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Como internacionalizar uma empresa familiar sem perder a tradição?

Por: Hugo Luna – líder da área de Tributos | Daniel Maranhão – managing partner Grant Thornton Brasil

Quando observamos casos de sucesso de empresas familiares que expandiram internacionalmente, percebemos que os negócios de grande destaque souberam aprimorar seus processos para deixar de serem organizações locais e conquistarem o mercado externo. Neste sentido é preciso estar preparada em termos de eficiência, inovação, tecnologia e, principalmente, práticas de governança corporativa para ganhar verdadeiras vantagens competitivas.

No Brasil, um dos maiores desafios identificados está no equilíbrio entre tradição e modernização. Isso porque os principais ativos de um negócio familiar estão na cultura e nos valores definidos pelos fundadores e aplicados no dia a dia por todos os colaboradores. Preservar esses bens é fundamental, mas o que deve ser ressaltado é que manter tradição não significa parar no tempo.

O mercado exige cada vez mais que as empresas atualizem processos, controles e níveis de informações para tomadas de decisão e isso passa impreterivelmente por modernizações tecnológicas e inovação. Criar e aprimorar, sempre, um modelo de governança é imperativo.

Deixar claro o seu nível de governança é quase como apresentar seu cartão de visitas ou portfólio. É explicitar a todos os parceiros – funcionários, fornecedores ou clientes – como funcionam seus métodos, regulamentos, decisões e costumes. Sem dúvida, a transparência agrega mais segurança e confiança. Nos negócios familiares esse quesito é ainda mais relevante para a perenidade da empresa que está suscetível a processos sucessórios, nem sempre bem preparados e que podem, por isso, criar insegurança e indefinição no futuro – o que não gera credibilidade num processo de expansão internacional.

Quando analisamos a Europa e o próprio EUA, apesar deste último ter uma economia mais nova, o nível de evolução de profissionalismo e da governança corporativa é mais desenvolvido quando comparado com o Brasil, por exemplo. Nestas regiões, a consciência e a preparação de ações com o intuito de perpetuar o negócio são mais claras, evidenciando regras de sucessão a partir da competência comprovada de quem assumirá a direção da empresa.  

 

Mudança de hábitos

Com uma boa estratégia de governança esses riscos são mitigados e um modelo simples já é capaz de apresentar bons resultados. Uma boa maneira de iniciar esse processo é com a mudança no hábito de deixar todas as decisões na dependência de uma única pessoa, normalmente a do fundador, e criar um conselho de administração.

Mesmo pequena – reunindo sócios e indivíduos externos – a ordem de um conselho pode adicionar estratégia e relevância a decisões sobre marketing, gestão e administração, de forma independente. Isso já é um grande diferencial. 

No entanto, este formato vai depender do tamanho e da característica de cada empresa familiar. E um conselho, para ser montado, demanda um estudo mais detalhado. O que também não é problema, já que o mercado tem uma infinidade de soluções adequadas para cada realidade. Há experiências, metodologias e conhecimentos técnicos que podem ajudar as empresas familiares na melhoria de gestão e governança, incluindo processos de sucessão; de posicionamento no mercado e na modernização - abrangendo diferentes aspectos que compõem um negócio, desde pessoas; passando por processos, controles, tecnologia e sistemas; nível de informações gerenciais, tributárias e contábeis; até auditoria interna e externa para transparência ao mercado interno e externo.

 

Plano estratégico  

Especialistas também podem auxiliar na construção de um plano estratégico para a empresa. Ter um plano é essencial para desenhar aonde se quer chegar no curto, no médio e no longo prazo.  É definir o que se quer, seja em termos de crescimento, de novos produtos ou de ações de expansão para o mercado nacional ou internacional.

E como saber a hora de buscar este auxílio? Além da questão sucessória, existem outros indicativos que podem ser o sinal para avançar internacionalmente. São sintomas relacionados à falha na gestão e operação dos negócios, que levam por exemplo à incapacidade de investimento, a queda de rentabilidade e má gestão dos recursos. Outros indícios podem aparecer com a incapacidade de contratar e engajar talentos; de tomar crédito no mercado para financiar seus investimentos; ou com perda de competitividade de produtos e serviços por ausência de modernização e inovação.  

Fato é que os representantes de empresas familiares devem sempre lembrar que um negócio não é como um imóvel ou outro patrimônio recebido de herança. As empresas são dinâmicas e precisam ser competitivas no mercado e sempre se reinventar. Dessa forma, é essencial que a gestão atual e seus sucessores tenham essa consciência antes partir para o desafio da internacionalização.

 

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