Artigo

Índice de Percepção da Corrupção

Perdemos mais um indicador de grau de investimento? 

A notícia mais difundida esta semana mostra a queda do Brasil no ranking de percepção da corrupção da Transparência Internacional, rebaixando o País à posição de numero 78 e o igualando a Índia, Bósnia, Burkina Faso, Tailândia, Tunísia e Zâmbia.

Em uma primeira análise, o índice reforça o que o noticiário nos lembra todos os dias: vivemos em um ambiente de corrupção endêmica e de potencial violação à lei. Já nas entrelinhas, lê-se que é a economia e o ambiente de negócios os que mais sofrem com o mal. E é isso o que está impactando o indicador, dessa vez.

Analisando os dados que mais pesaram para o rebaixamento do Brasil no ranking da corrupção, como ficou popularmente conhecido, dos sete diferentes indicadores utilizados para pontuar o Brasil, chamam a atenção dois que trouxeram o índice brasileiro para baixo, ambos relacionados a nossa capacidade de gestão e produtividade: a Pesquisa de Opinião de Executivos – Fórum Mundial de Economia, que aponta uma Crise de Liquidez e Negligência prolongada de investimentos em infraestrutura crítica e as necessidades de desenvolvimento; e o Anuário Mundial de Competitividade do Instituto de Desenvolvimento de Gestão IMD da Suíça, que mede a eficiência das nações em criar e manter um ambiente de competição empresarial.

Para o empresariado, mais do que um indicador de corrupção, essa notícia soa como a perda de mais um indicador de investimento e os seus efeitos impactam na economia real e no cenário macroeconômico do país.

Em um ano onde as linhas de crédito para o Brasil sumiram, na prática,  a piora no índice da Transparência Internacional significa um aumento do famigerado Risco-Brasil.

De forma geral, o mau humor do empresariado foi capturado no cálculo do indicador apresentado pela Transparência Internacional, resultante da percepção dos empresários sobre a condução do ambiente de negócios feito pelo governo brasileiro e o impacto da corrupção na rotina das empresas.

Já a percepção popular sobre o comportamento da corrupção no Brasil segue alinhada com o indicador da Transparência Internacional, e tenta resistir ao desânimo econômico e às condições do país em gerar negócio.

Enquanto isso, o Brasil segue esperançoso para que, com a manutenção de medidas de combate à corrupção e os mecanismos de controle que deverão surgir tanto na esfera pública como privada, possam reverter a percepção de investidores e empresários e figure em boas posições em rankings relevantes, seja de corrupção ou de investimento.

Ricardo Alexandre Contieri é diretor da área de investigações de fraudes, combate a corrupção, e disputas da Grant Thornton.

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