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Contabilização de goodwill: discussões e divergências seguem no mercado

Matthew Esposito
By:
Matthew Esposito
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Há vinte anos, o Financial Accounting Standards Board (FASB) e o International Accounting Standards Board (IASB) mudaram a maneira de contabilizar o goodwill, o que é motivo de discussões e debates até os dias atuais.
Destaques

O que é goodwill?

O goodwill é o excesso da contraprestação transferida (normalmente dinheiro e/ou ações) pela empresa adquirente sobre o valor justo dos ativos adquiridos e passivos assumidos da empresa-alvo. Antes dessa atualização em 2001, o goodwill era amortizado por tempo finito, podendo chegar até 40 anos.

Opções de eliminação de amortização

A eliminação da amortização do goodwill não foi tratada de forma simples pelos Conselhos. Diversas opções foram consideradas, tais como:

  • Baixar toda ou parte do goodwill imediatamente
  • Registrar como um ativo amortizável ao longo de sua vida útil
  • Registrar como um ativo que não é amortizado, mas revisado para redução ao valor recuperável
  • Registrar como um ativo, com uma parte amortizável e outra não amortizável (abordagem mista)

O método de baixa imediata não foi selecionado, pois o goodwill é considerado um ativo e uma baixa imediata prejudicaria a própria decisão de que era um ativo a ser reconhecido. O método de amortização não era mais a abordagem preferida, pois nem todo goodwill era considerado um ativo sujeito à perda, sendo que o método de amortização linear não corresponderia à realidade econômica, resultando em demonstrações financeiras que não seriam mais comparáveis ​​para os investidores.

Além disso, registrar uma parte do goodwill como um ativo amortizável não era praticável porque seria muito difícil separar. Esse longo debate pelos Conselhos e stakeholders resultou na Opção 3 (um ativo que não deve ser amortizado) como a abordagem preferida após 2001.

No entanto, o debate sobre a amortização não cessou. Muitas vezes, quando uma entidade reporta uma perda por redução ao valor recuperável de goodwill (perda não-caixa reportada), a entidade identificará essa perda especificamente em suas divulgações e conferências de resultados. Como isso não afeta o fluxo de caixa operacional, os investidores podem não se pronunciar. Entretanto, alguns stakeholders preferem a abordagem de vida indefinida – redução ao valor recuperável, pois acreditam que uma redução ao valor recuperável indica que a administração pode ter pagado a mais por uma aquisição ou não obteve o valor esperado da aquisição. Tal evento de impairment seria útil para os investidores conhecerem, pois é um reflexo das decisões da administração.

Aqueles que preparam demonstrações financeiras muitas vezes criticam o modelo de impairment.

Contabilização de goodwill

Em reuniões, algumas lideranças manifestaram interesse em apenas dar baixa no goodwill na data da aquisição, para que não precisem realizar testes de impairment posteriormente e fundamentar seus resultados para os auditores independentes. Outras lideranças notaram que isso pode ser muito extremo e teriam dificuldades em justificar aos seu CEOs as razões de uma boa decisão estratégica resultar em uma perda imediata. Eles prefeririam retornar à uma abordagem de amortização, que deveria aliviar a pressão de futuros testes de impairment.

Há, inclusive, discussões em que gerentes de unidades de negócios reclamaram que estavam sendo responsabilizados por um goodwill que não criaram nem conseguiram identificar sua origem, pois a aquisição ocorreu em períodos anteriores à sua chegada à essa função ou a essa empresa.

E, por último, algumas empresas são tão focadas em aquisições que o fundo de comércio pode ser um dos maiores ativos em seus balanços patrimoniais, e essas empresas não gostariam que ele fosse contabilizado como despesa, pois isso reduziria seus lucros nos próximos anos e poderia alterar da posição de excedente de patrimônio para déficit patrimonial.

Gaps no modelo de contabilização de goodwill

Depois de quase vinte anos estamos identificando gaps no modelo de contabilização de goodwill que foi desenvolvido nos Estados Unidos. Em dezembro de 2020, o FASB decidiu provisoriamente voltar ao modelo de amortização de goodwill e está considerando uma abordagem linear por um período não superior a dez anos. Isso seria um afastamento significativo do GAAP atual e uma divergência em relação ao IFRS, onde os dois regimes contábeis estavam substancialmente alinhados. É incrível o que uma composição diferente de membros do Conselho pode fazer com decisões passadas.

Alguns stakeholders viram isso acontecer. Em 2014, o FASB concedeu às empresas privadas a opção de amortizar o goodwill de forma linear em 10 anos. Essa opção foi estendida para organizações sem fins lucrativos em 2019. Era apenas uma questão de tempo para o Conselho reconsiderar a amortização do goodwill para empresas públicas. O FASB ainda não emitiu uma minuta de exposição sobre o retorno à amortização do goodwill, o que significa que essa decisão provisória ainda não é o GAAP final.

Ainda pode demorar alguns anos, pois o Conselho precisará emitir uma minuta de exposição, receber comentários e depois deliberar novamente antes que uma norma final seja emitida. Mas muitos olhos estão observando o progresso do Conselho e, quando emitida a norma final, esses olhos podem se voltar para o IASB para ver se a mudança no US GAAP irá alterar a visão para fins de IFRS.

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