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Sete dicas para empresas familiares evitarem o fracasso

Organizações familiares compõem dois terços de todos os negócios no mundo.

Elas contabilizam entre 70% e 90% do PIB global anualmente[1]. No entanto, apesar de seu peso econômico, sua taxa de fracasso é alta. No Brasil, apenas 30% das empresas familiares sobrevivem à transição da primeira para a segunda geração, enquanto apenas uma minúscula proporção (5%) chega à terceira geração[2]. O cenário é parecido no México, onde apenas 10% das empresas familiares chegam à terceira geração.

Mario Rizo, Sócio da Grant Thornton México, conhece bem os desafios enfrentados por empresas familiares. "Realizar consultoria em empresas familiares é como ir ao médico", ele disse. "Só podemos ajudá-lo se você for honesto sobre seus sintomas. Realizaremos exames e talvez precisaremos fazer algumas perguntas sensíveis, mas, por fim, prescreveremos o medicamento correto".

Aqui estão sete dicas de saúde desenvolvidas pela experiência extensa da Grant Thornton, por seu trabalho junto a empresas familiares na América Latina, a fim de garantir que organizações deste tipo ao redor do mundo possam sobreviver às futuras gerações.

1 Tenha estrutura e políticas claras

Uma falta de estrutura e procedimentos formais é uma fraqueza comum entre empresas familiares. Também é de costume que as linhas entre família, propriedade da empresa e gestão do negócio sejam cruzadas.

Rizo diz: "Um erro recorrente é confundir propriedade e gestão. Frequentemente, a mesma pessoa usa os três chapéus - o Diretor Executivo é também o presidente do conselho administrativo e também o principal acionista. E é provável que isso seja passado para a próxima geração".

A introdução de uma constituição familiar escrita que declara claramente os valores, a visão da empresa e regula o vínculo entre familiares e o negócio pode compensar potenciais conflitos e ajudar com o planejamento de sucessão.

2 Introduza uma forte governança corporativa

Uma boa governança é fundamental para a sustentabilidade de longo prazo de qualquer negócio. A criação de um conselho administrativo e conselho familiar é crucial para garantir a longevidade da empresa.

"O que vemos frequentemente no México", explica Rizo, "é que empresas familiares têm políticas de governança corporativa implantadas, mas, quando o líder ou fundador sai do cargo ou falece, a próxima geração não respeita as regras da empresa. Um conselho familiar pode ajudar nestas situações, porque regula o vínculo entre família e empresa, atuando como uma ponte entre os dois".

As empresas também devem considerar a introdução de um acordo de acionistas para regular a forma com que os acionistas podem exercer seus direitos, disse ele. Além disso, a nomeação de um conselho consultivo, ou membros independentes do conselho, pode trazer novas perspectivas. A supervisão efetiva também pode evitar problemas como a síndrome 'sticky baton' - quando a geração mais antiga passa, em teoria, mas ainda tenta reter o controle sobre decisões importantes.

3 A comunicação efetiva é fundamental

A má comunicação pode, frequentemente, tornar pequenas discordâncias em grandes conflitos. As políticas de comunicação fortes podem ajudar a aliviar emocionalmente as conversas carregadas, que podem variar de gestão de emoções de um Diretor Executivo extrovertido ao envolvimento dos acionistas nas discussões. Idealmente, deveria haver revisões francas de desempenho e honestidade ao falar com assessores independentes (vide ponto sete) e outros públicos de relacionamento.

"Muitos problemas que surgem durante as conversas com clientes têm relação com a má comunicação. Há exemplos em que familiares possuem quase nenhum conhecimento sobre a empresa, carecendo até mesmo de um entendimento básico do que a empresa faz ou se é rentável, o que pode levar a decisões tomadas com base em rumores ou suposições", disse Rizo.

4 O planejamento financeiro robusto é essencial

Outra armadilha comum é a falta de disciplina quanto ao uso do dinheiro da empresa para despesas pessoais. Também, as políticas de remuneração que tendem a recompensar os elos familiares além da capacidade ou desempenho podem ter um efeito negativo sobre a motivação dos colaboradores e a retenção da equipe.

