Especial Blockchain

As realidades comerciais do blockchain nos dias de hoje

Como o blockchain foi colocado em prática como parte de soluções de empresas comerciais?

“[Blockchain] significa a morte da fatura”, declara Lee Pruitt, co-fundador e CEO da InstaSupply, prestadora de serviços de controle de gastos.

“Há uma enorme quantidade de ineficiência, hoje em dia, em transações business-to-business”, continua. “Existem muitas etapas envolvidas quando empresas fazem pedidos de fornecedores e no modo que elas conferem as faturas do fornecedor para poder realizar o seu pagamento.”

“Quando o departamento responsável pelas contas analisa uma fatura, alguém precisa verificar se eles receberam todos os itens faturados. E o preço está correto? As mercadorias chegaram dentro do prazo? Quando o fornecedor solicitou o pagamento? Os termos do pagamento estão corretos? É sequer o fornecedor correto?”

Se houver qualquer pequena dúvida, a fatura é transferida para outro departamento para ser novamente revisada, por inteiro, por outra pessoa. Business-to-business é um dos setores em que fazer e concluir uma transação pode envolver uma quantidade gigantesca de trabalho manual.  Em alguns casos, fornecedores são forçados a esperar até 90 dias para serem pagos.

“O blockchain elimina tudo isso”, diz Pruitt, “porque você tem um modo digital de confiança e verificação que elimina muitas dessas transações feitas, hoje, de forma manual”.

Blockchain e a otimização de dados

A InstaSupply não está sozinha ao fazer uso do blockchain dessa maneira: Barclays, Maersk e Microsoft estão entre as grandes empresas que lideram essa tendência.

A Maersk não é a única transportadora a insistir em redes de blockchain. A Marine Transport International desenvolveu uma rede de cadeia suprimento marítima usando o blockchain para conectar partes interessadas, incluindo portos, companhias marítimas, transportadoras terrestres, agentes de carga, entre outros.

O CEO da Marine Transport, Jody Cleworth, conta como isso aconteceu: “Em julho de 2016, ocorreu uma mudança na indústria de transporte marítimo. Isso permitiu que nós criássemos a conectividade dentro da cadeia de suprimento terrestre - antes do container chegar ao terminal: o caminhão, o local de carregamento, o embarcador, o carregamento físico dessas mercadorias no container.

“Percebemos que poderíamos desenvolver uma aplicação que criasse um ecossistema entre esses diferentes intervenientes para acelerar os dados na cadeia de suprimentos terrestre para cumprir com essa mudança. Podíamos comunicar os detalhes daquele container ao terminal, antes que ele entrasse no terminal ou fosse colocado a bordo do navio”.

Simplificação através do blockchain

Após considerar e rapidamente dispensar o blockchain bitcoin, a empresa se deparou com os especialistas em tecnologia da Agility Sciences, que estavam oferecendo um serviço de blockchain a nível empresarial com o qual qualquer pode ser conectar. A Marine Technology descobriu que poderia conectar tanto os sistemas antigos como os novos protocolos EDI (intercâmbio eletrônico de dados) da mesma forma na rede, criando o que Cleworth chama de “conectividade democratizada”.

“Agora enquanto os containers são carregados, os dados chegam à rede e nós os processamos com contratos inteligentes, cada evento é faturado. Depois, atualizamos os aplicativos para que usuários, como nós mesmos, sejam notificados com os diversos eventos que estão ocorrendo com relação ao container, e transferimos esses dados da rede para os portos e companhias marítimas antes mesmo que o caminhão tenha engatado a segunda marcha para sair do local de carregamento”.

A barreira para acessar rede é pequena, desde que os próprios participantes a alimentem e disponibilizem seu armazenamento, seja pelo Amazon Web Services, Google, IBM Bluemix ou, até mesmo, pelo próprio servidor da empresa. A Marine Transport ganha, então, taxas específicas automaticamente quando as metas são alcançadas nos contratos inteligentes.

Blockchain e energia

Usar o blockchain para nivelar o setor também foi o principal motivo por trás de um sistema de comércio de energia distribuída implementado na Austrália, no início desse ano, pela Power Ledger.

