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A transparência é a alma do negócio

Octavio Zampirollo Octavio Zampirollo

Como a auditoria independente traz vantagens competitivas, confiabilidade e melhora a imagem que as empresas transmitem aos seus stakeholders.

Veloz e conectado, o Século XXI estabeleceu nova forma de relacionamento entre as pessoas e cunhou um lema: quem tem informação tem poder. No mundo corporativo, esta revolução também é impactante. Se o provérbio que diz que o “segredo é a alma do negócio” já era considerado antiquado, ele se tornou obsoleto de vez.

Definitivamente, manter o sigilo sobre os procedimentos internos que as empresas adotam não é mais capaz de trazer vantagens. Ao contrário. Competitividade, rentabilidade e sustentabilidade são resultado de um outro valor: a transparência

A experiência mostra que empresas que têm mais eficiência e merecem mais respeito e admiração são as que investem em metodologias e práticas claras, que promovem envolvimento, alinhamento e compreensão dos processos por parte de todos os integrantes de seu relacionamento - da alta administração à produção, passando pelos acionistas e o consumidor.  

Esta necessidade de transparência não é modismo. É uma nova ordem que se impõe. E para se chegar neste objetivo a auditoria independente é uma das principais alavancas com as quais se pode contar.

A auditoria independente reúne o conjunto de procedimentos técnicos adotados por profissionais especializados, contratados fora da empresa, para analisar suas demonstrações contábeis e emitir parecer sobre sua situação patrimonial e financeira, apontando se ela está em conformidade com o que definem e exigem as práticas contábeis adotadas. Mas não só.

A auditoria fornece uma visão completa da empresa. Talvez a mais abrangente, porque vai a fundo na observação de diversos aspectos ao mesmo tempo. Por exemplo, o auditor realiza a revisão das informações tributárias, trabalhistas e previdenciárias, verifica a apuração dos impostos e como a empresa reporta tais informações às autoridades tributárias. Isto minimiza riscos para o gestor, para a alta administração e, em último nível, para o acionista. 

 

No Brasil, caracterizado por constantes mudanças na legislação tributária e trabalhista nos últimos anos, as empresas quase sempre precisam focar em suas atividades fim e, por isso, não conseguem acompanhar, na maioria das vezes, estas alterações. E o não cumprimento de uma obrigação pode representar aumento de riscos e prejuízos futuros. Isto mostra o quanto o trabalho de um auditor independente é preventivo, passando bem longe da ideia de que sua atuação tem caráter apenas corretivo. 

Ao mesmo tempo, a tarefa do auditor é uma das poucas que faz vários setores de uma mesma empresa interagirem, porque demanda informações de diversas áreas - financeiras e contábeis, tributárias, trabalhistas e previdenciárias, de tecnologia da informação, de vendas/comercial, entre outras. É um estímulo à colaboração, possibilitando a união de todos em torno de um objetivo comum: o de preparação e divulgação de informações contábeis e financeiras com transparência. Isso faz do auditor uma figura com conhecimento único, relevante e amplo sobre os procedimentos da empresa, capaz de contribuir com insights profundos sobre eventuais fragilidades. E, claro, sobre seus pontos fortes. 

O auditor independente é, assim, um elemento que pode ser utilizado pela alta administração com objetivo estratégico, podendo dar à empresa vantagem competitiva em relação a outras que desconhecem seus próprios procedimentos e potencialidades. 

No Brasil, a Lei 11.638 de 2007 instituiu a obrigatoriedade da auditoria independente para empresas de grande porte ou grupos com faturamento anual acima de R$ 300 milhões ou total de ativos acima de R$ 240 milhões, sejam empresas registradas como sociedades anônimas ou limitadas. Nestes casos, é obrigatória a auditoria por auditor independente registrado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). 

Porém, não é só por força da legislação que o uso da auditoria independente cresce. Empresas médias e pequenas já perceberam que ela é uma boa prática de governança corporativa capaz de multiplicar benefícios e ajudar a tirar planejamentos do papel com mais eficiência.

Uma empresa auditada tem mais facilidade de se engajar em operações estratégicas, como aquisições, fusões ou parcerias, além de estar melhor preparada para eventuais captações por meio de debentures ou abertura de capital. Tudo isso porque se organizou do ponto de vista contábil, tributário, trabalhista e de sistemas de TI e, assim, estruturou um leque abrangente de governança corporativa. Com a auditoria independente, os apontamentos estão na palma da mão, indicando que direcionamentos devem ser escolhidos e onde se tende a chegar.

As boas consequências da auditoria independente podem ser sentidas, por exemplo, numa eventual tomada de crédito. Quando uma empresa apresenta ao seu potencial financiador documento que mostra todas as suas características, condições e posições contábil e financeira, dá uma visão muito mais clara do seu nível de solvência e o gestor conquista maior poder de negociação. O parecer do auditor independente é como uma chancela, uma carta colocada na mesa que aumenta as chances de negociação de melhores juros e de volume de crédito mais vantajoso. 

Até na relação com os funcionários a auditoria independente tem influência. Além de reforçar a transparência, no caso de empresas que mantêm política de distribuição de lucros, as informações auditadas tornam o processo ainda mais efetivo. A consequência imediata tende a ser o aumento do engajamento, um ativo importante que evita a fuga de talentos. 

O consumidor é outro stakeholder diretamente afetado por este trabalho. Quanto mais clareza ele tem sobre como funciona uma empresa, mais percebe seus valores. É o ganho de imagem, um bem intangível, difícil de quantificar quando se tem, mas muito perceptível quando se perde.