Tecnologia

Oportunidades superam os riscos

Os resultados da última pesquisa do IBR são muito otimistas em termos de atitudes em relação à tecnologia, afirma Steven Perkins, líder global em tecnologia, mídia e telecomunicações.

Os resultados da última pesquisa do IBR são muito otimistas em termos de atitudes em relação à tecnologia, afirma Steven Perkins, líder global em tecnologia, mídia e telecomunicações.

A tecnologia avança a um ritmo tão intenso que coloca um desafio aos líderes empresariais. Eles a aceitam como uma fonte de oportunidades ilimitadas, ou a encaram com desconfiança como uma influência altamente disruptiva e um risco a ser gerenciado?

Ter de lidar com tantas mudanças e incertezas é um desafio que não existia algumas décadas atrás. Recue no tempo e observe as empresas que desfrutaram de um considerável poder de mercado nos últimos 100 anos: a maioria passou por décadas de relativa tranquilidade antes de ser atingida por 20 a 25 anos de turbulência, boa parte dela provocada pelos avanços na tecnologia da informação. As consequências afetaram as finanças corporativas, arranharam reputações e, em alguns casos, ameaçaram modelos de negócios inteiros. O resultado é que, hoje, nenhuma organização pode ter certeza de que seu modelo de negócio permanecerá intacto nos próximos cinco anos.

Tecnologia: Um agente transformador

Pode ser difícil aceitar um panorama como esse. Mesmo assim, os resultados do Relatório Internacional de Negócios da Grant Thornton (IBR) - uma pesquisa trimestral com 2.500 empresas em 36 economias no mundo inteiro - sugere que o otimismo é maior do que seria esperado.

Os resultados mostram que 68% dos líderes de mercado encara a tecnologia como uma oportunidade a ser aproveitada, com somente 13% a vendo como um risco a ser minimizado. Para alguém com 35 anos de experiência aconselhando clientes sobre o uso mais eficaz da TI em diversos segmentos de mercado, isso é extremamente animador.

As estatísticas do IBR confirmam que a tecnologia não é mais basicamente uma função administrativa, mas já faz parte da gerência executiva e do núcleo do negócio. Passamos pelo choque inicial da disrupção, durante a qual a reação instintiva era enxergar somente riscos a serem gerenciados. Isso ocorre em qualquer segmento que esteja ameaçado. Mesmo assim, estamos vendo a indústria automotiva aproveitar agressivamente a oportunidade dos carros sem motorista, e a General Electric vendendo a si mesma como uma empresa digital enquanto desenvolve sua própria Internet das Coisas industrial.  Os dados sugerem que já passamos pela fase do choque inicial e de negação, com a tecnologia sendo aceita como o agente transformador que sabemos que ela é.

Maior eficiência, custos menores

Os dados do IBR mostram que 70% dos líderes de mercado acredita que a tecnologia deve melhorar a eficiência operacional e reduzir custos. Isso está relacionado a novas formas de consumir tecnologia, não somente o “software como um modelo de serviço”, o que tem reduzido os custos de capital para aquisição de tecnologia a quase zero.

Hoje, as necessidades de infraestrutura podem ser compradas como um serviço ou “alugadas”. Como elas são uma despesa, não um item de capital, há uma queda substancial no preço de aquisição. A complexidade fica fora da sua contabilidade, e você ainda tem a flexibilidade de evitar os contratos de terceirização tradicionais fixos de longa duração. Trata-se de uma mudança drástica.

Isso é melhor exemplificado nas fases de estabelecimento e crescimento de empresas de tecnologia pequenas. Se alguém investiu $20 milhões em uma start-up de tecnologia no passado, uma parte significativa teria ido para a aquisição de infraestrutura apenas para entrar no mercado. Agora, eles fazem pagamentos mensais.

Uma segunda onda de oportunidade 

É possível traçar uma linha do tempo que abrange todos os segmentos de mercado. A tecnologia passa de elemento firmemente enraizado no setor administrativo, para se tornar um fator de disrupção e, em seguida, vira uma oportunidade.

Se analisarmos todos os setores, vemos oportunidades para a tecnologia nos mercados de construção e imobiliário. Estes não são segmentos escorados nas tecnologias digitais, mas 68% dos entrevistados afirmou que o tema é uma das prioridades das suas diretorias. Isso fica ainda mais nítido nos setores de turismo de viagem e lazer, nos quais o número sobe para 82%. Esse setor está nos primeiros estágios da sua disrupção, como pode ser comprovado pelo sucesso do modelo do Airbnb.

Também é interessante que 81% dos entrevistados do setor de saúde acredita que a tecnologia aumentará eficiências. Obviamente, há certa cautela e é de se esperar uma preocupação significativa com os riscos nesse setor, considerando que a privacidade e a segurança dos pacientes são questões de suma importância. Mesmo assim, isso é algo que eles terão que enfrentar e algumas organizações se sairão melhor do que outras.

Os serviços financeiros, as gravadoras de música e o setor de varejo já fizeram essa jornada. Agora, estamos assistindo a uma segunda onda que está afetando setores mais tradicionais, mais industriais, não escorados em tecnologias digitais. Suspeito que os sobreviventes do processo serão aqueles que veem a tecnologia claramente como uma oportunidade a ser aproveitada.

 

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