ARTIGO

Como as transações de M&A são impactadas pela Covid-19?

João Rafael Araújo João Rafael Araújo

Ao longo das últimas semanas nos deparamos com uma nova métrica de geração de caixa: a “EBITDAC”. Criada com um tom de brincadeira, essa nova métrica corresponde ao tradicional EBITDA, ajustado pelos efeitos relacionados à pandemia de Covid-19 - Interest, Taxes, Depreciation, Amortization, and Coronavirus.

A associação decorre da presunção de que qualquer resultado negativo apurado será atribuído à crise provocada pelo novo conoravírus, o que não é verdade. Entretanto, o exercício de se tentar mensurar os impactos é legítimo e é um dos aspectos críticos das diligências contábeis e financeiras que estão sendo conduzidas atualmente.

Entre os objetivos das diligências está, justamente, a tentativa de normalizar os efeitos não recorrentes com o objetivo de subsidiar os valuations em transações de fusões e aquisições. Aspectos como:

  • Reduções de demanda;
  • Disrupção na força de trabalho;
  • Limitações às operações impostas pelos governos; e
  • Impactos na cadeia de suprimentos.

São alguns exemplos de como as operações e, consequentemente, os resultados podem ter sido impactados pela pandemia.

No entanto, esse exercício de normalização tem um outro desafio, provavelmente bem mais complexo, que é estabelecer o que será o novo normal.

Esse conceito, que já se popularizou, além de impactar potencialmente os resultados atuais, influenciará principalmente os resultados futuros das organizações.

  • Como as mudanças nos hábitos de consumo impactarão os resultados futuros e, por consequência, os valuations das empresas que estão em processo de M&A?
  • Quantas pontes aéreas serão substituídas por videoconferências?
  • Os imóveis residenciais sofrerão uma valorização em função dos novos hábitos de trabalhar em casa e os imóveis comerciais perderão valor?

Independentemente do setor de atuação, são inúmeros os exemplos de como o “novo normal” irá afetar o modo como conduzimos nosso cotidiano e como as organizações serão impactadas. 

A complexidade desse exercício nas empresas vai além dos números. Implica, no limite, em revisar os próprios modelos de negócio com base nas mudanças nos hábitos de consumo. A percepção do impacto dessa nova realidade e a agilidade na adaptação por parte das empresas será crucial para o sucesso e para a geração de valor. Da mesma maneira, os avaliadores terão o desafio de mensurar, tanto a capacidade das empresas se reinventarem, quanto a efetividade das ações sobre os resultados futuros.

A mensuração dessa geração ou perda de valor é um grande desafio. Por outro lado, existem ativos que podem ser beneficiados ou estarem subavaliados pelo momento, o que pode representar uma grande oportunidade de investimento.

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