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Usualmente os conceitos de lucro e sustentabilidade costumavam ser colocados em pólos opostos, indicando a necessidade de escolher um ou outro. A evolução da agenda ESG (Environment, Social and Governance, em inglês) trouxe avanços mundiais em diversos setores, como o financeiro, com novas modalidades de investimentos sustentáveis, que seguem ganhando força.
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Temos um exemplo recente, do dia 3 de março, em que a Itália levantou € 8,5 bilhões na maior estreia de títulos verdes na Europa, seguindo atuação, no mercado, de vários países europeus, como Suécia, Irlanda, Holanda e Polônia. Desde 2017 a França emitiu 11 títulos verdes, somando $30,6 bi, e o Reino Unido já anunciou que pretende vender, ainda este ano, £15 bilhões em títulos verdes. No setor privado o movimento também tem se mostrado importante.

O crescente interesse tem como um dos alicerces o conceito de que o ESG traz um olhar apurado sobre os riscos e impactos de uma empresa ou ativo, oferecendo assim maior segurança ao investidor. O ESG leva em conta diversos fatores que já fazem parte da agenda global de sustentabilidade como, por exemplo, redução de emissões de CO2 e uso eficiente de água.  Entretanto, começa a incorporar à sua agenda outros aspectos relevantes e indispensáveis como boa governança, monitoramento e transparência e ainda temas globais como a Redução de Desmatamento e Direitos Humanos.

Globalmente, investidores têm voltado seu olhar para empresas que ofereçam uma abordagem robusta em ESG e projetos com impacto socioambiental positivo, fortalecendo assim a segurança e longevidade do empreendimento. Como consequência, com os investidores colocando a sustentabilidade no centro de sua abordagem de investimentos, as empresas estão percebendo a necessidade  do desenvolvimento de um framework ESG com políticas e ações consistentes e que esteja inserido na visão estratégica de longo prazo da empresa.

Observamos também, um movimento, principalmente na Europa, de uma nova geração que se preocupa com o bem-estar e considera valores na hora de avaliar seus investimentos. Muitas mudanças de paradigma começam a acontecer estimuladas por esse novo comportamento, colocando em evidência o ESG. Há mais de uma década falamos da influência do consumidor e, agora, a ela se soma a influência do novo investidor, que dará agilidade ao avanço dessa pauta de investimento responsável.

O setor financeiro percebe essas tendências e busca dar respostas com produtos que atendam a esses anseios. Prepara-se para essa nova agenda do investimento, em que há cada vez maior exigência para saber onde o dinheiro é investido e o impacto que ele provoca. Esse movimento deixa evidente a importância da liderança do setor financeiro nos temas de sustentabilidade, há anos discutido nos mais diferentes fóruns que tratam do avanço dessa agenda no mundo. 

O mundo caminha para um alinhamento de princípios ESG e em pouco tempo veremos uma grande transformação em que o propósito e a ação serão uma exigência da sociedade. Tópicos como emissão de carbono e igualdade de gênero, entre outros, transcendem as discussões das Organizações das Nações Unidas (ONU), do Fórum Econômico Mundial e das grandes empresas, para o cotidiano. Os empreendedores e investidores brasileiros devem se conectar rapidamente a essas questões, de maneira efetiva, para terem competitividade global. É uma agenda que veio para ficar.