltam a ganhar ritmo – com mais de R$ 195 bilhões movimentados no Brasil em 2024, segundo o Valor Econômico – o crescimento inorgânico segue sendo uma das principais estratégias de expansão empresarial. No entanto, embora 75% do crescimento global decorra de M&A, a taxa de falha dessas operações ainda é alarmante: entre 70% e 90%, conforme estudos da Harvard Business Review.
O que explica esse paradoxo? Cada vez mais, a resposta aponta para um fator imaterial, mas determinante: a cultura organizacional. Compreender essa dinâmica é fundamental para entender por que a cultura se tornou um dos principais determinantes do sucesso ou fracasso em M&A.
A cultura como vetor de valor ou de ruptura
De acordo com a McKinsey (2024), empresas que gerenciam a cultura de forma estruturada durante o processo de integração têm 50% mais chances de atingir ou superar suas metas de sinergia, tanto em custos quanto em receitas.
Negligenciar o fator humano e cultural pode transformar uma oportunidade bilionária em um ativo de risco, e quando a cultura não é considerada, surgem sintomas claros:
Perda de clientes e, consequentemente, faturamento;
Queda de produtividade e aumento de custos operacionais;
Perda de talentos, lideranças-chave e histórico do negócio;
Dificuldade em capturar sinergias no tempo previsto.
Esses efeitos são resultado direto da falta de alinhamento entre valores e comportamentos, símbolos, sistemas e narrativas. Por exemplo, empresas com crenças opostas sobre o que significa "alta performance", "bom líder" ou "cliente satisfeito" tendem a entrar em colisão logo nos primeiros meses da integração.
O papel da cultura nas fusões: etapas essenciais
Realizar uma Due Diligence de Cultura é tão crítico quanto o levantamento financeiro, jurídico ou operacional de uma fusão. Trata-se de mapear antecipadamente os "jeitos de ser e fazer" das organizações envolvidas, identificar as zonas de compatibilidade e os potenciais choques culturais que podem comprometer o sucesso da transação.
Diagnóstico da Cultura Atual
Nesta fase, investiga-se profundamente a cultura de cada empresa, observando valores dominantes, estilos de liderança, relações de poder, conceitos de excelência e subculturas existentes.
Vale lembrar que cultura, de acordo com Edgar Schein, é o conjunto de pressupostos básicos compartilhados que um grupo aprendeu ao resolver seus problemas de adaptação externa e integração interna. Quando falamos em M&A, estamos diante de duas organizações com contextos, culturas e marcas únicas. Como reforça Carolyn Taylor em "Walking the Talk", quando duas organizações se unem, existem quatro opções culturais: escolher uma das culturas, manter as duas, pegar o melhor de cada ou construir uma nova. Para Taylor, é melhor definir essa opção antes da decisão de seguir adiante no M&A.
Análise das Culturas A x B
Nesta etapa é possível ter clareza dos principais riscos e desafios a serem enfrentados no momento de integração. Através de IA, cruzamos o mapeamento das culturas reais de cada empresa, que transforma percepções e sentimentos em dados visualizados numa matriz teórica e comportamental, baseada em estudo e metodologia da Harvard Business Review.
Plano de Integração Cultural
Considerando as convergências e lacunas entre as culturas, esta etapa recomenda como integrar culturalmente, reduzindo riscos e acelerando sinergias. São definidos pilares estratégicos da integração, alinhamentos de rituais e sistemas, práticas de liderança, ações de comunicação interna e momentos de feedback.
O ponto de convergência é a construção da narrativa que conecta estratégia, cultura e liderança.
Como precisamos que as pessoas pensem, ajam e decidam para alcançar os resultados desejados?
Que lideranças serão modelo da nova cultura?
Que cultura sustentará os comportamentos necessários ao sucesso da integração?
Por que investir em cultura em um M&A?
Empresas que priorizam a cultura conquistam integrações mais rápidas, sinergias sustentáveis e maior retenção de talentos – construindo organizações não apenas mais rentáveis, mas também mais coerentes com seus valores e propósito.
Exemplos do mercado
Por trás de cada M&A de sucesso ou fracasso está sempre a forma como esta foi conduzida. A compra da Votorantim Siderurgia pela ArcelorMittal (2016-2018) foi conduzida com cuidado, aproveitando as melhores sinergias entre os negócios e respeitando as culturas locais. Em contraste, a tentativa de fusão entre Carrefour e Pão de Açúcar (2011) foi marcada por divergências de controle, objetivos conflitantes e choques culturais não resolvidos. Esses exemplos ilustram como a abordagem cultural pode ser o divisor de águas entre sucesso e fracasso.
Conclusão: A cultura como Due Diligence estratégica
Criamos o “Fusian”, nosso produto de Due Diligence de Cultura, pensando justamente em preencher esta lacuna de falhas em fusões e aquisições no mercado de M&A’s, apoiando uma gestão estratégica e construindo lideranças conscientes ao longo desta jornada – com a ambição de atuar como o verdadeiro diferencial entre uma fusão promissora e uma integração frustrada. Empresas que investem em cultura não apenas somam resultados: elas multiplicam valor.
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