Luciano Bordon, Sócio da Grant Thornton Brasil, diz que há, muitas vezes, uma percepção de que o dinheiro da empresa e o dinheiro do proprietário são a mesma coisa. "É muito importante mantê-los separados", disse ele. "Também, se um familiar trabalhar na empresa, ele ou ela precisa ser pago/a em consonância com os outros colaboradores em cargos semelhantes. Deve haver políticas claras em relação à remuneração, definidas dentro da constituição familiar".

Os controles financeiros robustos também precisam de ênfase no planejamento e acompanhamento do orçamento, controle de risco e gestão de custos. Conforme observação de Bordon: "Muitas empresas familiares têm grande foco nas vendas e não prestam atenção suficiente nos custos associados à administração do negócio".

5 A necessidade de uma visão e um planejamento estratégicos

Sem surpresas, a falta de planejamento estratégico pode limitar a vida útil de qualquer empresa.As empresas são frequentemente aconselhadas a planejar o "quando" e não o "se", a fim de evitar serem surpreendidas por eventos inesperados. As empresas familiares também podem ter preocupação com o nível de desempenho da empresa nos dias de hoje e serem relutantes em sair de sua 'zona de conforto'.

"É sempre útil tentar e visualizar diferentes cenários de crescimento, se ele é orgânico ou por meio de aquisições ou parcerias", disse Rizo. "Pequenas e médias empresas, muitas vezes, não prestam atenção suficiente ao planejamento - os proprietários podem ter uma visão em sua cabeça, mas devem colocá-la no papel, definindo o que querem alcançar e como vão chegar lá".

6 Não ignore a gestão de talentos

Escolher a pessoa certa para levar a empresa ao futuro é talvez a decisão mais importante que empresas familiares tomam durante seu ciclo de vida. O talento empreendedor dentro da família deve ser identificado e nutrido desde os primeiros anos de vida. Da mesma forma, é importante evitar forçar os jovens a ingressar na empresa, se elas não quiserem.

De acordo com Bordon, o planejamento de sucessão deve ser feito em conjunto com a implantação de uma estrutura robusta de governança corporativa. Ter políticas de governança fortes implantadas, incluindo o suporte de assessores independentes e comunidades externas que supervisionam áreas, como RH e financeiro, pode ajudar a superar muitos dos pontos de dificuldade durante discussões relacionadas à futura liderança.

"Um perfil detalhado para a função de Diretor Executivo deve fazer parte da constituição familiar, especificando se o cargo está aberto a pessoas fora da família", disse Bordon. "Muitas vezes, entrevistamos familiares para avaliar se eles têm o perfil certo e as habilidades certas para a função. Nos mesmos casos, precisamos voltar aos proprietários para dizer que seu filho ou filha pode não ser adequado para a função principal e sugerir outro cargo que melhor se adeque a suas habilidades".

7 Aconselhamento externo pode assegurar sucesso

Há, muitas vezes, questões sensíveis nas empresas familiares que podem levar a conflitos e discordâncias. O aconselhamento de um terceiro independente pode ajudar neste sentido, facilitando discussões mais abertas sobre tópicos com carga de emoção, como sucessão ou visões diferentes sobre a direção da empresa. 

Outras questões, como conformidade regulatória, governança corporativa e planejamento financeiro, exigem cada vez mais o uso de expertise externo. Bordon observa: "No Brasil, empresas familiares se preocupam com questões de governança corporativa e exigências de conformidade. Cada vez mais, elas buscam ajuda de consultores externos para assegurar que estão agindo corretamente".

Conclusão: Empresas familiares podem ter sucesso a longo prazo

A meta geral de empresas familiares é a administração tranquila da empresa e a extensão de sua vida útil às segundas, terceiras gerações, e além. Para conquistar isto, é essencial ter procedimentos formais implantados, uma visão de longo prazo e ter consciência dos riscos.

Como Rizo diz: "Na última década, vimos algumas das empresas familiares mais representativas do México buscando aconselhamento externo para implantar estruturas e políticas para administração de suas empresas de forma mais institucional. Ainda temos um longo caminho a percorrer, mas elas estão avançando na direção certa".

Se quiser conhecer mais sobre a superação dos desafios enfrentados nas empresas familiares, entre em contato com Mario Rizo ou Luciano Bordon.


 Referências:

[1] http://www.ffi.org/?page=GlobalDataPoints&hhSearchTerms=“global+and+data+and+points

[2]  http://www.grantthornton.com.br/insights/articles-and-publications/qual-o-segredo-para-o-crescimento-das-empresas-familiares/ 

 

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