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A tecnologia blockchain é a mais correta?

A tecnologia blockchain já desempenha um papel crucial no setor financeiro. Agora, outras indústrias tem demonstrado interesse, diz Luis Pastor, sócio de Inovação e Consultor de TI da Grant Thornton Espanha.

Originalmente criado como uma tecnologia para apoiar a moeda digital 'bitcoin', o blockchain foi aproveitado pelo setor de serviços financeiros, e vem desempenhando um papel crucial no rastreamento e autenticação de transações.

Em 2015, foi revelado que nove dos maiores bancos de investimento do mundo, incluindo instituições como Goldman Sachs, JP Morgan e Credit Suisse, exploravam padrões comuns relacionados com a tecnologia blockchain em um esforço para ampliar seu uso em todo o setor.[1] Várias faixas de empresas financeiras, incluindo três seguradoras, além da Toyota Financial Services, desde então se juntaram a eles, formando um consórcio de 45 empresas focadas em pesquisa e desenvolvimento do uso da tecnologia blockchain nesta área.

Enquanto isso, Simon Taylor, vice-presidente de P&D desta tecnologia para o Barclays PLC, descreveu a capacidade do blockchain para fornecer uma lista continuamente crescente de registros, seguros contra adulteração e revisão, como "uma espécie de camada de proteção para os serviços financeiros - um livro de registros para o mundo.”[2]

O setor financeiro claramente vê diversas oportunidades na adoção do blockchain. Uma recente pesquisa realizada pela Greenwich Associates sugere que a tecnologia ainda não atingiu o seu pico, com uma estimativa de US$ 1 bilhão a ser investido pelos mercados financeiros e de tecnologia somente em 2016.

Outros setores estão adotando a tecnologia blockchain

É claro que, se as empresas de serviços financeiros podem encontrar vantagens em sua adoção, então é válida a pergunta sobre o que esta tecnologia pode oferecer a outros setores. Alguns exemplos já estão começando a surgir. A área de seguros, por exemplo, é uma delas.

O setor está empregando a tecnologia blockchain para registrar bens de luxo e evitar roubos e fraudes. Em um dos projetos, que envolve a Interpol, as seguradoras e os distribuidores de diamante, estão trabalhando para conter o fluxo de "diamantes de sangue" no mercado de pedras preciosas. Pois, o blockchain oferece o que muitos esperam ser um registro à prova de falsificação, recursos para comprovar a proveniência dos diamantes.

No setor da saúde, ele está sendo considerado como uma solução contra a falsificação de medicamentos. A criação de um banco de dados descentralizado e com registros médicos, que daria aos pacientes um maior controle sobre seus dados pessoais, também está sendo explorado.[3]

Estes exemplos mostram claramente os benefícios tanto para indústrias quanto para os setores. Mas, o blockchain pode ajudar as empresas a oferecerem um benefício direto para os seus clientes - melhorando a experiência do cliente, o padrão de lealdade e até os lucros?

Uma start-up de fornecimento de energia na Austrália certamente acredita que sim. A PowerLedger[4]adotou um registro seguro de blockchain para capacitar os residentes na costa oeste do país, que tem mais de 300 dias de sol por ano, a negociar o excesso de energia gerado por meio de seus painéis solares. A empresa será capaz de comprar, vender ou trocar o excesso de energia solar com qualquer pessoa conectada à rede de distribuição Western Power Distribution.

A co-fundadora da empresa, Jemma Verde, acredita que os consumidores "querem tomar o controle de sua própria geração e consumo de energia", ao invés de apenas vender de volta aos fornecedores de energia. E ela acredita que esta ferramenta é ideal para entregar esse tipo de serviço. "Queremos mostrar que a ela é tão simples de usar que qualquer pessoa pode usufruir disso", disse a executiva no lançamento da empresa, no início deste ano.


Diante disto, como avaliar o valor da tecnologia blockchain para o seu negócio?

Enquanto o hype em torno do blockchain pode sugerir que ele esteja apto a ser aplicado a qualquer negócio, essa nem sempre é uma solução adequada. Então, como podemos garantir que essa é uma opção viável para o seu negócio na qual você pode realmente adicionar alguma vantagem competitiva? E como você implementa algo assim?

Essas considerações podem ser divididas em três etapas principais:

1. Treinamento  

A fase de treinamento refere-se a obtenção de experiência prática de como funciona um blockchain, onde podem ser aplicados e como aproveitar tal recurso. Ela é feita muitas vezes por meio de estudos de casos.

2. Diagnóstico de um case de negócios  

O diagnóstico dos custos e benefícios relacionados com a utilização de um blockchain, no contexto de um business case, também é vital.

3. Desenvolvimento  

A fase de desenvolvimento exigirá que você entenda qual é a solução certa para você. Neste momento, não existem produtos exclusivos "plug-and-play" no mercado, sendo que cada solução deve ser feita sob medida.

Naturalmente, este processo não é simples e você provavelmente ainda enfrentará muitos desafios ao longo do caminho. A implementação de um programa de mudança, dessa magnitude, é demorado. Com o blockchain, uma vez que um protocolo é desenvolvido, você deve estar preparado para ajustar a tecnologia em seu produto. E, por conta deste conceito continuar a evoluir, novos avanços estão surgindo o tempo todo.

Existem outros desafios relacionados com a indústria a serem considerados também, como as leis específicas de cada setor e as regulamentações governamentais.

Para os projetos mais abrangentes da indústria, é sempre melhor incluir órgãos reguladores desde o início. Embora o interesse de early adopters, como a China, Estônia, Índia, Cingapura e Reino Unido seja particularmente forte, muitos governos e órgãos reguladores ainda não estão prontos para esta tecnologia e, nesses casos, temos de encontrar uma solução sem usá-la.

Tudo isso significa criar uma ponte de colaboração com peritos e a abertura para "testar e adaptar" um produto.

O blockchain promete criar enormes perturbações em muitos setores e, potencialmente, algumas empresas podem deixar o mercado por conta disso. Mas, com a experiência certa e adotando uma abordagem colaborativa, a tecnologia também poderá ajudar empresas a ultrapassarem seus concorrentes.

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