Artigo

O outro lado da crise

Alcides Neto Alcides Neto

Diante das recentes projeções do FMI para o mercado brasileiro, com previsões de redução do PIB na ordem de 3,6% já em 2016 e além de uma possível estagnação para 2017, chegamos de fato à beira do slogan dos pessimistas de “quanto pior, melhor”.

A situação econômica atual seguida de elevados juros e a instabilidade do câmbio preocupam muito os empresários. Neste cenário, como já ocorrido em crises passadas, os empresários vão se ajustando e “apertando os cintos” sem ter qualquer segurança quanto às “cenas dos próximos capítulos”. Mas, na contramão deste contexto, podemos estar diante do momento exato para nos debruçarmos sob nossas perspectivas.

 Quando estão todos à dizer que “não é o momento para movimentação ou investimentos”, devemos repensar e avaliar, pois este pode ser, na verdade, o momento exato para isso.

Algumas companhias brasileiras mostraram ao longo de seu histórico de crescimento que “grandes passos” foram dados nos momentos de crise e instabilidades, onde por exemplo uma empresa deficitária que estava à venda era vista pelo mercado como um “mau negócio” e foi transformada (naquela situação) em um “case de sucesso” após a imposição de uma forte melhoria nos processos internos e na gestão financeira do novo Administrador.

Outro fator para mostrar a contramão do cenário é o fato de que muitas vezes não se procuram “novas oportunidades” e “soluções” nos momentos regulares (em ambientes estáveis ou sólidos), pois normalmente nestes momentos de estabilidade mantém-se o foco naquilo que faz parte do dia-a-dia da empresa e no andamento de suas rotinas.

As possibilidades de investimentos em momentos de crise são inúmeras, diversos ativos (considere também o valor das empresas) estão desvalorizados ou com preços em tendências de queda, além da grande desvalorização do dólar que atrai, por exemplo, os investidores estrangeiros para realização de “Due Diligences” em busca de negociações mais baratas e em processos de “fusões & aquisições”.

Adicionalmente, é um momento perfeito para colocar os olhos sobre os processos internos, como a formação de preços, redução de custos, renegociação com fornecedores e, principalmente, planejamento tributário (incluindo preços de transferência), levantamento de créditos tributários, investigação de fraudes,  soluções em reestruturação financeira e gestão do capital humano (talent & performance).

Com esta mudança de perspectiva, além de todas as melhorias colhidas de forma instantânea, deve-se ressaltar o quanto é importante também toda a “lição de casa” de se preparar internamente em antecipação ao momento que o mercado voltar a ficar ativo. Acreditar é importante e o Brasil tem um instinto para crescer.

 

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