ARTIGO

Quais os impactos da IFRS 16 nos valuations e nas transações de M&A?

João Rafael Araújo João Rafael Araújo

As demonstrações contábeis representam uma das principais fontes de informação quando estimamos o valor das empresas, que acabaram sendo alteradas com a adoção da IFRS 16. Apesar do avanço na maturidade e aplicação da norma nas demonstrações financeiras de 2019, as organizações precisam se atentar sobre seus reflexos sobre os valuations que podem ser impactados pelos critérios associados à norma de contratos de arrendamento. Caso as empresas não ajustem as avaliações, as transações de M&A tendem a seguir de maneira equivocada.

A avaliação do valor de uma empresa, de maneira simplificada e sem aprofundamento nos conceitos de fluxo de caixa descontado (DFC), deve partir da geração de caixa operacional – em alguns casos representada pelo EBITDA – trazida a valor presente e ajustada pelo excesso ou insuficiências de capital de giro, reduzido pelos investimentos ao longo do tempo e pela dívida líquida. Em resumo:

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Com os requerimentos introduzidos pela IFRS 16, todos os pagamentos futuros relativos aos aluguéis que, antes da adoção da norma eram tratados mensalmente como despesas, passaram a ser reconhecidos como uma dívida, com um correspondente ao valor futuro dos pagamentos do contrato em contrapartida a um ativo relativo ao direito de uso do bem.

A partir do reconhecimento inicial, a dívida é atualizada, aumentando as despesas financeiras, e o direito de uso é amortizado. Nesse caso, as despesas de aluguel para esses itens deixam de existir.

Dessa forma, teremos um aumento em EBITDA, devido à exclusão da despesa do aluguel, além de outros reflexos nas contas de apuração do EBITDA a partir da apuração do lucro como o aumento das despesas de amortização e das despesas financeiras.

Adicionalmente, em virtude do aumento no passivo, haverá também um aumento da dívida líquida e os aumentos nos direitos de uso deverão ser considerados como parte dos investimentos na fórmula acima.

O que considerar para estimar o valor de uma empresa?

Ao considerar todos esses efeitos, em teoria, o valor de empresa (Equity Value) continuaria o mesmo. No entanto, é importante considerar, entre outros, os seguintes aspectos para estimar o valor de uma empresa:

  1. As métricas em termos absolutos e, muitas vezes, em termos relativos vão mudar. Por exemplo, o EBITDA em si, vai mudar, e as métricas de cobertura de dívida vão mudar.
    • Consequentemente, avaliações com base em múltiplos de EBITDA, por exemplo, precisarão ser ajustados para evitar subavaliações ou superavaliações;
    • Além disso, cláusulas de desempenho futuras baseadas nessas métricas, para fins de earn-out ou remuneração dos administradores, precisam considerar essas mudanças nas métricas.  

  2. As estruturas de capital irão mudar, em função dos aumentos na dívida, o que pode gerar uma percepção de risco diferente no momento da elaboração de uma taxa de desconto.

  3. Os reinvestimentos em Capex também devem contemplar os acréscimos ao longo do tempo nos ativos de direito de uso.

A lista acima não tem por objetivo ser exaustiva, mas é possível afirmar que a modelagem de valorização precisa ser ajustada para que a adoção da norma de contratos de arrendamentos não impacte no valuation e a empresa obtenha conclusões equivocadas. Afinal de contas, considerando que a geração de caixa não muda, assim como o volume de negócios, uma nova regra contábil, apesar de toda a luz que traz sobre os arrendamentos, por si só, não deveria alterar o valor do negócio.

Como podemos auxiliar a sua empresa nesse momento?

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