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Outsourcing

Terceirização é uma opção para PMEs

Murilo Pires Murilo Pires

Há algumas décadas, tínhamos a percepção que o contador, também conhecido à época como “guarda livros”, era apenas um profissional funcional, metódico e afundado em papéis. Nos dias atuais, esta estória mudou bastante. Afinal, considerando a especialização que é requerida no meio contábil, fiscal, financeiro e de folha de pagamentos, um único profissional não é capaz de absorver todas as questões técnicas necessárias para o atendimento pleno de suas atividades.

Por exemplo, a questão tributária que no Brasil sempre foi um empecilho, impõe às empresas uma dificuldade altíssima de se manter em conformidade com os órgãos competentes. A utilização de um sistema integrado para fins contábeis e fiscais se torna fundamental para o “compliance” de qualquer organização e para facilitar a vida do empresário. Quando pensamos em manutenção destas atividades por conta própria, é necessário administrar parte do tempo dedicado para acompanhamento destas tarefas. Afinal, uma vez que existem regras e obrigações que precisam ser cumpridas pelos contribuintes para a tomada de decisões estratégicas da companhia (balanços, demonstrações financeiras, fluxo de caixa, dentre outras), elas não podem ser tratadas de maneira superficial ou menos importante. 

Contudo, a terceirização torna-se uma alternativa interessante não só para grandes corporações, como também para o pequeno e médio empreendedor, que deve avaliar o custo-benefício de manter profissionais deste nível dentro de casa, não somente com os seus custos diretos (salário + encargos) e indiretos (material para uso e consumo, espaço físico, treinamento), mas também com o custo de ociosidade e riscos de equívocos no processo contábil e fiscal (sujeito a multas e penalidades por procedimentos não adequados). O trabalho de “back office” terceirizado pode trazer redução de custos na ordem de 20 a 30%, dependendo do segmento de atuação.

O setor de terceirização permanece aquecido para alguns segmentos, dentre eles o setor de tecnologia, que continua crescendo mesmo em tempos de crise, se reinventando com automação e mecanismos que fazem outros setores ganharem eficiência. Isto faz com que empresas de Outsourcing também invistam massivamente em hardware, software e tecnologia em nuvem, para que se mantenham alinhadas à expectativa deste mercado. Estas companhias, regra geral, são geridas por pequenos e médios empresários que, neste momento inicial de operação, precisam focar em seu negócio e inovação para se destacarem.

Sendo assim, avaliar as empresas tão somente baseando-se em volume e dados estatísticos para desenvolver um projeto personalizado e precificar pelos serviços adicionais que serão oferecidos, já não é mais admitido no mercado de terceirização. Hoje em dia, é necessário utilizar-se também de dados de mercado, perspectivas econômicas, ideais e missão da empresa para estar sempre alinhado às expectativas dos clientes. Na maioria das vezes, também é necessário apoiá-los na construção destes objetivos, ajudando-os a dimensionar e estruturar seus projetos que, em virtude da complexidade no Brasil, ainda não saíram do papel.

O desenvolvimento de produtos e serviços customizados são destacados como o principal diferencial das empresas de terceirização eficientes. É preciso que o empresário avalie: Será que manter o “back office” interno é a opção mais viável neste momento de crise? Neste sentido, terceirizar estas atividades com uma empresa que conheça seu negócio também poderá transformar o contador em “adição de valor” e não mais “guarda livros”.