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Os 5 principais desafios para o crescimento das Fintechs

Por Thiago Brehmer

De acordo com a associação brasileira de Fintechs - ABFintechs, existem oficialmente 244 startups voltadas para o mercado financeiro no Brasil, as chamadas Fintechs. Entretanto, estima-se que este número seja ainda maior, em torno de 500 organizações. Devido ao volume de organizações mapeado, o Brasil já figura como o maior polo de Fintechs da América Latina.

Estas startups, voltadas a oferecer soluções financeiras por meio de plataformas digitais, possuem em sua grande maioria um modelo de negócios voltado para o mercado B2B (business to business). Segundo a ABFintechs, 67% delas apresentam este perfil.

Principais desafios e etapas de crescimento

Apesar da grande representatividade no mercado global, as Fintechs Brasileiras enfrentam grandes desafios em sua jornada de desenvolvimento. A falta de uma regulamentação específica, o baixo estímulo ao empreendedorismo e a escassez de investimento em virtude da crise recente, são apenas alguns destes desafios identificados em um levantamento recente desenvolvido pela Grant Thornton no Brasil.

Apesar dos desafios, temos observado nos últimos anos inúmeros casos de sucesso. Então a pergunta é: o que levou estas companhias a driblar as dificuldades, crescer e se consolidar em um mercado tão hostil?

Identificamos que o crescimento de uma Fintech pode ser dividido em 5 fases: (1) Ideia; (2) Validação da ideia (MVP – Produto Mínimo Viável); (3) Início da operação; (4) Expansão; e (5) Consolidação.

1 – A ideia

Trata-se do conceito. É a chamada “Sacada” do empreendedor sobre a necessidade do mercado e formulação inicial do produto ou serviço ofertado.

Nesta fase, é necessário que o empreendedor tenha uma visão abrangente de como o negócio se sustentará no longo prazo.

2 - Validação da ideia (MVP – Produto Mínimo Viável)

Esta é a etapa na qual o empreendedor se assegura da viabilidade de sua ideia. Ao testar o modelo idealizado, ele tem rapidamente a resposta do mercado quanto ao produto ou serviço desenvolvido. Esta é uma das etapas mais críticas, onde os empreendedores mais necessitam de apoio. Assim como acesso a investidores-anjo ou linhas de fomento a inovação, obter o assessoramento correto de profissionais experientes é fundamental para a sustentação do negócio e pode acelerar a maturação da Companhia para que esteja apta a seguir adiante para a próxima etapa.

 

 

3 – Início da operação

Após testar seu modelo de negócio, o início da operação marca a existência oficial da organização como companhia. Esta é a fase da busca por clientes, parceiros comerciais, fornecedores, aprimorar o produto ou serviço, adequar o modelo de negócios e buscar o apoio, financeiro e consultivo, dos investidores profissionais.

4 – Expansão

Nesta etapa, o negócio que era embrionário, agora ganha corpo e dá indícios de um crescimento rápido com boa oportunidade de lucratividade para os investidores. Entretanto, como demonstrar a estes investidores que eles estão diante de uma excelente oportunidade? E como dar conta da infinidade de obrigações de uma companhia grande se o seu foco ainda está na operação dela? Neste momento, o apoio do parceiro correto pode fazer toda a diferença.

Muitas dúvidas surgirão durante a elaboração dos cenários para preparar a expansão, identificar as alternativas de captação de recursos ou estruturação dos custos.

Uma das estratégias utilizadas por diversas Fintechs para sobreviver a esses desafios, foi poder contar com consultorias para atividades de suporte, auxiliando os empreendedores durante o crescimento da organização, deixando os principais executivos livres para focar sua energia nas atividades mais importantes relacionadas com o seu negócio principal. Como o crescimento destas organizações chega a ser meteórico em alguns casos, o enquadramento nos regimes fiscais tende a mudar constantemente, forçando a empresa a estar muito atenta para que não fique fora de sincronia com suas obrigações fiscais ou tributárias.

Afinal, um imposto mal pago, pode gerar multas altas para a organização, que por não estar consolidada ainda, sofrerá ainda mais que as grandes Companhias.

5 – Consolidação

A etapa final é o momento em que a Fintech já tem seu nome no mercado e um faturamento robusto. É neste momento que, para se manter viva e em constante crescimento, deve procurar um apoio consultivo, que certamente lhe ajudará a procurar novas formas de crescimento, sejam elas por meio de fusões e aquisições, processos de IPO ou ainda outros investimentos que lhe tragam alternativas sofisticadas de expansão. Este é o momento em que a Companhia será constantemente abordada pelos maiores players do setor financeiro e deve estar preparada para não perder nenhuma grande oportunidade.

Thiago Brehmer é líder da área financeira da Grant Thornton Brasil.

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