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O quebra-cabeça da produtividade

Por que precisamos nos preocupar com a queda nas taxas de produtividade e como as empresas devem reagir?

Durante décadas, melhorias na produtividade impulsionaram o crescimento global. Avanços tecnológicos, novas formas de trabalho e melhorias em transporte e em infraestrutura tornaram as empresas mais eficientes e rentáveis. Ao mesmo tempo, o aumento nas taxas de natalidade trouxe mais jovens para o mercado de trabalho, e em contrapartida um número relativamente menor de idosos dependendo de pensões.

No mundo todo isso gerou condições de vida melhores para as pessoas, uma vez que a renda global triplicou nos últimos cinquenta anos e milhões de pessoas saíram da pobreza. Parecia que esta movimento de expansão duraria para sempre.

No entanto, essa tendência de maior produtividade que gerava mais crescimento e nos deixava mais ricos parece ter desacelerado. Segundo um relatório recente da McKinsey – É possível salvar o crescimento global em longo prazo? – as taxas de produtividade devem cair quase pela metade em todo o mundo, de 3,8% por ano, entre 1950 e 2014, a aproximadamente 2,1%, entre 2014 e 2064.

Por que isso está acontecendo e o que podemos fazer?

Transformação demográfica

Uma maior expectativa de vida é um sinal de progresso. Nosso enriquecimento nos permitiu concretizar essa aspiração por meio de uma maior oferta de alimentos, melhores dietas e uma melhor assistência médica. No entanto, com o crescimento da expectativa de vida, o número de idosos que precisam de auxílio também aumenta.

Ao mesmo tempo, as taxas de fertilidade de muitos países estão em declínio, o que significa que a força de trabalho necessária para sustentar o número crescente de idosos está diminuindo. Os ventos demográficos que davam ainda mais força às nossas economias começaram a soprar na direção oposta.

Com isso, as perspectivas para o crescimento global passam a se concentrar na produtividade, ou seja, aumentar os resultados gerados durante cada hora trabalhada. Se a produtividade não aumentar, as melhorias nos padrões de vida sofrerão as consequências.

A contribuição das empresas

Novas tecnologias são geradas por pesquisa e desenvolvimento (P&D) e o diretor financeiro Dr. Arne Schneider da Elmos Semiconductor AG, uma fabricante de produtos de tecnologia de ponta com sede em Dortmund, Alemanha, afirma que tanto as políticas do governo alemão quanto a estratégia de investimento da empresa têm foco nas melhorias tecnológicas.

“Instalações de ensino superior eficazes são a base sólida para o sucesso em P&D. No entanto, como empresa e talvez até como país, precisamos pensar no tipo de contribuição específica que podemos oferecer e no volume de comprometimento que essa contribuição exige da P&D”, diz ele.

“O uso inteligente da tecnologia é um fator importantíssimo para manter a nossa vantagem competitiva em um país de alto custo. A Elmos investe cerca de 15% das vendas no desenvolvimento de novos produtos. Consideramos a nossa alta taxa de P&D como um pré-requisito para o crescimento futuro.”

O resultado desse investimento, diz Schneider, é percebido não só na rentabilidade da empresa ou no melhor desempenho econômico do país, mas também em avanços reais nos padrões de vida.

“Para melhorar a vida das pessoas é preciso investir em tecnologia. O setor automotivo da Alemanha e de vários outros mercados é um excelente exemplo disso. Acredito que condução autônoma, melhor eficiência energética ou zero acidentes são objetivos dignos de se buscar”, diz ele.

Integração de novas tecnologias

Uma pesquisa recente da OCDE mostrou que algumas empresas líderes do mercado, como a Elmos, apresentam aumentos de produtividade significativos, enquanto empresas menores e menos inovadoras ficam cada vez mais atrasadas. O segredo desse sucesso está, não só nos avanços tecnológicos, mas também na capacidade que essas empresas têm de fazer mudanças em suas próprias organizações e na habilidade de seus funcionários para utilizar as novas tecnologias disponíveis.

Em outras palavras, as empresas precisam da vantagem comercial proveniente dos avanços tecnológicos fornecidos por P&D, mas, para obter todo o dividendo de produtividade, elas precisam integrar tais avanços com eficácia na forma como operam.

O que é animador é que o International Business Report (Relatório Internacional de Empresas) da Grant Thornton mostra evidências de um foco renovado nos avanços tecnológicos. Na América do Norte, a proporção de empresas que planejam aumentar suas atividades de P&D girou em torno de apenas 14% de 2010 a 2013. No entanto, os dois últimos anos mostraram aumentos significativos, chegando a 25% em 2014 e a 34% nos últimos doze meses, alcançando o nível das nações emergentes do BRIC e do MINT. Na Europa, mesmo com problemas econômicos, houve um aumento de 15% em 2013 a 24% nos dias atuais.

Além disso, 41% das empresas de todo o mundo planejam incentivar melhorias de produtividade ao longo dos próximos doze meses, enquanto 32% esperam desenvolver ou lançar um novo produto ou serviço.

Não há uma única solução

A tecnologia não é a única solução para o quebra-cabeça da produtividade. Outra forma de aumentar a produtividade global é garantir que a força de trabalho disponível no mundo todo seja usada da maneira mais eficiente possível, o que significa aumentar a diversidade e dar a todos a oportunidade de contribuir o máximo possível.

Outro relatório da McKinsey – Como o aumento da igualdade de gênero pode acrescentar US$ 12 trilhões ao crescimento global – sugere que a melhoria na igualdade de gênero no local de trabalho pode estimular o crescimento global. Um estudo recente da Grant Thornton – Mulheres nos negócios: o valor da diversidade – estima que o custo de oportunidade de empresas de capital aberto na Índia, nos Estados Unidos e no Reino Unido com apenas homens em suas diretorias seja de US$ 655 bilhões.

Estimular a participação das mulheres na força de trabalho não só aumentaria o crescimento das taxas de emprego, mas também melhoraria a tomada de decisões de negócios.

O quebra-cabeça da produtividade é complexo. Será necessário um esforço conjunto de governos, de empresas e da sociedade como um todo para reverter a queda prevista nas taxas de crescimento no mundo. Líderes empresariais dinâmicos e dispostos a correr riscos em um mundo de incertezas, por exemplo, para investir em novos produtos e promover uma influência diversificada e contestadora, beneficiam tanto suas operações quanto a sociedade em que vivem e trabalham.

 

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