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A transformação digital tem mudado as características do setor financeiro, que vem passando por mudanças significativas, especialmente na última década, com o surgimento de diversas instituições que fazem parte do ecossistema do sistema financeiro: empresas de meios de pagamento, bancos digitais, fintechs de crédito, empresas de informações de mercado e educação financeira, plataformas de investimentos, entre outras.
Destaques

Nesse processo, muitas empresas de diversos segmentos perceberam que seus negócios já possuíam ou precisavam de operações financeiras, seja para melhorar suas transações, processamentos e processos, otimizar resultados financeiros ou até mesmo aproveitar oportunidades em suas cadeias de valor. A pandemia potencializou esse crescimento.

De acordo com levantamento da empresa americana de análise da internet ComScore, o Brasil registrou um aumento de quase 200% no acesso a bancos digitais em abril de 2020. Entre os 20 serviços financeiros online mais acessados em março deste ano, mais de 50% foram fintechs ou bancos digitais. O relatório 'Estado do banco digital da América Latina' aponta que o alcance dos sites bancários no Brasil chega a 73%; no Chile o índice é de 66% e 61% na Argentina. Os sites que possibilitam pagamentos virtuais também tiveram aumento de audiência de janeiro de 2020 a janeiro de 2021: o crescimento do Pagseguro foi de 216% e do PicPay 80%.

Alto padrão de exigências do setor financeiro

O setor bancário tradicional já está adequado ao alto padrão de exigências e níveis de regulamentação, como ressalta Thiago Brehmer, sócio líder de Serviços Financeiros da Grant Thornton Brasil. “Em termos de regulação, o Banco Central (Bacen) sempre esteve muito à frente com o que chamamos de regulação prudencial, que teve início no país nos anos 2000, com a criação das regras de gerenciamento de riscos e adesão às práticas internacionais de gerenciamento de capital, por meio do ‘Acordo da Basiléia’, fazendo com que as instituições autorizadas a operar pelo Bacen tivessem que se adaptar a determinados padrões, e que culmina com a adoção da Resolução 4.557 (GIR – emitida em 2017), que determina um olhar para o risco de forma integrada, já considerando a multiplicação do mercado”.

“Após uma significativa evolução na questão prudencial, passamos a ter um olhar para a inovação do sistema financeiro. Com base nesse olhar surge a agenda #BC (lançada pelo Banco Central em 2018), que fomenta processos mais digitalizados, automatizados, produtos com propósito de ampliar a bancarização e o leque de empresas que atuam no mercado financeiro. Percebemos a robustez do sistema quando o próprio regulador começa a trazer temas de inovação e uma agenda mais tecnológica, como por exemplo o PIX e o Open Banking”.

O Open Banking complementa uma demanda surgida com o avanço do mercado, possibilitando o compartilhamento padronizado de informações, com autorização do cliente. Na visão de Brehmer, faz parte da proposta de democratização de acesso ao sistema financeiro, possibilitando que o cliente, a partir de seus próprios dados, consiga benefícios em diferentes instituições, como produtos e serviços mais aderentes às suas necessidades, reforçando o conceito de trazer esse consumidor para o sistema financeiro e empoderá-lo.

No caso do PIX, além da velocidade na realização de transações, abriu-se a possibilidade de que outras instituições, além daquelas que já operavam nos arranjos de pagamento tradicionais, se tornassem iniciadores e intermediadores de pagamento (participantes indiretos), fazendo com que mais clientes pudessem ter acesso ao sistema de pagamentos eletrônicos, até então restritos apenas àqueles que possuíam contas correntes.

Mercado maior, necessidade crescente de gestão de riscos

Diante desse ambiente em constante evolução, Brehmer explica que é fundamental garantir que as instituições mantenham bons níveis de gerenciamento de riscos e compliance. “Há diversos requisitos que precisam ser observados e cumpridos pelas instituições financeiras para que toda essa evolução continue acontecendo, inclusive hoje, quando falamos de LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados), em relação à maneira pela qual ocorrerá o armazenamento de dados, há controles que precisam ser implementados com os dados de clientes, na atuação diante da demanda de informações, entre outros aspectos”, alerta. “Atuamos principalmente garantindo que as instituições atendam o que é requerido pelo regulador e com as boas práticas de mercado, garantindo assim que nossos clientes possam seguir inovando e focando no crescimento de seus negócios”.

Para o especialista, existem muitas instituições que chegam ao mercado com grandes ideias de negócio, mas não necessariamente têm uma cultura de gerenciamento de riscos, controles e governança, e isso pode trazer impactos às empresas e riscos ao sistema. “Existem muitas empresas, como as próprias fintechs, que não necessariamente são reguladas pelo Banco Central, mas quando começam a buscar investidores no mercado, esse investidor quer enxergar nelas uma governança parecida com a das instituições financeiras já estabelecidas, com modelo de gerenciamento de risco, regulação prudencial, controles, compliance e ações que garantam que o capital estará seguro e bem gerenciado. Por isso, o tema acaba entrando na pauta dessas empresas que a princípio não teriam essas obrigações”.

O movimento do mercado gera demanda e leva a uma regulação, com exigências cada vez maiores a todas as instituições que de uma forma ou outra operam no setor financeiro. “Muitas empresas podem não sobreviver no mercado por não conseguirem se adequar, principalmente ao custo de observância regulatória, por isso precisam estar minimamente preparadas. Quando falamos em gerenciamento de riscos, compliance e governança, são coisas intrínsecas diretamente relacionadas ao dia a dia da operação e não dissociadas ou acessórias como se pensava até então. A disseminação dessa cultura é muito positiva, pois contribui para que o mercado siga sendo reconhecido por seu alto padrão técnico e de solidez”, conclui.

 

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