“Eu estava observando a proliferação de painéis solares fotovoltaicos (FV) que muitas pessoas têm instalado em seus telhados por aqui”, relembra o MD e co-fundador da Power Ledger, David Martin.

“O problema é que não existe nenhuma maneira de garantir que você se beneficiará com o investimento feito em telhado FV. Posso trabalhar das 7h às 19h e o sol já terá se posto quando eu chegar em casa, mas meu vizinho trabalha em casa e é ele quem está obtendo todo o benefício daquela eletricidade gratuita.

Este cenário é um sério obstáculo para instalar painéis FV em edifícios, que representam 35% dos imóveis na Austrália. Uma grande parcela da população é, portanto, excluída da economia da energia distribuída.

“Precisávamos de uma plataforma de tecnologia capaz de demonstrar de onde vinha a energia, em nível de distribuição, e recompensar a pessoa cuja geração estava sendo vendida”, diz Martin. “O blockchain nos proporcionou essa possibilidade: ele permite que nós identifiquemos a origem de cada quilowatt-hora que é gerado no local ou na casa de um consumidor e, por meio de uma plataforma transativa e um algoritmo comercial, essa a energia é alocada a um consumidor específico”.

Blockchain e a confiança

As qualidades imutáveis do blockchain também garantem que qualquer acordo comercial sejam confiáveis quanto a termos, condições e um contrato financeiro vinculado a ele.

Uma propriedade que faz uso desse sistema atualmente é um projeto de 14 unidades em Fremantle, Austrália, desenvolvidos para auxiliar pessoas com baixa renda. Os proprietários, uma associação habitacional, já eram donos do sistema a bateria e FV e queriam oferecer a eletricidade mais barata para seus moradores de uma forma justa.

O sistema da Power Ledger está por trás do principal medidor da propriedade, identificando o consumo de energia por apartamento, de onde a energia vem e como ela é cobrada; se um morador usa mais energia que seu vizinho, ele irá consumir, até o fim, sua própria quota do telhado FV, sem usar a de outra pessoa, mudando automaticamente para a energia da rede e pagando o preço total de varejo da mesma.

Martin sente que o fortalecimento do blockchain para a crescente economia de energia distribuída irá, em última instância, obrigar as principais companhias de energias a adaptarem sua abordagem com relação ao mercado.

Uma mudança cultural

Markus Veith, sócio da Grant Thornton EUA compartilha essa ideia de blockchain como fator essencial para a mudança cultural. Ele usa como analogia o surgimento dos smartphones: eles não nos fazem trabalhar mais rápido tanto quanto mudam a forma como fazemos as coisas.

O exemplo real que ele dá é a empresa de tecnologia para pagamentos peer-to-peer internacionais Circle, uma estrela em ascensão com a qual ele tem trabalhado nos últimos três anos. Usando o aplicativo para smartphone da Circle, você pode transferir quantias entre usuários de diferentes lugares do mundo, sem taxas e instantaneamente.

Veith descreve um cenário: “Digamos que você seja um aluno que saiu do Brasil para estudar nos EUA e você pede para seus pais lhe mandarem dinheiro, US$ 500,00, por exemplo. Seus pais, em São Paulo, entram no aplicativo e mandam o equivalente a US$ 500 em reais, e essa quantia chega em uma fração de segundos na sua conta. E sem custo”.

O blockchain atua como um sistema confiável, validando a transferência de fundos sem outros intermediários e automatizado a compensação entre contas. Uma vez que os clientes da Circle criam suas identidades no blockchain, recebem confiança e validação.

A plataforma de blockchain reduz o risco de conspiração, fraude e cibercrimes em serviços financeiros. “É muito mais difícil hackear um registro de blockchain do que um registro tradicional para o qual se tem um servidor”, observa Veith. “Com o blockchain você tem múltiplos servidores e cada servidor valida o blockchain. Se alguém tentar hackear um servidor ou falsificar uma transação, todos os outros o expulsarão”.

O potencial de soluções comerciais baseadas em blockchain já existe, trata-se apenas de utilizá-lo.

 

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